Um em cada 5 adolescentes sofre violência sexual online no Brasil, revela Unicef

Postado em 5 de março de 2026

Um em cada cinco adolescentes brasileiros foi vítima de violência sexual na internet em apenas um ano. O dado, divulgado nesta quarta-feira (4) pelo Fundo das Nações Unidas pela Infância (Unicef), revela que cerca de três milhões de jovens entre 12 e 17 anos sofreram algum tipo de abuso ou exploração sexual com uso de tecnologia. O número acende um alerta direto para famílias do RN e de todo o país.

O levantamento faz parte do relatório “Disrupting Harm in Brazil: Enfrentando a violência sexual contra crianças facilitada pela tecnologia”, produzido em parceria com a ECPAT e a Interpol, com financiamento da Safe Online. A pesquisa ouviu famílias em todas as regiões do Brasil e investigou situações em que a internet foi usada para aliciar, ameaçar, extorquir ou compartilhar conteúdos íntimos.

Em 66% das situações relatadas, a violência aconteceu exclusivamente no ambiente virtual. Redes sociais, aplicativos de mensagens e plataformas de jogos foram os principais meios utilizados pelos agressores. Entre as ferramentas mais citadas estão o Instagram e o WhatsApp.

Segundo a especialista em proteção contra violências do Unicef no Brasil, Luiza Teixeira, o padrão costuma ser semelhante: o agressor inicia contato em perfis abertos, constrói uma relação de confiança e depois migra para conversas privadas, onde se sente mais protegido para cometer o abuso.

Tipos de violência mais comuns
A violência mais recorrente, relatada por 14% dos entrevistados, foi a exposição a conteúdo sexual não solicitado. De acordo com o relatório, essa é uma estratégia usada pelos abusadores para gradualmente habituar a vítima a conteúdo sexual, e facilitar o escalonamento dos abusos. Além disso:

9% dos adolescentes receberam pedidos para compartilhar imagens de suas partes íntimas.
5% receberam ofertas de dinheiro ou presentes em troca de imagens íntimas
4% sofreram ameaças de divulgação de conteúdos íntimo
4% receberam propostas de conversas de cunho sexual
3% tiveram imagens íntimas compartilhadas sem consentimento
3% receberam ofertas de dinheiro ou presentes em troca de encontros sexuais
3% tiveram imagens manipuladas com uso de inteligência artificial para a criação de conteúdo sexual falso
2% foram ameaçados ou chantageados para realizar atos sexuais
O estudo ainda identificou casos de manipulação de imagens com uso de inteligência artificial para criação de conteúdo falso e situações de chantagem para realização de atos de natureza sexual.

Agressor muitas vezes é conhecido
Em quase metade dos casos (49%), o autor da violência era alguém conhecido da vítima, como amigos, familiares ou parceiros. Entre essas situações, parte dos adolescentes relatou ter sido abordada inicialmente pela internet, enquanto outros tiveram o primeiro contato na escola ou até dentro de casa.

O silêncio também preocupa. Um terço das vítimas afirmou não ter contado a ninguém sobre o ocorrido. Vergonha, medo de não serem acreditadas e ameaças feitas pelo agressor aparecem entre os principais motivos. Além disso, 15% disseram não saber que a situação configurava crime.

Impacto direto nas famílias
O relatório mostra que 45% dos adolescentes têm acesso irrestrito à internet, enquanto apenas uma minoria sofre algum tipo de limitação por parte de pais ou professores. Com o uso intenso, 37% relataram já ter sido expostos acidentalmente a conteúdo sexual, principalmente em redes sociais e anúncios.

Para especialistas, os dados reforçam a importância do diálogo constante entre pais, responsáveis e adolescentes, inclusive no RN, onde o uso de smartphones é cada vez mais precoce. Informação, acolhimento e orientação são apontados como medidas essenciais para prevenir novos casos e estimular denúncias.

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