Com visto expirado, Ramagem pode ser deportado, mostra documento do governo dos EUA

Detido nesta segunda-feira (13) em Orlando (Flórida) pelo U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE), a polícia migratória dos Estados Unidos, Alexandre Ramagem estava no país com visto de turismo e tem um processo de asilo em andamento, segundo a empresa que o assessora junto ao governo norte-americano.
Documento emitido pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos indica que o ex-deputado federal está sujeito à remoção ou deportação, conforme as leis migratórias do país.
A informação foi divulgada pelo site Metrópoles e confirmada pelo SBT News. O documento, em inglês, aponta que Ramagem entrou nos Estados Unidos pela última vez em 11 de setembro do ano passado, com visto B2 de turismo, e que sua permanência não poderia ultrapassar 10 de março deste ano.
Segundo o registro, o brasileiro pode ser deportado por ter permanecido no país além do prazo permitido.
A empresa na Flórida que presta assessoria jurídica a Ramagem pertence ao jornalista e influenciador Paulo Figueiredo. Nesta segunda-feira (13), ele afirmou, em publicação na rede social X, que a situação do ex-parlamentar é, até o momento, “meramente migratória”. Também disse que há um pedido de asilo pendente.
A Polícia Federal confirmou a prisão por meio de nota. No comunicado, a corporação afirmou que a detenção é resultado de cooperação internacional entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado.
Embora não cite nominalmente Ramagem, a PF informou que “um brasileiro condenado pelo Supremo Tribunal Federal foi preso pelo ICE”.
No site do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, o nome completo de Alexandre Ramagem aparece com a indicação de que está “sob custódia do ICE”.
Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e ex-deputado federal, Ramagem tornou-se foragido da Justiça brasileira após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos e um mês de prisão, em regime fechado, por crimes relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília.
Ele deixou o país em setembro do ano passado, mês em que a sentença foi definida. O mandato foi cassado em dezembro, e um pedido de extradição foi formalizado em 2025.
Segundo a Polícia Federal, Ramagem atravessou a fronteira do Brasil por terra, em direção à Guiana, e depois seguiu para os Estados Unidos. Fontes da corporação informaram ao SBT que o passaporte diplomático utilizado pelo ex-parlamentar perdeu a validade após a cassação do mandato.
O governo norte-americano não comenta publicamente casos de extradição.
sbt
