Preço do ovo dispara até 20% durante a quaresma e pesa no bolso do consumidor

Postado em 31 de março de 2026

O preço dos ovos voltou a subir no Brasil a partir de fevereiro e segue em alta em março, com aumento de até 20% em relação ao mês anterior. A valorização é impulsionada principalmente pelo crescimento da demanda durante a quaresma, período em que parte da população reduz o consumo de carne vermelha e busca alternativas como os ovos.

Levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) aponta que a alta foi registrada em todas as regiões analisadas. Na média parcial de março, o ovo tipo extra branco apresentou uma das maiores valorizações do mercado.

De acordo com a pesquisadora do Cepea, Claudia Scarpeli, o movimento é considerado típico desta época do ano. Segundo ela, além da quaresma, outros fatores ajudam a impulsionar o consumo. “O período coincide com a retomada da rotina após as férias e com o retorno das aulas, o que aumenta a procura por alimentos básicos como os ovos”, explica.

Historicamente, o consumo cresce nas semanas que antecedem a Páscoa, especialmente no varejo, quando parte da população substitui outras proteínas por opções mais acessíveis. Ao mesmo tempo em que a demanda cresce, a oferta está mais ajustada. Após um início de ano marcado por preços baixos — quando a caixa com 30 dúzias chegou a cerca de R$ 89 em janeiro — produtores reduziram o ritmo de produção para evitar excesso no mercado.

Segundo o Cepea, o setor é bastante sensível ao equilíbrio entre oferta e demanda. Quando há grande volume disponível, os preços tendem a cair rapidamente, levando granjas a ajustar a produção ao longo do ano.

Custos ainda preocupam o setor
Mesmo com a recuperação dos preços, os custos de produção continuam no radar dos produtores. A alimentação das aves, baseada principalmente em milho e farelo de soja, representa a maior parte das despesas, além de gastos com embalagem e logística. O Cepea também monitora possíveis impactos de tensões internacionais sobre o frete e o custo de insumos, o que poderia pressionar os preços ao consumidor no futuro.

A tendência para o restante do ano dependerá principalmente do equilíbrio entre produção e consumo. Após o fim da quaresma, o mercado costuma passar por ajustes. Caso a produção cresça além da capacidade de consumo interno, os preços podem voltar a cair ao longo do segundo semestre.

Em 2025, o Brasil registrou produção recorde de 4,95 bilhões de dúzias de ovos, crescimento de 5,7% em relação ao ano anterior. O consumo também avançou e atingiu 288 ovos por habitante no país.

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