“Vou ser o primeiro deputado com deficiência do RN”, diz Ivan Baron

O influenciador Ivan Baron, que se dedica à pauta da inclusão das pessoas com deficiência, confirmou nesta segunda-feira 6 sua pré-candidatura a deputado estadual nas eleições de 2026. Em entrevista à rádio 95 FM, ele registrou que se filiou ao PT e manifestou otimismo com a disputa. “Hoje eu tenho certeza: eu vou ser a primeira pessoa com deficiência eleita deputado estadual da história do Rio Grande do Norte”, disse.
Ao sustentar a projeção, Ivan destacou a ausência histórica de representação desse segmento no Estado. “Historicamente, nenhuma pessoa com deficiência chegou ao parlamento estadual”, afirmou.
A candidatura, segundo ele, nasce justamente dessa lacuna. Ivan defende que a presença de pessoas com deficiência em espaços de poder é necessária para garantir legitimidade nas discussões. “Quando a gente não tem essa representatividade, a gente não tem essa legitimidade”, declarou. Para ele, a ausência de referências impacta diretamente novas gerações. “Crianças e jovens crescem acreditando que aquele não é o nosso lugar.”
O pré-candidato também sustenta sua posição a partir da experiência pessoal. Baron possui paralisia cerebral decorrente de uma meningite viral que contraiu aos 3 anos de idade, em razão de uma intoxicação alimentar. “Eu vivo na pele, eu tenho legitimidade para falar de inclusão”, afirmou. Ele relatou episódios de discriminação ao longo da vida. “Eu cresci sendo desacreditado. Eu cresci não tendo a oportunidade de opinar sobre a minha própria vida. Vêm as piadinhas cruéis, os julgamentos.”
Ivan defende que a pauta da inclusão precisa sair do discurso e se traduzir em políticas públicas concretas. “O discurso é muito bonito, é muito fantasioso. Mas eu quero ver, de fato, as políticas públicas acontecendo de verdade”, disse. Ao criticar abordagens superficiais, afirmou que muitas iniciativas não passam de aparência. “Muita coisa é maquiagem. E maquiagem a gente só usa quando vai para uma festa. No dia a dia, é compromisso.”
Ele também argumenta que a inclusão não deve ser tratada como tema pontual ou eleitoral. “Isso não é sobre sigla partidária, ou muito menos um assunto que só deve ser cobrado de quatro em quatro anos. É no dia a dia”, afirmou. Segundo ele, apenas quem vive a realidade consegue compreender a urgência das demandas. “Só luta realmente 24 horas quem passa na pele.”
Nesse contexto, Ivan defende uma mudança de posição dentro do debate público. “Hoje eu não sou aliado da inclusão, eu sou protagonista”, declarou. Para ele, o centro das discussões deve ser ocupado por quem vivencia as dificuldades. “O protagonismo deve ser das pessoas com deficiência.”
A candidatura também se apoia em uma estratégia de presença territorial e diálogo direto com a população. “Política se faz olho no olho, cara a cara”, afirmou. Ele disse que pretende percorrer os municípios do Estado apresentando propostas e ouvindo demandas. “A luta vale a pena e a gente só tem conquista gritando, mostrando para o que a gente veio.”
Ivan reconhece que o desafio eleitoral exige ampliar sua base para além de um único grupo político. “A gente sabe que apenas o eleitorado petista não vai me eleger como deputado estadual”, afirmou. Ainda assim, demonstrou confiança na viabilidade do projeto. “Se a gente não acreditar em nós mesmos, quem é que vai acreditar?”
Atuação política e filiação
Durante a entrevista, Ivan Baron também explicou sua filiação ao PT. Ele chegou à legenda após deixar o MDB, por discordar do apoio à pré-candidatura de Allyson Bezerra (União) ao Governo do Estado.
“A partir do momento que o partido fecha compromisso com um projeto que não condiz com inclusão, aquele espaço não me cabe mais. Eu me filiei ao PT com um convite feito a nível nacional da nossa primeira-dama Janja, endossado pelo presidente Lula”, declarou.
Ivan também criticou a forma como parte da política é conduzida no Estado. “Tem gente que faz política dentro de ar-condicionado e entre coronéis”, disse, ao defender uma atuação mais próxima da população.
Além da pauta da inclusão, ele afirma que pretende ampliar a representatividade em outras frentes. “A gente precisa de um jovem, de uma pessoa LGBT com deficiência ocupando aquele espaço”, declarou, ao defender diversidade no parlamento.
Ao final, o pré-candidato reforçou que sua candidatura busca romper um padrão histórico e abrir espaço para novas vozes. “Eu vou ser o primeiro deputado com deficiência do RN”, disse, reafirmando a aposta em uma eleição inédita no cenário político do Estado.
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