Demanda por saúde mental cresce, mas acesso segue restrito no Brasil

A busca por apoio psicológico cresceu no Brasil nos últimos anos, segundo o Ministério da Saúde, mas o acesso ao cuidado com a saúde mental ainda é marcado pela desigualdade social. Uma pesquisa online do Instituto Locomotiva mostra que apenas 3% dos brasileiros têm condições financeiras de investir regularmente no próprio bem-estar emocional. Entre pessoas das classes D e E, somente 35% conseguem investir em autocuidados de forma ocasional, enquanto 25% afirmam não ter qualquer possibilidade de arcar com esse tipo de cuidado. O levantamento ouviu mais de 1.500 brasileiros de todas as regiões do país.
Um levantamento da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), divulgado em 2025, mostra que 54,1% dos brasileiros sabem indicar onde procurar ajuda em momentos de crise emocional. O dado sinaliza um avanço importante na alfabetização em saúde mental no país. A mesma pesquisa também aponta que 50,9% da população já passou por atendimento com psicólogo ou psiquiatra ao menos uma vez, o que reforça a normalização da terapia como parte do cuidado com a saúde integral.
Ao mesmo tempo, o estudo revela um cenário que exige atenção contínua. Cerca de 25,2% dos entrevistados afirmaram não se sentir bem emocionalmente, e quase 31% relataram sentimentos frequentes de tristeza ou decepção, ainda que mantenham expectativa de melhora. Esses números evidenciam a importância de estratégias preventivas e de acesso qualificado ao cuidado, sem reduzir a discussão a diagnósticos ou condições específicas.
O crescimento da demanda por apoio psicológico traz à tona uma distinção essencial: a diferença entre escuta informal e suporte profissional. Conversas com amigos, familiares ou grupos de apoio podem ter papel importante no cotidiano, mas não substituem o acompanhamento realizado por profissionais capacitados, formados para lidar com questões emocionais de maneira ética, técnica e responsável.
A atuação em saúde mental exige preparo específico, atualização constante e compromisso com princípios científicos e éticos. Sem essa base, há riscos como orientações inadequadas, interpretações equivocadas e violação de limites profissionais. Por isso, a qualificação é um requisito para garantir a segurança de quem busca ajuda.
Para atuar na área de saúde mental e oferecer o suporte necessário à população, é fundamental que o profissional tenha uma formação sólida, obtida em uma faculdade de psicologia reconhecida. Esse percurso formativo é o que habilita o futuro profissional a compreender o cuidado emocional de forma ampla, preventiva e contextualizada.
Onde buscar ajuda: garantindo um atendimento ético e eficaz
Um dos principais critérios na hora de buscar um atendimento seguro é verificar se o profissional possui registro ativo no Conselho Regional de Psicologia (CRP), órgão responsável por fiscalizar e normatizar a prática da psicologia no Brasil. O registro assegura que o profissional cumpriu as exigências legais e está submetido a um código de ética.
Além do atendimento individual, o SUS segue como porta de entrada fundamental para milhões de brasileiros. O fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) ampliou o acesso a serviços comunitários e multiprofissionais, o que contribui para reduzir barreiras históricas no cuidado emocional.
O avanço da conscientização sobre saúde mental representa um passo importante para o país, mas ele só se sustenta com investimento contínuo em formação, regulação e informação de qualidade.
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