Presidente do PT aciona Polícia contra radialista de Parnamirim que questionou sexualidade de Fátima

A presidente do PT no Rio Grande do Norte, Samanda Alves, anunciou nesta sexta-feira 30 que registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil contra um radialista de Parnamirim por comentários sobre a governadora Fátima Bezerra (PT). No BO, Samanda acusa o comunicador Zé Neto (também conhecido como Dedé), da rádio Parnamirim FM, de fazer manifestações “de cunho discriminatório, homofóbico e ofensivo”.
O caso denunciado por Samanda Alves aconteceu na última quarta-feira 28. Durante o programa A Voz do Povo, o radialista Zé Neto fez a seguinte afirmação sobre a governadora do RN: “E Fátima, por acaso, é uma mulher? É uma mulher? Como é que é? Ela não assume o que é. Eu não entendo. Eu não sei nem qual é o sexo de Fátima Bezerra, juro para você”.
Fátima Bezerra não costuma falar publicamente sobre sua sexualidade. Em uma publicação nas redes sociais em julho de 2021, ao manifestar solidariedade ao governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, quando ele se assumiu “gay”, ela escreveu: “Na minha vida pública ou privada nunca existiram armários”.
O comunicador fez o comentário contra Fátima ao abordar uma declaração que a governadora havia feito em entrevista à FM Universitária. Na ocasião, a petista disse que “parte da elite não suporta” ver uma mulher com o seu perfil como gestora do Estado.
Para Zé Neto, a fala de Fátima representa “vitimismo”. “A gente fica até enojado. A palavra é enojado. As pessoas fazem e desfazem, aprontam tudo e, na hora de prestar contas com o eleitor e para a sociedade, ela se passa como vítima”, disse o radialista antes de proferir o ataque homofóbico.
Presidente do PT critica fala
No registro na Polícia Civil, Samanda afirma que a conduta é extremamente grave, pois não atinge apenas a honra pessoal da governadora Fátima Bezerra, mas “fere a coletividade, reforça práticas discriminatórias, estimula o discurso de ódio e viola frontalmente a legislação brasileira.”
“O episódio é ainda mais grave por ter ocorrido em um veículo de comunicação que opera por concessão pública, o que impõe dever de responsabilidade social e respeito aos princípios constitucionais, especialmente a dignidade da pessoa humana e o repúdio a qualquer forma de discriminação. O fato de o conteúdo permanecer disponível em ambiente digital amplia o alcance do ataque e perpetua o dano coletivo”, destaca a presidente do PT.
A dirigente partidária acrescenta que “liberdade de expressão não é licença para LGBTfobia”. “Ódio não é opinião. Esse tipo de ataque não é aceitável e precisa ser responsabilizado. Nenhuma forma de intolerância será naturalizada. Quem tiver conhecimento de manifestações discriminatórias deve denunciar e pode procurar o Diretório Estadual do PT. Essas práticas não passarão impunes”, concluiu.
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