Venezuela anuncia lei de anistia para centenas de presos políticos

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou nesta sexta-feira (30) uma “lei de anistia geral”, medida que poderá beneficiar centenas de presos políticos, além da conversão de El Helicoide, um centro de detenção duramente criticada por ativistas de direitos humanos, em um complexo esportivo.
Ao realizar o anúncio, Delcy disse que a medida também era uma decisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro e da sua primeira-dama, com quem a líder interina disse que mantém “troca de informações”.
“Quero anunciar que decidimos promover uma lei de anistia geral”, disse a presidente interina, acrescentando que a medida se aplicaria a casos “de 1999 até o presente”.
Ela especificou que aqueles processados por “homicídio, tráfico de drogas, corrupção e violações dos direitos humanos” estariam isentos dessa lei.
“Peço que a vingança, o rancor e o ódio não prevaleçam. Estamos dando à Venezuela a oportunidade de viver em paz”, disse Delcy em sua mensagem.
Prisão El Helicoide
A presidente interina da Venezuela também anunciou que El Helicoide, a prisão mais temida do país, será transformada em um centro de serviços sociais e esportivos para a comunidade.
“Decidimos que as instalações de Helicoide, que hoje funcionam como centro de detenção, serão transformadas em um centro social, esportivo, cultural e comercial para a família policial e para as comunidades vizinhas”, disse ele.
Localizada na região centro-sul de Caracas, El Helicoide é um lugar que muitos venezuelanos libertados dizem jamais esquecer. Superlotação, falta de saneamento básico, extorsão e diversas formas de abuso são apenas algumas das queixas sobre essa prisão.
“Que a justiça traga paz e estabilidade à Venezuela”, disse Delcy.
Desde que o governo venezuelano anunciou que libertaria “um número significativo” de presos políticos, pelo menos 302 pessoas foram libertadas, segundo registros da organização Foro Penal até quinta-feira (29).
Esse número ainda está muito aquém dos mais de 800 divulgados pelas autoridades.
Dias atrás, Delcy afirmou que entraria em contato com o escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para verificar a lista dos liberados, mas até o momento o governo não divulgou uma lista oficial com as identidades.
CNN
