Rogério Marinho se reúne com Fachin nesta terça e diz que levará preocupações sobre atuação do STF

O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), será recebido nesta terça-feira (6) pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin. O encontro está marcado para as 13h, no gabinete da Presidência da Corte, em Brasília, e foi solicitado pelo próprio parlamentar.
Marinho afirmou que pretende levar a Fachin preocupações da oposição relacionadas à atuação do Supremo em questões envolvendo a Justiça Eleitoral. Ao falar sobre a pauta do encontro, o senador classificou como “indevida” a interferência que, na avaliação dele, estaria ocorrendo sobre a Justiça especializada.
“Essa questão que está acontecendo aí com essa interferência, na nossa opinião, indevida com a Justiça especializada. Você tem o STF que inventou agora um Corregedor-Geral do Tribunal Eleitoral. Então, a gente vai conversar com o Fachin e colocar nossas preocupações”, afirmou.
A reunião ocorre em meio ao segundo turno da eleição presidencial e depois de Marinho ter buscado uma aproximação institucional com o comando do Supremo. Na semana passada, antes mesmo do primeiro turno, o senador havia solicitado audiência com Fachin. Segundo ele, a intenção era manter um canal de diálogo com a Corte, apesar das críticas feitas pela campanha de Flávio Bolsonaro à atuação de determinados ministros do STF.
Além de coordenar a campanha presidencial de Flávio, Marinho ganhou peso nas articulações do Congresso depois das eleições de domingo (4). O PL terá a maior bancada do Senado na próxima legislatura, com 28 integrantes, cenário que colocou o nome do potiguar entre os citados nos bastidores para a sucessão de Davi Alcolumbre (União-AP) na Presidência da Casa.
Questionado sobre a possibilidade de assumir o comando do Senado, Marinho não lançou formalmente uma candidatura, mas deixou claro que o tamanho das bancadas eleitas pelo PL dará ao partido condições de reivindicar a Presidência de uma das duas Casas do Congresso.
“É evidente que, pelo tamanho da bancada do PL no Senado e do PL na Câmara, uma das duas Casas, naturalmente, vai ter a aspiração do partido de presidi-la.”
O senador ponderou, no entanto, que o resultado eleitoral não garante sozinho o comando do Senado ou da Câmara. Segundo Marinho, qualquer candidatura dependerá da construção de uma maioria com outras legendas.
“Isso é um processo em que há necessidade de uma convergência, de uma transigência, de uma negociação com outros partidos, porque o PL, por maior que seja a bancada, sozinho não vai eleger ninguém.”
A eleição para a Presidência do Senado exige maioria absoluta dos votos, caso estejam presentes todos os 81 senadores. O mandato da Mesa é de dois anos. Marinho tem mandato pelo Rio Grande do Norte até 2031.
A articulação pelo comando do Congresso também está diretamente ligada ao projeto presidencial do PL. Marinho afirmou que, em caso de vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno, o objetivo será construir maiorias e buscar presidentes da Câmara e do Senado politicamente próximos à agenda do futuro governo.
“Para nós, o importante é que Flávio, eleito, tenha presidências das duas Casas que pensem de uma forma parecida”, declarou.
Antes dessa disputa interna, porém, Marinho terá nesta terça um movimento institucional de outra natureza. Às 13h, estará frente a frente com Fachin para apresentar as críticas e preocupações da oposição sobre a relação entre STF e Justiça Eleitoral. Uma hora depois, às 14h, o presidente do Supremo receberá a líder do governo Lula no Senado, Teresa Leitão (PT-PE).
98FM
