Disputa por governos e Senado tem baixa presença feminina

Postado em 14 de abril de 2026

O cenário das pré-candidaturas aos governos estaduais para as eleições de 2026 repete, até o momento, a baixa representatividade feminina observada em pleitos anteriores. A corrida ao Palácio do Planalto pode não contar com nenhuma mulher, enquanto a presença feminina nas disputas pelos Executivos estaduais permanece reduzida. A configuração apresenta ligeira melhora apenas nas candidaturas ao Senado.

No discurso político, entretanto, partidos de diferentes espectros ideológicos têm buscado dialogar com o eleitorado feminino. Pré-candidatos à Presidência, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), têm abordado temas como feminicídio e violência de gênero, além de defender propostas voltadas às mulheres, a exemplo da ampliação da transferência de renda e da oferta de creches. Flávio Bolsonaro e Caiado, inclusive, já manifestaram a intenção de escolher mulheres como candidatas a vice em suas chapas.

Os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) evidenciam a relevância desse segmento do eleitorado. Em 2024, as mulheres representavam 52,47% dos votantes no país. Ainda assim, ao definir candidatos para cargos majoritários, os partidos continuam priorizando nomes masculinos. Considerando as pré-candidaturas anunciadas até agora, apenas 11 estados deverão ter mulheres concorrendo aos governos estaduais.

Na maioria das unidades da Federação, a presença feminina tende a se concentrar na disputa pelo Senado — e, em alguns casos, sequer nesse nível. Na Bahia, por exemplo, há ao menos cinco nomes cotados para o governo, todos homens, sem pré-candidaturas femininas confirmadas para a Câmara Alta.

A legislação eleitoral determina que os partidos reservem ao menos 30% das candidaturas para mulheres, sob pena de sanções como cassação do certificado de regularidade, inelegibilidade e anulação dos votos. Contudo, a regra se aplica apenas às eleições proporcionais, como as de vereadores e deputados, não abrangendo os cargos majoritários.

O histórico recente reforça esse desequilíbrio. Em 2022, apenas duas mulheres foram eleitas governadoras no Brasil: Raquel Lyra (PSD), em Pernambuco, e Fátima Bezerra (PT), no Rio Grande do Norte.

No Rio Grande do Norte, duas mulheres figuram entre as principais chapas consideradas competitivas. Na base governista, liderada pelo pré-candidato ao governo Cadu Xavier (PT), a vereadora de Natal Samanda Alves (PT) foi definida como uma das candidatas ao Senado. O outro nome poderá ser Jean Paul Prates ou Rafael Motta, ambos do PDT. A advogada Luciana Montenegro também é cotada para a vaga de vice na chapa, embora ainda não haja confirmação. Já no campo de centro-direita, a senadora Zenaide Maia (PSD) deverá disputar a reeleição na chapa encabeçada por Allyson Bezerra (União).

ELEIÇÕES 2026: Principais chapas no RN
Centro-direita
Governo: Allyson Bezerra (União) / Vice: Hermano Morais (MDB)
Senado: Zenaide Maia (PSD) / Indefinido

Direita
Governo: Álvaro Dias (PL) / Vice: Babá Pereira (PL)
Senado: Coronel Hélio (PL) / Styvenson Valentim (Podemos)

Esquerda
Governo: Cadu Xavier (PT) / Vice: Indefinido
Senado: Samanda Alves (PT) / Jean Paul Prates ou Rafael Motta (PDT)

Por O Correio de Hoje