De Fátima Bezerra a Odon Júnior: duas trajetórias políticas marcadas pela força do capital eleitoral e pela eleição de seus sucessores

Postado em 27 de outubro de 2026

Duas histórias em diferentes esferas políticas, mas com algo em comum: a capacidade de conquistar a confiança popular, vencer a reeleição e transformar o capital político em apoio decisivo para eleger um sucessor que nunca havia disputado uma eleição.

A política do Rio Grande do Norte apresenta duas trajetórias que guardam semelhanças quando o assunto é liderança, força eleitoral e capacidade de transferência de votos: a da governadora Fátima Bezerra e a do ex-prefeito de Currais Novos, Odon Júnior.

Fátima Bezerra conquistou o Governo do Estado em 2018 e foi reeleita em 2022, consolidando sua liderança política no Rio Grande do Norte. Em 2026, participou da eleição de seu sucessor, Cadu Xavier, que chegou à disputa pelo Governo do Estado sem nunca ter concorrido anteriormente a um cargo eletivo.

Em Currais Novos, uma trajetória semelhante foi construída pelo ex-prefeito Odon Júnior. Eleito em 2016 e reeleito em 2020, Odon encerrou seus oito anos de administração com forte aprovação popular e conseguiu eleger seu sucessor, Lucas Galvão, em 2024. Assim como Cadu, Lucas nunca havia disputado uma eleição antes de concorrer ao cargo de chefe do Executivo.

As duas histórias evidenciam um fenômeno importante na política: o capital eleitoral construído ao longo de uma gestão pode ultrapassar a figura do próprio governante e contribuir decisivamente para a continuidade de um projeto político.

Mais do que conquistar votos para si, Fátima Bezerra e Odon Júnior demonstraram capacidade de construir lideranças, formar alianças e apresentar novos nomes ao eleitorado.

No caso de Odon Júnior, a força política também foi colocada à prova em 2026, quando disputou pela primeira vez uma vaga na Câmara dos Deputados e conquistou mais de 51 mil votos, mesmo sem alcançar a eleição. O resultado reforçou sua presença no cenário político potiguar, especialmente na região do Seridó.

Embora tenham dimensões eleitorais diferentes, as trajetórias de Fátima e Odon mostram como a combinação entre aprovação administrativa, articulação política e identificação popular pode contribuir para a continuidade de lideranças e projetos.

Na política, vencer uma eleição demonstra força. Ser reeleito consolida uma liderança. Mas conseguir eleger um sucessor revela a dimensão do capital político construído ao longo dos anos.