Réus são condenados a mais de 300 anos de prisão por maior chacina do DF

Postado em 20 de abril de 2026

Cinco réus foram condenados ontem pelo assassinato de dez pessoas da mesma família, no caso conhecido como a maior chacina do Distrito Federal.

O que aconteceu
Penas variam de dois a 397 anos de prisão. Os réus foram condenados pela prática dos crimes de homicídios qualificados, roubos, ocultação e destruição de cadáveres, sequestro, fraude processual, associação criminosa e corrupção de menor. Segundo a acusação, eles cometeram os crimes para ficar com uma chácara da família avaliada em R$ 2 milhões.

Julgamento durou seis dias e aconteceu no Tribunal do Júri de Planaltina. Ao todo, 18 testemunhas foram ouvidas. O veredito foi deliberado em sala secreta pelo corpo de jurados e proferido pelo juiz responsável pelo caso, por volta das 22h30 de ontem

Que encontrem no tempo que se inicia o amparo necessário para enfrentar as consequências desse processo, com a serenidade que a caminhada exigirá.
Juiz Taciano Vogado Rodrigues Junior, após leitura da sentença

Os cinco condenados confessaram os crimes à polícia. Porém, Gideon Batista de Menezes, considerado um dos principais articuladores do grupo, mudou sua versão no tribunal. Ele afirmou ter sido vítima e confessado sob tortura, segundo o site Metrópoles. O UOL tenta localizar os advogados dos condenados. O espaço segue aberto para manifestações

Um adolescente de 17 anos também se envolveu no caso, segundo a investigação. À época, ele foi detido no Núcleo de Atendimento Integrado.

Penas passam de 397 anos de prisão
Punições foram definidas individualmente, considerando a participação de cada réu nos crimes. Cabe recurso à decisão, contudo, por ter sido tomada por um júri, os condenados não podem ser absolvidos. A única hipótese de isso acontecer é em caso de anulação do julgamento

Saiba as penas e crimes imputados a cada um

Gideon Batista de Menezes: condenado a 397 anos, oito meses e quatro dias de reclusão, além de um ano e cinco meses de detenção. O réu vai responder pelos crimes de extorsão qualificada pela restrição da liberdade da vítima e extorsão mediante sequestro qualificada pelo resultado morte, corrupção de menores, ocultação de cadáver, homicídio qualificado, cárcere privado, constrangimento ilegal, associação criminosa armada e roubo majorado

Carlomam dos Santos Nogueira: condenado a 351 anos, um mês e quatro dias de reclusão, além de 11 meses de detenção. Os crimes são extorsão qualificada pela restrição da liberdade da vítima e extorsão mediante sequestro qualificada pelo resultado morte, corrupção de menores, ocultação de cadáver, homicídio qualificado, cárcere privado, constrangimento ilegal, associação criminosa armada e roubo majorado

Horácio Carlos Ferreira Barbosa: condenado a 300 anos, seis meses e dois dias de reclusão, além de um ano de detenção. O réu vai responder pelos crimes de extorsão qualificada pela restrição da liberdade da vítima e extorsão mediante sequestro qualificada pelo resultado morte, corrupção de menores, ocultação de cadáver, homicídio qualificado, cárcere privado, constrangimento ilegal, associação criminosa armada, roubo majorado e fraude processual

Fabrício Silva Canhedo: condenado a 202 anos, seis meses e 28 dias de reclusão, além de um ano de detenção. O réu vai responder por extorsão qualificada, corrupção de menores, ocultação e destruição de cadáver, homicídio qualificado, cárcere privado, constrangimento ilegal, associação criminosa armada, roubo majorado e fraude processual

Carlos Henrique Alves da Silva: condenado a dois anos de reclusão pelo crime de cárcere privado. Como já estava preso há mais tempo, deve ser colocado em liberdade

Relembre o caso
Sequestros seguidos de assassinatos ocorreram de dezembro de 2022 a janeiro de 2023. As vítimas foram cinco mulheres, dois homens e três crianças
Renata Juliene Belchior, 52;
Gabriela Belchior de Oliveira, 25;
Elizamar da Silva, 39;
Cláudia Regina Marques de Oliveira, 55;
Ana Beatriz Marques de Oliveira, 19;
Marcos Antônio Lopes de Oliveira, 54;
Thiago Belchior de Oliveira, 30;
Gabriel da Silva, 7;
Rafael da Silva, 6;
Rafaela da Silva, 6

Elas foram capturadas gradativamente, em datas diferentes, e mantidas em um cativeiro em Planaltina. Os criminosos usaram os celulares das vítimas para enviar mensagens, passando-se por elas. O objetivo era atrair outras vítimas e não levantar suspeitas dos desaparecimentos. Os encarcerados também foram ameaçados e obrigados a fornecer suas senhas bancárias, segundo a acusação.

Algumas mortes foram por estrangulamento e outras, por golpes de faca. Parte dos corpos foi carbonizada e alguns foram enterrados em cisterna perto do local do cativeiro
Segundo a acusação, os crimes foram motivados pelo interesse dos réus em ficar com uma chácara da família das vítimas. O local fica em Itapoã (DF) e estava avaliado em cerca de R$ 2 milhões. Terreno de 5,2 hectares era disputado na Justiça. Os condenados também sacaram dinheiro das contas bancárias das vítimas e roubaram quantias em espécie.

uol