Republicanos manifestou ‘desconfiança’ com Álvaro ao intervir no RN, diz Agripino

O ex-senador José Agripino Maia, presidente do União Brasil no Rio Grande do Norte, afirmou que a destituição de Álvaro Dias do comando do Republicanos no Estado foi uma “manifestação clara de desconfiança” da direção nacional do partido com o ex-prefeito de Natal. Desde a última quarta-feira 25, a legenda está sob o comando do grupo ligado ao prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União).
Em entrevista ao AGORA RN nesta quinta-feira 26, José Agripino registrou que Álvaro Dias vinha fazendo uma espécie de jogo duplo: aparecia na propaganda partidária do Republicanos e comandava uma campanha de filiação à sigla, mas, ao mesmo tempo, acertava sua migração para o PL.
“Até ontem, eu vi a propaganda partidária do Republicanos na televisão e Álvaro Dias estava pedindo a filiação ao partido. A iniciativa do partido de entregar o comando do partido a Allyson Bezerra é uma manifestação clara de confiança em Allyson e de desconfiança no antigo correligionário. É evidente. É uma manifestação de confiança em um e desconfiança no outro”, declarou José Agripino.
De acordo com o ex-senador, o comando nacional do Republicanos preferiu destituir Álvaro Dias do comando estadual em vez de aguardar o ex-prefeito confirmar sua filiação ao PL. “Ao invés de aguardar, entregaram o comando do partido a Allyson”, destacou Agripino.
Desde a última quarta-feira 25, o Republicanos do Rio Grande do Norte é presidido pelo vice-prefeito de Mossoró, Marcos Medeiros, que deixou o PSD. Marcos vai assumir a Prefeitura de Mossoró nesta sexta-feira 27, após a renúncia de Allyson Bezerra para ficar apto à disputa do Governo do Estado.
Antes da mudança, o partido era comandado no RN pelo ex-prefeito de Natal Álvaro Dias, que também é pré-candidato ao governo. Nos últimos dias, ele confirmou que vai migrar para o PL, mas tentava manter o controle do Republicanos através de aliados. Chegou a ser cogitada a possibilidade de o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira — atualmente no PSDB, virar o chefe da sigla no Estado.
A troca no comando ocorreu após articulação direta de Allyson Bezerra em Brasília junto ao presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira (SP).
O mandato de Álvaro Dias na presidência do Republicanos, que foi encerrado por intervenção da direção nacional, estava vigente até outubro. Além de Álvaro, outros nomes ligados ao seu grupo político também foram retirados da direção partidária. Entre eles estão a vice-prefeita de Natal, Joanna Guerra, e o assessor político Genildo Pereira.
‘Trunfo importante’
Ainda na entrevista ao AGORA RN, Agripino registrou que a adesão do partido Republicanos à coligação liderada por Allyson Bezerra fará com que a candidatura do prefeito de Mossoró ao Governo do Estado tenha cerca de metade do tempo da propaganda eleitoral no rádio e na TV, o que será um “trunfo importante” na disputa.
“Allyson vai ficar com aproximadamente 50% do tempo da propaganda eleitoral gratuita. É um trunfo muito importante. E o peso do Republicanos nisso é expressivo”, afirmou Agripino.
Com a chegada do Republicanos, a aliança em torno de Allyson Bezerra agora conta com pelo menos sete partidos. Antes da nova adesão, a candidatura já tinha o apoio das federações União Progressista (União Brasil/PP) e Renovação Solidária (Solidariedade/PRD), além de MDB e PSD. O MDB indicou o candidato a vice-governador — o deputado estadual Hermano Morais. Já o PSD é a legenda da senadora Zenaide Maia, que disputará a reeleição.
Troca poderia ter ocorrido antes, afirma ex-prefeito
Álvaro Dias minimizou sua destituição do comando do Republicanos no RN. Em nota pública divulgada após a oficialização da troca, ele destacou que já havia comunicado previamente à direção nacional da sigla sua saída rumo ao PL e sugeriu que a mudança na direção era questão de tempo.
“Recebi com tranquilidade a decisão do Republicanos, estando agora liberado para seguir em um novo projeto partidário. Inclusive, o presidente Marcos Pereira já tinha conhecimento desse fato há bastante tempo. Se resolveu promover nossa substituição, essa é uma decisão interna do partido e que poderia ter sido feita até antes”, afirmou.
Na nota, Álvaro afirmou ainda que respeita a decisão da direção nacional do partido e classificou a desativação da comissão provisória que presidia como parte de um movimento interno mais amplo. “Trata-se de uma deliberação interna da direção partidária, que está acontecendo em várias cidades do Brasil e não cabe a mim comentar ou interferir. Respeito plenamente as decisões institucionais da legenda”, declarou.
Ao final do texto, Álvaro reafirmou que seguirá focado em seu projeto político. “Sigo focado no futuro, no diálogo com a população e preocupado com a construção de um novo caminho político para o nosso estado”, concluiu.
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