Trump publica imagem dizendo que é o “presidente interino da Venezuela”

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou nas redes sociais uma montagem de seu perfil na Wikipedia dizendo ser o “presidente interino da Venezuela”. A postagem foi feita no domingo (11), uma semana após forças norte-americanas capturarem o ditador Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, sob acusações de narcoterrorismo.
A declaração reforça as dúvidas sobre quem, de fato, governa a Venezuela. Isso porque a vice de Maduro, Delcy Rodríguez, tomou posse como presidente interina, enquanto a oposição pede que Edmundo González Urrutia, candidato que reivindica a vitória na eleição presidencial de 2024, assuma a presidência.
Ao mesmo tempo, Trump anunciou que um grupo de autoridades norte-americanas ficará responsável por administrar Caracas e pressionou o governo venezuelano a cooperar. Na última sexta-feira (9), o republicano chegou a afirmar que estava “trabalhando bem” com Delcy. “No momento, eles [governo] parecem ser um aliado. E acho que continuará sendo um aliado”, disse.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, apresentou um plano de três fases para a Venezuela. O primeiro passo, segundo ele, é a estabilização, seguida da recuperação do país e da transição de poder. Apesar de definido, o plano ainda não tem data para ser implementado. Isso condiz com a declaração de Trump de que não haverá novas eleições no país nos próximos 30 dias.
Entenda
Os Estados Unidos atacaram a Venezuela no dia 3 de janeiro, numa operação que resultou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Eles foram levados por um helicóptero até o Iwo Jima, um dos navios de guerra da Marinha norte-americana que estavam posicionados no mar do Caribe, de onde seguiram para Nova York.
A captura ocorreu após quatro meses de tensão militar entre Venezuela e Estados Unidos. Em setembro do ano passado, Washington iniciou uma operação naval contra o narcotráfico no Caribe e no Pacífico, perto das costas da Venezuela e da Colômbia. O país acusa o líder chavista de comandar cartéis latino-americanos que transportam drogas para o território norte-americano.
No dia 5 de janeiro, Maduro foi apresentado à Justiça. Ele foi acusado de conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, e conspiração para posse de metralhadoras e dispositivos explosivos contra os Estados Unidos — crimes dos quais se declarou inocente.
Outras cinco pessoas foram indiciadas no mesmo processo, incluindo Flores e Nicolás Ernesto Maduro Guerra, conhecido como ‘Nicolasito’, filho único do casal. A lista também conta com o Ministro do Interior, Justiça e Paz da Venezuela, Diosdado Cabello, o ex-ministro Ramón Rodríguez Chacín, da mesma pasta, e Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como “Niño Guerrero”.
Um dia depois, o governo norte-americano recuou da acusação de que Maduro lideraria uma organização criminosa chamada ‘Cartel de los Soles’ e passou a reconhecer que o termo não se refere a um cartel real. No lugar, a administração afirmou que a expressão descreve um “sistema de patronagem” e uma “cultura de corrupção” dentro do Estado venezuelano, alimentada por recursos do narcotráfico.
Agora, o presidente Donald Trump pressiona o governo venezuelano a cooperar com os Estados Unidos, uma vez que o país passará a controlar as vendas de petróleo local. Ao mesmo tempo, o Senado norte-americano aprovou uma resolução que impede o presidente de adotar novas ações militares contra a Venezuela sem autorização do Congresso.
SBT
