Vendas na Páscoa devem crescer até 8% no RN

As vendas relacionadas a itens no período de páscoa, como vinhos, refrigerantes, azeites, pescados, chocolates e alimentos para a Semana Santa no Rio Grande do Norte devem ter um crescimento de até 8%, segundo projeções da Associação de Supermercadistas do RN (Assurn). A média nos últimos anos tem sido de 5 a 8%. Em nível nacional, as projeções variam de 8 a 12%.
Segundo avaliação do presidente da entidade, Gilvan Mikelyson, as vendas no período de páscoa representam um das melhores épocas de vendas sazonais no ano, ficando atrás somente do período natalino e de fim de ano. A projeção de aumento do faturamento, inclusive, está associada à alta dos alimentos e do cacau, segundo Mikelyson.
“Essas expectativas consideram também o aumento dos produtos, que cresceram de preço; a inflação se estende a ele, com chocolate aumentando muito o preço, vinhos. Esse crescimento no faturamento se deve um pouco também a esse aumento nos preços. Sempre estamos otimistas, porque a sazonalidade da Páscoa só perde para a do Natal. Nesse período, nos preparamos de forma otimista, sempre achando que vai dar certo”, explica.
O aumento dos preços nos produtos, inclusive, com o Governo Federal convocando os estados a reduzirem o ICMS de itens da cesta básica como forma de conter a alta, também preocupa o setor, segundo Mikelyson. “Por outro lado, também tememos o aumento dos preços, que pode haver uma redução no consumo em virtude disso. As pessoas não deixam de consumir, mas trocam de marca, reduzem a quantidade”, cita o presidente da Assurn.
Um dos pontos que chama a atenção nesta páscoa de 2025 é a alta do cacau e a consequente redução da oferta dos chocolates e ovos de páscoa para os supermercados, segundo Mikelyson. Em 2024, por exemplo, o cacau, matéria-prima do chocolate, acumulou inflação de 12%, sendo a maior desde janeiro de 2023. Aliado a isso, o preço do cacau disparou 190% em dois anos.
“O cacau é a matéria-prima do chocolate, e em um ano amentou mais de 180%. Nos últimos anos, já há uma migração do consumo dos ovos de páscoa, que são uma tradição, para as barras ou caixas de chocolate”, aponta Mikelyson.
Na avaliação do economista e ex-presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-RN), Helder Cavalcanti, as expectativas do setor em nível nacional se justificam pelas tendências de mercado atuais, com elevação do dólar e maior poder aquisitivo para a população brasileira como um todo.
“É um período tradicional, com as crianças sendo influenciadas diretamente pelo forte impacto do marketing do ambiente das redes sociais, e tudo isso associado a um clima de crescimento da economia. Temos elevação do PIB, maior massa circulante de dinheiro e isso, de uma forma positiva, impacta e gera essa expectativa de elevação do crescimento do consumo em relação a anos anteriores”, aponta o economista.
“Em contrapartida, aconteceu uma elevação do produto em si, do chocolate, com a semente de cacau impactada gerando uma elevação do preço”, cita Cavalcanti.
Para o RN, Helder Cavalcanti aponta que a expectativa é de que o consumo acompanhe as projeções nacionais. “A expectativa é de acompanhar o movimento nacional. Para o RN, é repetir esse quadro, já que temos uma maior elevação do poder aquisitivo das pessoas atrelada ao crescimento da economia”, cita.
Tribuna do Norte