Eles vão disputar o seu voto! Pré-candidatos ao Governo antecipam campanha no RN

Postado em 14 de abril de 2026

Mesmo sem a oficialização das candidaturas, o cenário político para as eleições de outubro de 2026 no Rio Grande do Norte já começa a se desenhar, com a movimentação de pré-candidatos em diferentes regiões do estado. Hoje, a disputa pelo maior cargo do Executivo estadual se concentra em três nomes: Álvaro Dias (Republicanos), Allyson Bezerra (União Brasil) e Cadu Xavier (PT).

Nos últimos dias, os três pré-candidatos intensificaram agendas públicas e visitas a municípios, em uma estratégia para consolidar bases eleitorais. Também ampliaram a presença em veículos de comunicação e nas redes sociais, com registros de encontros com eleitores e, para apimentar a disputa, até têm trocado farpas e críticas entre si.

No espectro da direita está Álvaro Dias, que é o nome mais experiente entre os postulantes. Médico, exerceu mandatos como deputado estadual e presidiu a Assembleia Legislativa. Ele também foi prefeito de Natal entre 2018 e 2024. Para 2026, conta com o apoio do polo “bolsonarista”, com a bênção do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, além de ter a candidatura articulada pelo senador Rogério Marinho e pelo prefeito de Natal, Paulinho Freire.

Representando a situação governista está Carlos Eduardo Xavier, escolhido a dedo pela atual governadora Fátima Bezerra para substituí-la, além de já ter recebido a “benção” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Cadu Xavier, como é mais conhecido, ocupou nos últimos anos o cargo de secretário estadual da Fazenda. Sem trajetória em cargos eletivos, tem atuação ligada à gestão pública. Utiliza como trunfo o bom trânsito e relacionamento que mantém com o empresariado. De perfil inovador, a pré-candidatura busca responder a críticas da oposição, defendendo o legado petista dos últimos oito anos.

Ao centro, aparece Allyson Bezerra, com 33 anos. Ele foi deputado estadual entre 2019 e 2020 e prefeito de Mossoró entre 2021 e 2026. Servidor público federal, tem formação em Engenharia Civil pela Universidade Federal Rural do SemiÁrido (Ufersa). O pré-candidato adota um posicionamento político de centro, buscando diálogo com eleitores fora da polarização ideológica.

A movimentação antecipada indica que a corrida ficará mesmo concentrada entre os três grupos políticos. Pesquisa recente publicada pelo Instituto Veritá indica um cenário de empate técnico na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte. No levantamento estimulado, considerando os votos válidos, Allyson Bezerra lidera com 29,6%, seguido por Álvaro Dias (27,5%) e Cadu Xavier (26,6%).

Enquanto as candidaturas não são formalmente oficializadas — algo que deve acontecer entre 20 de julho e 5 de agosto com as convenções partidárias —, os três principais candidatos já “esquentam os motores” das campanhas. Allyson Bezerra, por exemplo, iniciou nas redes uma ação chamada “167 razões RN”, em alusão ao número de municípios do estado. Em vídeos curtos, com inserções de imagens geradas por inteligência artificial, o exprefeito aborda características dos locais visitados por ele. Numa das últimas postagens, Bezerra gravou em Itaú, no Alto Oeste potiguar. Por lá, abraçou moradores, falou de características históricas do município e também reforçou a pré-candidatura.

Dos três principais nomes que concorrem à sucessão governamental, Allyson Bezerra é o que tem os melhores números nas redes sociais. No Instagram, principal plataforma de impulsionamento, ele conta com 369 mil seguidores. Em seguida, aparecem Álvaro Dias e Cadu Xavier, com 120 mil e 39 mil seguidores, respectivamente.

Enquanto Allyson Bezerra foca na interiorização da própria imagem, Álvaro Dias e Cadu Xavier discutem nas redes sociais. Em entrevistas à TV e a rádios, o exprefeito de Natal fez duras críticas ao Governo Fátima Bezerra, apontando falhas nas áreas de educação e segurança. Além disso, ele pontuou que o Estado teria sido negligente ao não instalar hospitais de campanha nem ampliar leitos de UTI durante a pandemia de Covid19. Em resposta, o exsecretário estadual classificou as declarações como “show de horrores” e acusou Álvaro Dias de espalhar informações falsas sobre a atuação do Estado na área da saúde.

No perfil do Instagram, Álvaro Dias utiliza as postagens para divulgar a participação em eventos religiosos e feiras agrícolas em municípios potiguares. Para dissociar a forte imagem da atuação na Prefeitura de Natal, ele tem se apresentado empunhando a bandeira do Rio Grande do Norte.

Já Carlos Eduardo Xavier, o menos conhecido entre os três, utiliza os vídeos para se apresentar formalmente ao público, mostrar a rotina familiar e destacar os feitos promovidos pela gestão Fátima Bezerra. Num dos últimos vídeos, o exsecretário estadual discorreu sobre a obra de duplicação da BR304, tocada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), cujo início é um dos trunfos políticos da atual gestão petista.

Regras para pré-candidaturas

Apesar de o período de campanha eleitoral começar formalmente no dia 16 de agosto, as lideranças já intensificam suas agendas públicas pelo estado. No entanto, a Justiça Eleitoral estabeleceu regras que disciplinam o período de précampanha. As normas estão previstas principalmente na Lei das Eleições (9.504/1997) e em resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Os pré-candidatos podem participar de entrevistas, debates e eventos, além de apresentar propostas e posicionamentos políticos. Entretanto, é proibido expressamente fazer pedidos explícitos de voto, inclusive por meio de expressões que tenham o mesmo sentido.

Nas redes sociais, é permitido manifestar opiniões políticas e divulgar ações, respeitando os limites legais.

O impulsionamento de conteúdo pago é permitido na pré-campanha, desde que contratado diretamente com plataformas, sem pedido de voto e com transparência nos gastos.

Também proibida a veiculação de propaganda política paga em rádio e televisão antes do início oficial da campanha. Emissoras de rádio e TV não podem transmitir ao vivo prévias partidárias, embora a cobertura jornalística seja permitida.

O descumprimento das regras pode resultar em multa que varia de R$ 5 mil a R$ 25 mil, ou valor equivalente ao custo da propaganda irregular, caso seja maior. A penalidade pode atingir tanto o responsável quanto o beneficiário, se houver comprovação de conhecimento prévio.

novo noticias