Datafolha: 59% dos brasileiros dizem que salário é insuficiente para pagar despesas

Uma pesquisa do Datafolha apontou para o aumento das dificuldades financeiras das famílias no Brasil. Ao todo, 56% dos entrevistados afirmaram que a renda familiar é insuficiente para arcar com as despesas mensais, enquanto 36% disseram que o salário é “exatamente o que precisam para viver”. Apenas 6% responderam que a renda é “mais do que suficiente”.
Atualmente, o salário mínimo está em R$ 1.621. Dos que ganham até 2 vezes o valor, 73% disseram que veem a renda como insuficiente. Já para aqueles que recebem de 2 a 5 salário mínimos, 49% afirmaram que a renda não é suficiente para pagar as despesas, percentual que cai para 32% em relação aos que ganham mais de 5 salários.
Em meio ao cenário, 45% dos participantes disseram ter buscado formas de complementar a renda nos últimos meses. Essa busca é maior entre aqueles com mais escolaridade. Segundo o levantamento, isso acontece porque, entre aqueles com ensino fundamental, há menos pessoas trabalhando ou em busca de trabalho, já que nesse grupo há um número expressivo de aposentados e donas de casa.
Os dados mostram ainda que 4 em cada 10 dos entrevistados pela pesquisa relataram alguma redução da renda familiar nos últimos meses, o que pode ser explicado pela sensação de aperto financeiro. Esse cenário se concentrou principalmente entre os brasileiros de 35 a 44 anos, com quase metade (49%) relatando redução da renda familiar nos últimos meses. Os que menos tiveram mudança foram jovens de 16 a 24 anos.
A pesquisa Datafolha entrevistou 2.002 pessoas de 16 anos ou mais em 117 municípios do Brasil nos dias 8 e 9 de abril de 2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.
Endividamento recorde
O número de brasileiros com dívidas a pagar registrou recorde em março de 2026, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). No mês, 80,4% das famílias estavam endividadas – maior patamar desde 2010, início da série histórica da pesquisa.
O novo recorde ocorre em meio à guerra no Oriente Médio, que vem impulsionando o aumento do preço do petróleo. Somado aos juros altos (Selic), a alta dos preços do diesel e combustíveis em geral tem gerado incerteza inflacionária, reduzindo o poder de compra e forçando o uso de crédito para despesas básicas.
Conforme a pesquisa, o avanço do endividamento foi impulsionado pelas famílias de maior renda (acima de 5 salários mínimos), que preferem utilizar o crédito como estratégia para manter o padrão de consumo sem desmobilizar capital próprio. Para aqueles que ganham mais de 10 salários mínimos, o índice chegou a 69,9% em março. Entre as principais modalidades de dívidas estão: cartão de crédito, carnês e crédito pessoal.
sbt
