TSE libera para julgamento ações que podem levar à cassação de Cláudio Castro

Postado em 20 de fevereiro de 2026
Rio de Janeiro’s governor Claudio Castro gestures during a press conference about the Operacao Contencao (Operation Containment) held at Alemao and Penha complex, in Rio de Janeiro, Brazil on October 28, 2025. At least 2,500 security forces agents took part in an operation to arrest drug traffickers from the Comando Vermelho (CV), which resulted in 18 suspects and several police officers dead. (Photo by Pablo PORCIUNCULA / AFP)

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) marcou para o dia 10 de março a retomada do julgamento que pode levar à cassação do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). A sessão foi interrompida em novembro do ano passado após pedido de vista do ministro Antônio Carlos Ferreira, que liberou o processo na quinta-feira (19).

Castro é acusado de abuso de poder político e econômico na campanha eleitoral de 2022. Segundo o recurso do Ministério Público Eleitoral (MPE), o governador usou a máquina pública para fortalecer sua imagem e conquistar apoio político, por meio da Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos (Ceperj).

A ação apura se a fundação foi utilizada indevidamente durante as eleições, após indícios de contratações em massa sem concurso público e remunerações fora dos padrões administrativos, feitos em dinheiro vivo, sacados diretamente na boca do caixa. A suspeita é de que Castro tenha se beneficiado de um esquema de distribuição de cargos e recursos para obter apoio político no pleito.

Antes do julgamento ser paralisado, a relatora do caso, ministra Isabel Gallotti, votou pela cassação e inelegibilidade do governador do Rio de Janeiro. A magistrada ainda determinou a realização de eleições suplementares ao governo do estado e a retotalização dos votos para o cargo de deputado estadual a partir da cassação do deputado estadual Rodrigo Bacellar — suspeito de participar do esquema.

No parecer, Isabel afirmou que as condutas investigadas, cronologia, extensão territorial, montante financeiro, forma de remuneração e massiva exposição pública dos investigados revelaram um “elaborado esquema” de uso da estrutura administrativa estadual e de seus recursos. Segundo ela, a finalidade foi influenciar as eleições e garantir a permanência no poder e o favorecimento de aliados.

“O alto grau de reprovabilidade das condutas é manifesto. As ações não foram atos isolados ou improvisados, mas uma estratégia implementada no âmbito do governo do estado”, disse a ministra, em seu voto.

A defesa de Castro, por sua vez, sustentou a ausência de provas que relacionem o governador às supostas contratações irregulares e que as inaugurações de obras ocorreram antes do período eleitoral, sem vínculo com qualquer candidato. Os advogados defenderam a manutenção do entendimento do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), que absolveu Castro das acusações em maio de 2024.

sbt