Auditoria do TCU responsabiliza Ministério da Saúde por destruição de vacinas Coronavac avaliadas em R$ 260 milhões

Postado em 4 de maio de 2026

O TCU (Tribunal de Contas da União) identificou que a demora do Ministério da Saúde em concluir uma contratação causou perda de ao menos R$ 260 milhões em vacinas Coronavac. O processo de aquisição se arrastou por mais de sete meses, entre fevereiro e setembro de 2023.

Das 10 milhões de doses compradas, ao menos 8 milhões foram incineradas por vencimento sem sequer sair do armazém do ministério. Os lotes haviam sido fabricados em março de 2023 e entregues ao governo somente em 25 de outubro do mesmo ano.

Segundo o relatório dos técnicos do tribunal, “a excessiva demora para a contratação consistiu na principal causa para a perda dos imunizantes”. O documento aponta que todos os fatores envolvidos indicavam risco de formação de estoque elevado.

Antes da entrega, o ministério isentou o Instituto Butantan da obrigação de substituir lotes com validade inferior ao prazo contratual. Para o TCU, a pasta “assumiu o risco” ao receber o produto sem garantia de troca ou ressarcimento.

O Butantan alertou formalmente o ministério em maio e setembro de 2023 que a demora estava consumindo o prazo de validade das doses. O instituto havia informado a disponibilidade dos imunizantes desde aquele período, sem resposta conclusiva da pasta.

O prejuízo pode alcançar o valor total do contrato, de R$ 330 milhões, considerando o destino das doses repassadas aos estados. De cerca de 2 milhões de vacinas distribuídas, apenas 260 mil foram aplicadas — o que representa perda de até 97% do total adquirido.

O TCU apontou duas possíveis irregularidades: a lentidão na compra em contexto que exigia rapidez e a falta de coordenação no acompanhamento da contratação. O tribunal autorizou cobrar explicações de dois ex-diretores da área de compras do Ministério da Saúde.

O Ministério da Saúde afirmou que o processo seguiu os trâmites exigidos pela administração pública e que a análise do TCU ainda está em curso. A pasta atribuiu a baixa aplicação das doses às campanhas de desinformação sobre vacinação.

A informação é da Folha de São Paulo.