Fábio Dantas cobra pré-candidatos sobre crise fiscal e defende “reformas profundas”

Postado em 16 de abril de 2026

O ex-vice-governador Fábio Dantas afirmou que o principal problema estrutural do Rio Grande do Norte não está sendo debatido pelos pré-candidatos ao Governo do Estado. Em entrevista à rádio Universitária FM, ele alertou que a ausência de propostas para enfrentar a crise fiscal pode levar a novos ciclos de desgaste político. “Eu não vi programa de governo em nenhum dos três”, declarou, ao se referir aos nomes postos até o momento na disputa estadual.

A corrida para o Governo do Estado tem, atualmente, três nomes que despontam nas pesquisas de intenção de votos: o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL), o ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União) e o ex-secretário estadual da Fazenda Cadu Xavier (PT). Nenhum deles, segundo Fábio, tem apresentado propostas concretas para enfrentar a crise fiscal do Estado.

Segundo Fábio, que foi vice-governador entre 2015 e 2018, a campanha tende a evitar o tema central que, na sua avaliação, define a governabilidade. “Eu queria saber qual deles vai enfrentar o problema do Estado na eleição, porque todos eles vão esconder isso”, disse. Para ele, a dificuldade está ligada à necessidade de medidas impopulares, que historicamente não são apresentadas ao eleitorado durante o período eleitoral.

O ex-vice-governador afirmou que o Rio Grande do Norte enfrenta um quadro crítico que exige mudanças profundas. “O estado do Rio Grande do Norte é um estado que tem um câncer em alto grau e que precisa de reformas profundas”, declarou. Ele acrescentou que, sem enfrentamento estrutural, o próximo governador repetirá o ciclo de desgaste observado em gestões anteriores. “Se eles não fizerem, eles serão mais um”, afirmou, ao citar que a consequência será negativa “para o povo, para os servidores e para o Estado”.

Na avaliação de Fábio Dantas, o problema central não está na arrecadação, mas no volume de despesas. Segundo ele, o Estado “arrecada muito” e, mesmo assim, enfrenta dificuldades para manter equilíbrio fiscal. Ele também destacou que o crescimento da folha de pagamento e os gastos com outros poderes pressionam as contas públicas.

Ao tratar da estrutura administrativa, defendeu medidas de ajuste que, segundo ele, exigem coragem política. “Tem que congelar”, afirmou, ao mencionar a necessidade de contenção de gastos com servidores como parte de um processo de reorganização. Ele citou que, quando assumiu interinamente o governo, em 2017, chegou a elaborar um conjunto de propostas com impacto direto nas contas estaduais. “A gente fez 55 medidas”, disse, estimando uma economia de “R$ 170 milhões por mês” e cerca de “R$ 8 bilhões ao longo de quatro anos”.

Essas medidas, no entanto, não avançaram e foram retiradas pelo então governador Robinson Faria. Fábio relatou que enfrentou resistência de sindicatos e pressão política após anunciar que seriam “medidas amargas”. “O governo não é feito para 100 mil servidores, é feito para 3 milhões de habitantes”, afirmou, ao defender que o equilíbrio fiscal exige decisões que impactam diretamente a estrutura de despesas do Estado.

Ao analisar o cenário eleitoral, o ex-vice-governador indicou que o debate tende a se concentrar em outros temas, enquanto a crise permanece em segundo plano. Para ele, os principais pré-candidatos não demonstraram ainda disposição para tratar do problema de forma direta. “Cada um sabe a importância, porque está no governo sofrendo, mas debater na campanha não”, disse.

Fábio também avaliou que parte dos candidatos pode subestimar a complexidade da gestão estadual. “Ele não tem a noção do tamanho dessa bomba”, afirmou, ao se referir a Allyson Bezerra, que lidera as pesquisas até agora. Segundo ele, a estrutura do Estado, com múltiplos poderes e pressões institucionais, torna a administração mais complexa do que a gestão municipal.

O ex-vice-governador ainda comparou o Rio Grande do Norte a outros estados, como a Paraíba, destacando diferenças no comportamento das despesas. Segundo ele, mesmo com população maior, a Paraíba chegou a gastar menos com folha e com os demais poderes.

Ele também chamou atenção para o impacto dessas escolhas no futuro. “Mais cedo ou mais tarde vai se atrasar a aposentadoria das pessoas”, disse, ao alertar para possíveis consequências caso o desequilíbrio fiscal não seja enfrentado. Na sua avaliação, o problema já se manifesta de forma recorrente, independentemente do governo.

“A cadeira do governador foi uma cadeira elétrica que dilapidou todos os patrimônios eleitorais que sentaram nela”, afirmou, citando ex-governadores como Wilma de Faria, Rosalba Ciarlini, Robinson Faria e a atual gestora, Fátima Bezerra.

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