Rogério Marinho critica Lula após fala sobre senadores e aponta desgaste no Congresso

A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que senadores “pensam que são deus” provocou forte reação no Congresso Nacional, com críticas lideradas pelo senador Rogério Marinho. A fala foi feita durante entrevista no Ceará, ao defender a ampliação de alianças políticas no Legislativo. As informações são do jornal O Globo.
Marinho, líder da oposição no Senado, afirmou que declarações como essa acabam favorecendo adversários políticos. “A melhor propaganda que a campanha nos proporciona é Lula falando”, disse.
A repercussão ocorre em um momento sensível para o governo, às vésperas da análise da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Outros senadores também reagiram à fala do presidente. O senador Hamilton Mourão avaliou que a declaração pode aumentar a resistência à indicação. “Foi uma fala típica de alguém que julga que o Legislativo só serve se lhe for subserviente. Não é um democrata. Pode ser que crie mais aversão à indicação do Messias”, afirmou.
Já o senador Alessandro Vieira adotou um tom mais moderado, embora crítico: “Deus só tem um. Boa certamente não é, mas não acredito que impactará na agenda”.
Entre os parlamentares que fizeram uma leitura política da declaração, o senador Esperidião Amin disse que Lula pode ter direcionado a fala à própria base: “Está reclamando do ‘preço’ ou do ‘apreço’ dos que o apoiam”. Na mesma linha, o senador Angelo Coronel minimizou o impacto direto sobre a indicação: “Senador pode até pensar que é Deus. Lula não pensa. Ele quer ser. Messias, pelo seu estilo, independe de Lula”.
Nos bastidores, senadores avaliam que a fala pode dificultar a articulação do governo, especialmente entre parlamentares de centro que ainda não definiram posição sobre a indicação. A crítica generalizada também foi vista como um fator de desgaste em um momento em que o Planalto tenta consolidar apoio na Comissão de Constituição e Justiça, responsável pela sabatina.
Aliados do governo classificaram a declaração como “infeliz” e reconhecem que o momento exige cautela na relação com o Legislativo.
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