‘Votar em Lula e em Allyson ou Álvaro é anular o voto’, diz Robério Paulino

Postado em 22 de julho de 2026

O pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Robério Paulino (Psol) afirmou que o eleitor que apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e, ao mesmo tempo, votar em Allyson Bezerra (União) ou Álvaro Dias (PL) para governador estará anulando politicamente o próprio voto. O professor universitário disse que pretende usar a campanha para confrontar os dois líderes das pesquisas e expor as diferenças entre os projetos nacionais e estaduais.

“Votar em Lula nacionalmente para presidente e votar em Allyson ou votar em Álvaro aqui é anular o voto”, declarou Robério, em entrevista ao podcast Especial Eleições Agora RN, da TV Agora RN (YouTube), nesta terça-feira 21. Segundo o professor, os partidos dos dois candidatos farão oposição às propostas do Governo Federal a partir de 2027, caso Lula seja reeleito. “Se essas pessoas se elegem, Allyson e Álvaro vão boicotar o Governo Lula no ano que vem”, acrescentou.

Robério argumentou que o eleitor de esquerda precisa manter coerência entre as escolhas para presidente e governador. “Se você vai votar na esquerda, no presidente Lula, para derrotar Flávio Bolsonaro, para derrotar a direita, não pode votar na direita aqui no Rio Grande do Norte”, afirmou. Depois, reforçou o apelo: “Não faça isso. Pense mil vezes”.

As críticas mais incisivas foram dirigidas a Allyson, a quem Robério chamou de “ator de Mossoró” e “camaleão”. O pré-candidato do Psol contestou a tentativa do ex-prefeito mossoroense de se apresentar como um nome de centro e afirmou que sua vinculação ao União Brasil o posiciona no campo da direita.

“Ele fala que é de centro, fica em cima do muro, mas o partido dele é o União Brasil, que é o partido de Davi Alcolumbre (presidente do Senado), que lá em Brasília travou o andamento do fim da escala 6×1”, disse.

Para Robério, há uma contradição entre o discurso adotado por Allyson no Estado e as posições nacionais da legenda. “Ele fala aqui que está a favor do fim da escala 6×1. Mas o partido de Allyson lá em Brasília, no Senado, brecou, travou o fim da escala 6×1. Allyson é um camaleão que vai se adaptando de acordo com as circunstâncias para enganar o povo”, afirmou o professor.

Em relação a Álvaro, Robério concentrou as críticas na gestão do ex-prefeito em Natal. Chamou o adversário de “destruidor de Ponta Negra” e relacionou sua administração a problemas urbanos da capital. “Está chovendo hoje em Natal. Está tudo alagado. Tem um desastre aqui na gestão de Natal”, declarou, citando a obra de engorda na Praia de Ponta Negra e os problemas de drenagem na região.

Para o pré-candidato, Allyson e Álvaro integram grupos distintos, mas representam o mesmo modelo político. Ele associou a vantagem eleitoral dos dois ao apoio de prefeitos, vereadores e estruturas partidárias espalhadas pelo Estado. “Eles têm as máquinas de dezenas e dezenas de prefeitos e vereadores a favor deles, porque representam a velha política, a velha forma de fazer política, a política oligárquica, as elites políticas retrógradas do Estado”, afirmou.

“Os dois só estão divididos. Não estão na mesma candidatura, não estão no mesmo bloco, mas são dois blocos da velha política do Estado. Tanto o seu Allyson quanto o seu Álvaro representam a velha política, a podre política do Estado”, acrescentou Robério.

Ele também prometeu levar esse confronto ao primeiro debate entre os candidatos ao Governo do RN, que vai acontecer no dia 9 de agosto, na Band RN. “Vou deixar o seu Allyson e o seu Álvaro nus, completamente nus. Nossa campanha é uma campanha para ganhar, mas também vai ser muito educativa, para abrir o olho das pessoas”, enfatizou.

Robério declarou que a intenção do Psol é utilizar o período eleitoral para discutir ideologia, programas partidários e as consequências das escolhas do eleitor. “Nós não estamos entrando para ser figurantes. Nós vamos entrar para ganhar”, disse. Ele atribuiu seu atual desempenho nas pesquisas ao início tardio da pré-campanha e à menor exposição em relação aos concorrentes.

Professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Robério afirmou que permaneceu em sala de aula durante o semestre, enquanto os adversários percorreram os municípios. “Eu não pude fazer muita campanha. Sou professor, estava dando aula”, relatou.

Na avaliação dele, o cenário começará a mudar com o início oficial da campanha e a realização dos debates. “O jogo está começando agora”, afirmou. “Não tenho dúvida de que nós vamos crescer rapidamente, vamos bater para ir ao segundo turno e ganhar a eleição.”

Aliança com o PT
Durante a entrevista, Robério também explicou a decisão do Psol de ter candidaturas próprias ao Governo do RN e ao Senado, apesar das investidas do PT para uma composição. Segundo ele, a decisão decorre das diferenças do Psol com a administração estadual. “Apesar do nosso respeito com o pessoal do PT, nós temos nossas diferenças. Não estamos de acordo completamente com o que foi o governo da professora Fátima Bezerra”.

O pré-candidato também considerou improvável uma reviravolta após a corrente Articulação de Esquerda, ligada à deputada federal Natália Bonavides (PT), defender a entrada do Psol na chapa governista e a entrega de uma candidatura ao Senado ao partido. “Acho muito difícil. Nós elogiamos, agradecemos muito a boa intenção da corrente da companheira Natália Bonavides, mas a corrente dela é minoria dentro do PT”, avaliou.

Robério também criticou as tentativas do PT de formar uma composição com o PSDB e atacou a escolha da ex-deputada estadual Larissa Rosado (PSB) como vice de Cadu. Ele classificou Alves, Maias e Rosados como representantes das antigas oligarquias potiguares. “O PT vai de Rosado na vice, como se não tivesse aprendido nada com o coice que levou de Walter Alves, da oligarquia Alves. Para nós, esse tipo de aliança não dá, esse tipo de governo não dá”, afirmou.

Apesar das críticas, Robério ressaltou que o alvo central de sua campanha será a direita, e não Fátima ou o candidato Cadu Xavier (PT). Também rejeitou a acusação de que a candidatura própria contribuiria para dividir o campo progressista. “O que faz o jogo da direita não é o Psol lançar candidatura. São, às vezes, as frustrações com o governo de esquerda que abrem espaço para a direita. Não é a nossa candidatura”, declarou.

Decepção com Fátima
Ao avaliar a gestão de Fátima na educação, Robério afirmou que o governo “deixou muito a desejar”. O professor questionou a permanência do analfabetismo e o desempenho da rede estadual em índices educacionais, apesar de o Rio Grande do Norte ser governado há dois mandatos por uma professora com trajetória sindical.

“Eu acho particularmente que não tem sentido um Estado como o Rio Grande do Norte ter o pior Ideb do País”, disse. Robério também comparou a oferta de ensino integral com a de outros estados nordestinos. “Piauí, Pernambuco e Ceará estão com 70% de escolas estaduais em tempo integral. O Rio Grande do Norte mal passa de 30%. Uma vergonha. Por que não se avançou nisso?”

Ele disse ter entregado à governadora, logo no início do seu primeiro mandato, em 2019, um plano para erradicar o analfabetismo, mas que as sugestões não foram colocadas em prática. Robério atribuiu os resultados à orientação que classificou como fiscalista. “O governo da professora Fátima ficou mais preocupado em mostrar serviço de equilíbrio fiscal para o empresariado do que atender às necessidades da classe trabalhadora e do povo pobre no Estado”, afirmou.

Propostas
No fim, Robério resumiu seu programa em quatro eixos principais. Na educação, propôs eliminar o analfabetismo em dois anos por meio de um mutirão com estudantes e professores de instituições públicas e privadas. Também prometeu elevar de cerca de 30% para 50% a participação das escolas de tempo integral, valorizar os professores com ganhos salariais reais e reservar parte da jornada para qualificação.

Na economia, defendeu uma política de industrialização baseada na produção local de mercadorias atualmente importadas, como água sanitária, detergentes e alimentos congelados. “Produtos simples que nós vamos listar e industrializar para gerar milhares de empregos aqui”, afirmou.

O quarto eixo é ambiental: plantar pelo menos 5 milhões de árvores, com espécies nativas e frutíferas organizadas em sistemas agroflorestais. A proposta, segundo ele, busca combater a desertificação, reduzir o calor, estimular uma agroindústria e gerar empregos no interior.

AGORA RN