Preços dos peixes ficam estáveis na Semana Santa

Postado em 3 de abril de 2026

Diferente do que historicamente costuma acontecer, os preços dos pescados mais procurados nesta Semana Santa seguem estáveis se comparados com igual período do ano passado, de acordo com comerciantes e compradores ouvidos pela TRIBUNA DO NORTE na Feira do Peixe, instalada no Canto do Mangue, e também no Mercado do Peixe. Dentre os pescados mais procurados estão a cioba, tilápia, robalo e meca, comercializados com valores a partir de R$ 45, em média. Para parte dos comerciantes ouvidos, a procura é boa, mas para outros, as vendas ainda deixam a desejar por conta do receio em consumir, influenciado pelo medo da toxina ciguatera.

Segundo pesquisa da Fecomércio RN, o consumo de pescados deve movimentar R$ 133,4 milhões no Rio Grande do Norte nesse feriadão. Um dos comerciantes da Feira do Peixe, Jorge Gosson, afirmou que cioba, meca e cavala são os mais procurados no período. A faixa de preços, segundo ele, varia entre R$ 45 e R$ 50 por quilo, valores semelhantes aos registrados no mesmo período do ano passado.

“O preço está bom e as vendas estão melhores. A procura aumentou 70%, graças a Deus”, falou. Quem também comemorou a alta procura foi Heider Herbert. “Aqui sai muito a cioba, a tilápia e o robalo. O preço é parecido com o do ano passado, na faixa dos R$ 50. As vendas estão indo muito bem. Realmente, a semana está sendo santa”, brincou o vendedor.

Outros feirantes, no entanto, reclamam que não conseguiram, até o momento, superar as vendas do ano passado. A razão é o medo, por parte dos consumidores, da toxina ciguatera. Com isso, os preços do pescado, que geralmente tendem a subir na Semana Santa, ficaram estáveis, de acordo com relatos feitos à reportagem.

Outra consequência, para alguns comerciantes, é que as vendas ainda não conseguiram superar os números do mesmo período do ano passado, como é o caso de Lenilson Venâncio.

“As vendas caíram em relação a 2025 por conta dessa história da ciguatera. Mesmo com os preços bons, a procura tem sido menor”, conta. Segundo ele, cioba, tainha, badejo, pescada amarela, robalo e corvina são os peixes mais buscados. Quem não abre mão de consumir o pescado nesta época, comemora os bons preços. A enfermeira Erica Galvão, de 34 anos, estava iniciando as compras na Feira do Peixe, quando falou com a reportagem. Ela conseguiu levar para a casa a tilápia por R$ 25 o quilo.

“Está até abaixo da média, com um preço ótimo. Por enquanto, comprei apenas tilápia, mas vou pesquisar algo mais, talvez, camarão. Lá em casa é tradição comer pescado na Semana Santa. Então, convenci meu marido e viemos às compras na Feira do Peixe”, relatou.

A aposentada Conceição Farias, de 74 anos, disse que também não abre mão da tradição de comer peixe neste período. Acompanhada do filho, ela ainda estava no início das compras quando falou com a reportagem. “Comprei a guaiuba, que eu gosto de comer frita. Está R$ 40 aqui no Mercado do Peixe. Pelo tamanho, está um preço bom. Em outros locais, encontrei mais barato, mas o peixe era muito miúdo”, disse.

Para atender à demanda da Semana Santa, a Prefeitura do Natal instalou, no Canto do Mangue, a Feira do Peixe, um espaço que reúne 10 feirantes e que foi estruturado para facilitar tanto a comercialização quanto a compra de pescado. A feira irá funcionar até esta sexta-feira (3), das 7h às 17h. Já o Mercado do Peixe funcionará nesta sexta e sábado (4), das 6h às 18h e no domingo (5), das 6h às 14h.

Consumo de peixe deve crescer até 20%

A procura por pescados no RN deve crescer 20% entre a Quaresma e a Páscoa, acompanhando a média nacional, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). O reflexo é percebido principalmente em bares e restaurantes, que registram aumento no volume de vendas, com maior concentração entre a Sexta-feira da Paixão e o Domingo de Páscoa. Para atender à demanda, os estabelecimentos adaptam cardápios e ampliam a oferta de pratos à base de peixes e frutos do mar.

De acordo com o presidente da Abrasel no RN, Thiago Machado, a expectativa é de intensificação na movimentação no fim da Quaresma, com variações mais acentuadas em datas específicas. Na Sexta-feira da Paixão, por exemplo, a procura por pratos com pescado pode triplicar, sobretudo aqueles à base de bacalhau.

“No setor de alimentação, esse movimento é bastante evidente. Durante a Quaresma, há um aumento consistente na busca por peixes e frutos do mar. Restaurantes que se antecipam conseguem aproveitar melhor o período, oferecendo opções alinhadas ao momento vivido pelos clientes”, afirma.

Uma pesquisa realizada com empresários do setor entre os dias 11 e 19 de março no RN aponta que 64% das empresas projetam faturar mais durante o feriado da Semana Santa. Dentro desse grupo, 11% estimam crescimento de até 50% no faturamento, indicando expectativas positivas e reforçando a importância do período para a recuperação e o desempenho do setor. Além da adaptação de cardápios, muitos estabelecimentos reformulam suas estratégias para priorizar carnes brancas durante o período.

Segmentos tradicionalmente voltados à carne vermelha, como churrascarias, tendem a registrar retração na demanda, mas passam a investir em alternativas com pescados para manter o fluxo de clientes. Segundo Thiago Machado, fatores culturais e religiosos exercem forte influência sobre o consumo no estado. “O Rio Grande do Norte é um dos locais onde o consumo de peixes ganha ainda mais força por esse componente cultural, o que intensifica a movimentação nos estabelecimentos”, afirma.

O impacto se estende à cadeia produtiva. Dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apontam que o consumo médio anual de pescado no país é de cerca de 11 quilos por habitante, e a Quaresma atua como um importante impulso sazonal para o setor.

O turismo também contribui para aquecer o mercado. A circulação de visitantes durante o período é vista como um reforço relevante para o setor. “É um momento que funciona como um respiro, um verdadeiro oásis para bares e restaurantes, especialmente em um cenário ainda impactado pela inflação e pela redução do poder de compra da população”, avalia Thiago Machado.

tribuna do norte