Thabatta Pimenta se coloca à disposição para disputar Senado no lugar de Fátima

A vereadora de Natal Thabatta Pimenta colocou publicamente seu nome à disposição para concorrer a uma vaga no Senado em 2026, em meio à reconfiguração do campo progressista do Rio Grande do Norte após a governadora Fátima Bezerra (PT) desistir de ir para a disputa. A parlamentar afirmou, no entanto, que a eventual candidatura dependerá de uma construção coletiva entre partidos de esquerda e da definição de uma estratégia unificada para a disputa majoritária.
“Se for realmente a candidatura da esquerda, sem divisão, é muito a se pensar. O meu nome está aí. Todos os partidos progressistas vão ter um grande debate e esses partidos vão chegar a um nome”, declarou a vereadora, em entrevista ao jornal Show de Notícias, da rádio 97 FM Natal, nesta quarta-feira 18.
Fátima Bezerra confirmou na terça-feira 17 que desistiu de disputar uma vaga no Senado nas eleições de 2026 e que, portanto, permanecerá no cargo até o fim do mandato, em 5 de janeiro de 2027. Por lei, a governadora teria de deixar o governo até 4 de abril para ficar apta à disputa eleitoral de outubro.
Apesar da desistência de Fátima, o PT não abrirá mão de disputar o Senado no Rio Grande do Norte. A governadora confirmou que o partido indicará um nome próprio para uma das duas vagas em disputa. Além de Thabatta, outros nomes cogitados são os da deputada federal Natália Bonavides (PT) e o da vereadora de Natal Samanda Alves (PT).
Segundo Thabatta, a definição deve ocorrer a partir de diálogo entre as legendas e com base na viabilidade eleitoral de cada nome, levando em conta o cenário político estadual e nacional. Atualmente, o entorno de Fátima Bezerra conta com cinco partidos: PT, PCdoB, PV, PDT e PSB, com a possibilidade de adesão formal de Psol e Rede.
Mais do que a disputa pelo Senado, Thabatta enfatizou que a prioridade da esquerda deve ser a ampliação da representação no Congresso Nacional. Ela avaliou o atual parlamento de forma crítica. “O que está colocado hoje é o pior Congresso da história deste país. A gente precisa ampliar esses deputados federais do espectro da esquerda”, disse.
Nesse contexto, a vereadora indicou que seu nome também está sendo trabalhado para a disputa de deputada federal, como parte de uma estratégia para fortalecer a bancada progressista.
Ela defendeu ainda a construção de alianças mais amplas entre partidos de esquerda, inclusive com a possibilidade de federações, como forma de aumentar o número de cadeiras no Congresso.
Troca de partido
Durante a entrevista, Thabatta confirmou que busca viabilizar sua saída do Psol, por não enxergar viabilidade eleitoral na sigla. Ela disse que mantém conversas avançadas para migrar para o PV, que integra uma federação com PT e PCdoB. A ideia inicial é que ela seja candidata a deputada federal pelo grupo, na tentativa de ampliar a bancada progressista no RN.
“A gente precisa construir esse campo, oxigenar, trazer novos nomes, e está todo mundo junto ali (na federação). Esperamos que seja o melhor diálogo possível. Com o PV a gente avançou bastante. Espero que a nossa chegada seja de uma forma respeitosa”, destacou.
Por ser vereadora, Thabatta precisa da anuência do Psol para mudar de sigla em 2026 — o que ainda não ocorreu. Uma eventual mudança de partido sem concordância pode fazê-la perder o mandato na Câmara de Natal.
Polêmica sobre Erika é ‘cortina de fumaça’, diz vereadora
Durante a entrevista, Thabatta Pimenta também comentou a polêmica envolvendo a eleição da deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) para presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. Thabatta e Erika são mulheres trans.
Para a vereadora, o debate tem sido desviado de questões centrais do País. “Eu acho muito uma cortina de fumaça. Estão tirando o foco do que está sendo pautado no País”, afirmou.
Ela defendeu a legitimidade da participação de mulheres trans em espaços institucionais e criticou argumentos baseados em critérios biológicos. “O fato de eu ser uma mulher trans não me invisibiliza a agir. A gente precisa debater saúde, educação, e não a identidade de gênero”, disse.
Ela citou também sua experiência como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Cidadania, Trabalho e Minorias da Câmara Municipal de Natal. A discussão sobre políticas públicas para as mulheres está entre os objetivos do colegiado.
Thabatta também condenou declarações que, segundo ela, reforçam discriminação. “O que mais me chocou foram falas discriminatórias. Existem mulheres cis que também não passam por essas experiências”, afirmou.
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