Saúde pauta pré-campanha no RN com debate sobre obras e qualidade do serviço

Postado em 14 de abril de 2026

A saúde pública virou o principal tema da pré-campanha ao Governo do Rio Grande do Norte. Nas últimas semanas, pré-candidatos e seus aliados passaram a travar uma disputa de narrativa em torno de temas como qualidade do serviço público no Estado, entregas, atrasos e projetos em andamento.

O embate envolve, principalmente, o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL), o ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União) e o ex-secretário estadual da Fazenda Cadu Xavier (PT) — que são adversários na corrida para o governo. Cada um busca consolidar sua imagem a partir de realizações e críticas aos adversários, tendo como pano de fundo a demanda por melhorias na assistência à saúde no Estado.

Álvaro Dias tem sido um dos principais alvos dos questionamentos, em razão da situação do Hospital Municipal de Natal. A unidade foi inaugurada oficialmente no fim de 2024, mas nunca entrou em funcionamento pleno. Mais de um ano depois da solenidade de inauguração, o equipamento segue em obras na Avenida Omar O’Grady, na Zona Sul da capital.

Em visita ao local na semana passada, Cadu Xavier classificou o hospital como um exemplo de obra inconclusa e criticou o ex-prefeito de Natal por ter inaugurado o equipamento sem condições de funcionamento.

“Estamos aqui no Hospital Municipal. Mais uma obra inacabada do ex-prefeito Álvaro Dias. Esse hospital aqui, que nem está funcionando nem está pronto, foi inaugurado há mais de um ano pelo ex-prefeito de Natal. Para de mentir, prefeito”, afirmou Cadu em vídeo divulgado nas redes sociais.

A crítica integra a estratégia do campo governista de enquadrar Álvaro Dias como mau gestor. Além do Hospital Municipal, Cadu Xavier tem citado outras obras inauguradas pelo ex-prefeito sem estarem totalmente acabadas, como o Mirante da Ladeira do Sol, a engorda da praia de Ponta Negra e o Complexo Turístico da Redinha.

Álvaro Dias rebate as acusações e nega que projetos tenham sido abandonados em Natal. “Existem obras em execução, com contratos vigentes e recursos assegurados”, afirmou Álvaro, em nota divulgada na semana passada. “Classificar obra em execução como ‘inacabada’ é desconhecimento técnico ou má-fé política”, declarou.

Especificamente sobre o Hospital Municipal, Álvaro Dias afirmou, em entrevista à Band RN no dia 7, que a unidade depende apenas de “alguns ajustes” para abrir ao público e iniciar os atendimentos. “Eu falei com Paulinho Freire (atual prefeito de Natal). Ele disse que, na primeira semana de junho, estará funcionando”, acrescentou.

Na área da saúde, Álvaro Dias também tem destacado o trabalho realizado durante a pandemia de Covid-19, quando sua gestão abriu centros de atendimento pela cidade e instalou um hospital de campanha na Via Costeira.

Hospital de Mossoró como vitrine
Enquanto Álvaro Dias se defende das críticas, Allyson Bezerra utiliza a inauguração do Hospital Municipal de Mossoró Francisca Conceição da Silva como uma das principais vitrines de sua administração.

A unidade tem 1,7 mil metros quadrados de área construída e começou a realizar consultas, exames e cirurgias no dia seguinte à inauguração, em janeiro deste ano. A entrega passou a ser explorada politicamente como exemplo de gestão eficaz e compromisso com resultados concretos.

Ao comentar a diferença entre os projetos hospitalares de Mossoró e Natal, Allyson tem sido enfático em defender que obras públicas devem ser entregues apenas quando estiverem prontas para funcionar. “Não entrego obra pela metade”, afirmou o ex-prefeito.

Em entrevista à Band RN também na semana passada, Allyson subiu o tom e chegou a classificar Álvaro Dias como o “prefeito das meias obras”. “Como é que se inaugura um hospital e hoje, depois de um ano e três meses, esse hospital não fez um exame de sangue, não fez um exame de urina, não verificou a pressão de ninguém, não fez nem sequer uma cirurgia, não fez nada?”, afirmou.

“Em Mossoró não é propaganda. Inaugurei na quinta-feira à noite. Na sexta-feira pela manhã, o hospital já estava funcionando”, afirmou.

Governismo aposta no Hospital Metropolitano
Paralelamente, o governo estadual, liderado pela governadora Fátima Bezerra (PT), busca consolidar sua própria narrativa na área da saúde por meio da construção do Hospital Metropolitano do Rio Grande do Norte, em Emaús, no município de Parnamirim. A obra é apontada como estratégica para reorganizar a rede hospitalar e reduzir a pressão sobre o Hospital Walfredo Gurgel, principal unidade de urgência e emergência do Estado.

Com investimento superior a R$ 200 milhões e recursos vinculados ao Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o equipamento deverá contar com 350 leitos e estrutura voltada à média e alta complexidade.

Na semana passada, os secretários Alexandre Motta (Saúde) e Gustavo Coelho (Infraestrutura) convidaram a imprensa para uma visita às obras do hospital para mostrar que os serviços estão em execução. Foi uma reação ao deputado estadual de oposição Gustavo Carvalho (PL), que denunciou na Assembleia Legislativa que as obras estavam paralisadas.

Rede estadual de saúde
Em meio à pré-campanha, o governo estadual também é frequentemente criticado pelas condições estruturais precárias de unidades como o Hospital Walfredo Gurgel e por atrasos no pagamento de fornecedores da saúde — o que leva à suspensão da oferta de serviços.

Em entrevista à Band RN, Álvaro Dias declarou na semana passada que a saúde pública do Rio Grande do Norte está “sucateada”. “Você vai no Hospital Walfredo Gurgel e as macas continuam nos corredores, como há 7 anos, quando a professora Fátima Bezerra começou o seu governo. Por que ela não fez um investimento necessário e não solucionou o problema? Por incompetência. Temos os hospitais regionais. Se o governo investisse, levasse especialidades médicas, dotasse com infraestrutura, com treinamento, equipamentos e medicamentos, o Walfredo Gurgel não vivia superlotado. Os casos seriam resolvidos na origem. O problema é que os hospitais regionais estão sucateados, porque o governo deixou de investir”, afirmou o ex-prefeito de Natal.

Além de citar a obra do Hospital Metropolitano, o governo iniciou uma campanha publicitária em que afirma que a saúde pública está “melhor” do que antes. Além do Hospital Metropolitano, a gestão estadual cita outros investimentos para fundamentar a narrativa. De acordo com a Secretaria de Saúde Pública (Sesap), entre 2019 e 2025, o número de leitos de UTI adulto saiu de 98 para 220 no RN.

Além disso, o governo tem citado investimentos como reformas em hospitais, criação da barreira ortopédica de Macaíba, a abertura do Hospital da Mulher e a construção de policlínicas.

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