Eleição presidencial de 2026 é a primeira do século sem mulheres em chapas competitivas

Postado em 8 de agosto de 2026
Cabina de votação com a nova urna modelo UE2020 é apresentada em seção eleitoral simulada no Tribunal Regional Eleitoral, no centro do Rio de Janeiro.

A eleição presidencial de 2026 será a primeira deste século sem mulheres nas chapas dos partidos com representação no Congresso Nacional. O cenário foi consolidado na última quarta-feira 6, quando o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, anunciou o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente. Com a definição, as principais candidaturas ao Palácio do Planalto passaram a ser compostas exclusivamente por homens.

De acordo com levantamento publicado pela Folha de S.Paulo e confirmado pela CNN Brasil, desde 2002 pelo menos uma mulher participou da disputa em chapas consideradas competitivas, seja como candidata à Presidência da República, seja como vice-presidente. Em 2026, as mulheres aparecem apenas em candidaturas de partidos sem representação no Congresso Nacional.

Até o momento, 13 candidaturas foram confirmadas para a Presidência da República. As chapas dos partidos com representação no Congresso são formadas por:

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) + Geraldo Alckmin (PSB)
Flávio Bolsonaro (PL) + Alfredo Gaspar (PL)
Ronaldo Caiado (PSD) + Gilberto Kassab (PSD)
Romeu Zema (Novo) + Eduardo Girão (Novo)
Augusto Cury (Avante) + Júlio Delgado (Avante)
Renan Santos (Missão) + Aroldo Medina (Missão)
Leonardo Avalanche (PRTB) + Tenente Dalma (PRTB)
Samara Martins (UP) + Raquel Brício (UP)
Edmilson Costa (PCB) + Cleusa Santos (PCB)
Rui Costa Pimenta (PCO) + Antônio Carlos Silva (PCO)
Hertz Dias (PSTU) + Vanessa Portugal (PSTU)
Clariana Barão (DC) + Fabiana Torquato (DC)
Wilson Grassi (Democrata) + vice ainda não definido
Nas eleições de 2022, quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito presidente, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou 13 candidaturas. Entre os partidos com representação no Congresso, três chapas contavam com mulheres: Simone Tebet (MDB), candidata à Presidência ao lado de Mara Gabrilli (PSB); Ciro Gomes (PDT), que teve Ana Paula Matos (PDT) como vice; e Soraya Thronicke (União Brasil), candidata à Presidência com Marcos Cintra (União Brasil) como vice.

Em 2018, eleição vencida por Jair Bolsonaro, foram registradas 14 candidaturas. Além da candidatura presidencial de Marina Silva (Rede), quatro chapas competitivas tiveram mulheres na vice-presidência: Ciro Gomes (PDT) com Kátia Abreu (PDT); Fernando Haddad (PT) com Manuela D’Ávila (PCdoB); Geraldo Alckmin (PSDB) com Ana Amélia Lemos (PP); e Guilherme Boulos (PSOL) com Sonia Guajajara (PSOL).

Já em 2014, quando Dilma Rousseff (PT) conquistou a reeleição, três mulheres integraram chapas de partidos com representação no Congresso. Além da própria Dilma, participaram da disputa Marina Silva (PSB) e Luciana Genro (PSOL). Em 2010, Dilma Rousseff tornou-se a primeira e, até hoje, única mulher eleita presidente da República, sendo também a única mulher a integrar uma chapa competitiva naquele pleito.

Segundo o levantamento, a configuração das eleições de 2026 rompe uma sequência de mais de duas décadas em que mulheres participaram das principais disputas presidenciais brasileiras, seja na cabeça de chapa ou como candidatas à vice-presidência.

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