Réus são condenados a mais de 300 anos de prisão por maior chacina do DF

Cinco réus foram condenados ontem pelo assassinato de dez pessoas da mesma família, no caso conhecido como a maior chacina do Distrito Federal.
O que aconteceu
Penas variam de dois a 397 anos de prisão. Os réus foram condenados pela prática dos crimes de homicídios qualificados, roubos, ocultação e destruição de cadáveres, sequestro, fraude processual, associação criminosa e corrupção de menor. Segundo a acusação, eles cometeram os crimes para ficar com uma chácara da família avaliada em R$ 2 milhões.
Julgamento durou seis dias e aconteceu no Tribunal do Júri de Planaltina. Ao todo, 18 testemunhas foram ouvidas. O veredito foi deliberado em sala secreta pelo corpo de jurados e proferido pelo juiz responsável pelo caso, por volta das 22h30 de ontem
Que encontrem no tempo que se inicia o amparo necessário para enfrentar as consequências desse processo, com a serenidade que a caminhada exigirá.
Juiz Taciano Vogado Rodrigues Junior, após leitura da sentença
Os cinco condenados confessaram os crimes à polícia. Porém, Gideon Batista de Menezes, considerado um dos principais articuladores do grupo, mudou sua versão no tribunal. Ele afirmou ter sido vítima e confessado sob tortura, segundo o site Metrópoles. O UOL tenta localizar os advogados dos condenados. O espaço segue aberto para manifestações
Um adolescente de 17 anos também se envolveu no caso, segundo a investigação. À época, ele foi detido no Núcleo de Atendimento Integrado.
Penas passam de 397 anos de prisão
Punições foram definidas individualmente, considerando a participação de cada réu nos crimes. Cabe recurso à decisão, contudo, por ter sido tomada por um júri, os condenados não podem ser absolvidos. A única hipótese de isso acontecer é em caso de anulação do julgamento
Saiba as penas e crimes imputados a cada um
Gideon Batista de Menezes: condenado a 397 anos, oito meses e quatro dias de reclusão, além de um ano e cinco meses de detenção. O réu vai responder pelos crimes de extorsão qualificada pela restrição da liberdade da vítima e extorsão mediante sequestro qualificada pelo resultado morte, corrupção de menores, ocultação de cadáver, homicídio qualificado, cárcere privado, constrangimento ilegal, associação criminosa armada e roubo majorado
Carlomam dos Santos Nogueira: condenado a 351 anos, um mês e quatro dias de reclusão, além de 11 meses de detenção. Os crimes são extorsão qualificada pela restrição da liberdade da vítima e extorsão mediante sequestro qualificada pelo resultado morte, corrupção de menores, ocultação de cadáver, homicídio qualificado, cárcere privado, constrangimento ilegal, associação criminosa armada e roubo majorado
Horácio Carlos Ferreira Barbosa: condenado a 300 anos, seis meses e dois dias de reclusão, além de um ano de detenção. O réu vai responder pelos crimes de extorsão qualificada pela restrição da liberdade da vítima e extorsão mediante sequestro qualificada pelo resultado morte, corrupção de menores, ocultação de cadáver, homicídio qualificado, cárcere privado, constrangimento ilegal, associação criminosa armada, roubo majorado e fraude processual
Fabrício Silva Canhedo: condenado a 202 anos, seis meses e 28 dias de reclusão, além de um ano de detenção. O réu vai responder por extorsão qualificada, corrupção de menores, ocultação e destruição de cadáver, homicídio qualificado, cárcere privado, constrangimento ilegal, associação criminosa armada, roubo majorado e fraude processual
Carlos Henrique Alves da Silva: condenado a dois anos de reclusão pelo crime de cárcere privado. Como já estava preso há mais tempo, deve ser colocado em liberdade
Relembre o caso
Sequestros seguidos de assassinatos ocorreram de dezembro de 2022 a janeiro de 2023. As vítimas foram cinco mulheres, dois homens e três crianças
Renata Juliene Belchior, 52;
Gabriela Belchior de Oliveira, 25;
Elizamar da Silva, 39;
Cláudia Regina Marques de Oliveira, 55;
Ana Beatriz Marques de Oliveira, 19;
Marcos Antônio Lopes de Oliveira, 54;
Thiago Belchior de Oliveira, 30;
Gabriel da Silva, 7;
Rafael da Silva, 6;
Rafaela da Silva, 6
Elas foram capturadas gradativamente, em datas diferentes, e mantidas em um cativeiro em Planaltina. Os criminosos usaram os celulares das vítimas para enviar mensagens, passando-se por elas. O objetivo era atrair outras vítimas e não levantar suspeitas dos desaparecimentos. Os encarcerados também foram ameaçados e obrigados a fornecer suas senhas bancárias, segundo a acusação.
Algumas mortes foram por estrangulamento e outras, por golpes de faca. Parte dos corpos foi carbonizada e alguns foram enterrados em cisterna perto do local do cativeiro
Segundo a acusação, os crimes foram motivados pelo interesse dos réus em ficar com uma chácara da família das vítimas. O local fica em Itapoã (DF) e estava avaliado em cerca de R$ 2 milhões. Terreno de 5,2 hectares era disputado na Justiça. Os condenados também sacaram dinheiro das contas bancárias das vítimas e roubaram quantias em espécie.
uol
