Preço dos ovos diminui em janeiro para o menor nível em seis anos

Postado em 3 de fevereiro de 2026

O ovo, uma das proteínas mais consumidas pelos brasileiros, teve redução de preço em todo o país no mês de janeiro, alcançando o menor nível dos últimos seis anos, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). As médias mensais apresentaram uma queda de até 17% em relação a dezembro de 2025. Quando comparado ao mesmo período do ano passado, o recuo é ainda mais expressivo, chegando a 27%. Os índices consideram as informação compiladas até a última quarta-feira (28), com os valores reais, corrigidos pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de dezembro de 2025.

Consumidores da capital potiguar ouvidos pela reportagem afirmaram ter percebido a redução. A diarista Vanderleia Nascimento contou que, com preços melhores, dá para consumir mais. “Lá em casa eu e meu filho consumimos bastante ovo, então, é ótimo que os preços estão melhores”, disse.

A empregada doméstica Vanusa Ferreira foi ao supermercado nesta segunda-feira (2) fazer as compras para a casa onde trabalha, mas revelou que na semana passada aproveitou os preços em conta para levar o produto para as refeições caseiras e também para as vendas do marido, que é comerciante. “Levei três bandejas para mim e 15 para o comércio do meu esposo. Está bem barato mesmo e isso é muito bom, inclusive para quem revende, como é o caso do meu marido”, falou Vanusa.

Mikelyson Góis, presidente da Associação dos Supermercados do Rio Grande do Norte (Assurn), afirma que a baixa observada tem a ver com a oferta do produto no mercado, mas avalia que os preços devem voltar a subir com a chegada da Quaresma, período em que o consumo de ovo historicamente aumenta. “Realmente, os preços do item nunca estiveram tão baixos”, comentou Mikelyson.“Acontece que nós temos uma produção muito grande, com bastante oferta de ovo e a entrada de novos fornecedores. Então, o mercado ficou competitivo, gerando esses reflexos de preços. Mas nós estamos chegando na Quaresma, época em que as pessoas fazem votos para não comer carne e a procura por ovo aumenta. Consequentemente, os preços dessa proteína se elevam”, acrescenta o presidente da Assurn.

Os dados do Cepea mostram que, até 28 de janeiro, na região de Bastos (SP), uma das principais áreas produtoras do país, o preço médio do ovo branco tipo extra, comercializado a retirar na granja, foi de R$ 105,57 por caixa com 30 dúzias. O valor representa uma queda real de 12% em relação a dezembro de 2025 e de 24,8% na comparação com janeiro do ano passado. Já o ovo vermelho tipo extra, negociado na mesma região, teve cotação média de R$ 118,76 por caixa, recuo de 11% frente ao mês anterior e de 27,3% em relação a janeiro de 2025, também em termos reais.

Para o Cepea, a queda nos valores foi influenciada pelas férias escolares, que diminuiu a demanda pela proteína, e pela redução no preço do milho, principal insumo da avicultura, que apresentava cotação de R$ 66,63 para a saca de 60 quilos até a penúltima semana de janeiro, representando queda de 4,13% no acumulado do mês até aquele período. Entretanto, o Centro de Estudos avalia, no contexto das atividades escolares, que os os preços tendem a se recuperar gradualmente com o retorno das férias.

Já o economista Robespierre do Ó analisa que a perspectiva de recuperação no preço do ovo tem a ver com a projeção de que os valores do milho registrem aumento na safra 2025/2026. “A estimativa é de queda de 1,8% na safra do grão, que vai ficar em torno de 6,3 milhões de toneladas. Com isso, a tendência é de que o milho fique mais caro, influenciando diretamente o preço do ovo, que tem registrado valores mais vantajosos, também por causa da queda nas exportações para os EUA por conta do tarifaço americano”, avalia o economista.

tribuna do norte