Defesa de Vorcaro sinaliza delação “forte” que aborde os Três Poderes

A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro sinalizou ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, relator do caso Master, uma delação premiada “forte” que envolva personagens dos Três Poderes, segundo relatos feitos por interlocutores.
A conversa entre o advogado José Luís de Oliveira Lima e o ministro aconteceu recentemente em São Paulo e foi pelo menos a segunda já realizada entre ambos.
Os relatos foram de uma mudança entre a primeira e a segunda conversa.
Enquanto no primeiro encontro Mendonça saiu mais pessimista quanto ao alcance da delação de Vorcaro e sem dar garantias de que caminharia para homologar a delação, conforme revelado pela CNN, nesta segunda o ministro pareceu mais otimista.
A expectativa é de que o material, que só deve ser apresentado a ele em maio, seja amplo e aborde a relação de Vorcaro com integrantes dos Três Poderes da República tratando inclusive de ministros do governo Lula e do Judiciário.
Uma mudança no plano inicial da defesa de poupar ministro do Supremo Tribunal Federal, conforme mostrou a CNN no início das tratativas.
O motivo principal é de que sem uma delação completa, a chance de Mendonça não homologar o acordo é grande e consequentemente a de Vorcaro permanecer por um longo tempo preso.
‘Preciso dele feliz’, disse Vorcaro
Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master, disse em troca de mensagens que precisava que Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), estivesse feliz. A conversa está registrada na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prisão preventiva do executivo e do advogado Daniel Lopes Monteiro nesta quinta-feira (16).
O dono do Master enviou a mensagem a uma corretora, após Paulo se frustrar por não conseguir visitar um dos imóveis de luxo que, segundo a Polícia Federal (PF), faria parte da propina para facilitar as negociações entre o BRB e o Master.
Ao todo, policiais federais cumpriram nesta quinta dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão, expedidos pelo STF, no Distrito Federal e em São Paulo.
O contato, que ocorreu pelo aplicativo de mensagens WhatsApp, seria relativo a imóveis oferecidos por Vorcaro no valor de mais de R$ 146 milhões, para que Paulo Henrique agisse em favor do banqueiro no BRB, em negócios com o Banco Master, segundo a Polícia Federal. Eles também parecem negociar o valor da propina por mensagens.
Essa estrutura seria montada para ocultar os reais donos dos imóveis. Vorcaro também pede a Monteiro a indicação de uma pessoa que possa ser utilizada como diretor das empresas de fachada para viabilizar o negócio.
“Definiremos quem será o diretor das sociedades que comprarão os imóveis. Por favor, você tem alguém que possamos usar (para não misturar com o restante das estruturas que temos)?”, diz Vorcaro.
Entenda a operação
A PF prendeu o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa ao deflagrar a 4ª fase da Operação Compliance Zero. A PF informou ao ministro André Mendonça que identificou o suposto fluxo de propina destinado a Paulo Henrique na negociação de venda do Banco Master ao BRB, que teria sido viabilizado por meio da compra de imóveis. Com base nessas informações, o magistrado determinou a prisão preventiva de Costa.
O ex-presidente do BRB é investigado por sua atuação na tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB, além da compra de carteiras fraudulentas oferecidas pelo banco de Daniel Vorcaro.
‘Sustentação jurídica’
O advogado Daniel Monteiro também foi preso nesta quinta-feira.De acordo com as investigações, ele seria responsável por dar “sustentação jurídica” aos esquemas de Vorcaro.
CNN
