Fátima Bezerra, a grande vencedora das eleições de 2026 no Rio Grande do Norte

A política é feita de alianças, disputas, lealdades e, muitas vezes, traições. E as eleições de 2026 no Rio Grande do Norte deixaram uma lição importante: não se deve subestimar a capacidade de articulação de Fátima Bezerra.
A governadora chegou a ser questionada, enfrentou o afastamento de aliados e viu seu grupo político passar por momentos de incerteza. O rompimento com Walter Alves e as dificuldades enfrentadas ao longo da campanha alimentaram avaliações de que o projeto político do PT poderia sair enfraquecido das urnas.
Mas o resultado mostrou outro cenário.
Mesmo sem disputar um cargo eletivo, Fátima Bezerra conseguiu manter seu protagonismo na política potiguar. Samanda Alves foi eleita senadora, enquanto Cadu Xavier, que ainda era pouco conhecido por boa parte do eleitorado estadual no início da disputa, conquistou uma vitória histórica ao ser eleito governador do Rio Grande do Norte.
Uma vitória construída contra as expectativas
A candidatura de Cadu Xavier enfrentou desconfiança durante boa parte da campanha. Muitos duvidavam de sua capacidade de chegar ao Governo do Estado, principalmente diante da força eleitoral de seus adversários e das críticas à administração estadual.
Fátima, porém, apostou no projeto de continuidade do PT, contou com o apoio do presidente Lula e trabalhou para transformar a candidatura de Cadu em uma alternativa competitiva.
O resultado do segundo turno, realizado neste domingo, 25 de outubro, confirmou a vitória de Cadu Xavier, que obteve 50,77% dos votos válidos, contra 49,23% de Allyson Bezerra. A vitória mantém o PT no comando do Rio Grande do Norte após os dois mandatos de Fátima Bezerra.
No Senado, a eleição de Samanda Alves também representou uma conquista importante para o grupo político da governadora.
Walter Alves e os antigos aliados
O cenário eleitoral também foi marcado pelo rompimento político entre Fátima Bezerra e Walter Alves, que se afastou do projeto governista e passou a integrar outro campo político.
Para os aliados da governadora, o episódio representou uma ruptura significativa em uma relação política que havia sustentado a aliança entre PT e MDB no estado.
Ainda assim, Fátima conseguiu reorganizar seu grupo, defender suas candidaturas e chegar ao fim do processo eleitoral com duas conquistas expressivas: uma senadora eleita e um governador eleito.
É justamente nesse contexto que a força política da governadora merece ser analisada. Em uma eleição na qual muitos esperavam o enfraquecimento do PT, ela ajudou a construir uma vitória que altera o equilíbrio de forças no Rio Grande do Norte.
Cadu Xavier: de desconhecido a governador eleito
Talvez um dos aspectos mais significativos dessa eleição seja a trajetória de Cadu Xavier. Antes da campanha, seu nome não possuía o mesmo reconhecimento popular de outros concorrentes. Sua atuação como secretário da Fazenda lhe dava experiência administrativa, mas não necessariamente a visibilidade eleitoral de um candidato tradicional.
Com o apoio de Fátima Bezerra e Lula, Cadu cresceu politicamente, chegou ao segundo turno e venceu uma disputa apertada.
O resultado demonstra que uma candidatura pode superar a falta de popularidade inicial quando consegue reunir estrutura política, apoio partidário, mobilização e uma mensagem capaz de alcançar o eleitorado.
Fátima teve papel central nesse processo, colocando sua experiência política a serviço de um projeto que muitos consideravam difícil.
A grande vencedora política de 2026?
Na minha avaliação, Fátima Bezerra sai das eleições de 2026 como uma das grandes vencedoras políticas do Rio Grande do Norte. E há argumentos concretos para sustentar essa leitura.
Ela enfrentou críticas, conviveu com rompimentos, viu aliados se afastarem e teve de defender um projeto de continuidade em um ambiente eleitoral competitivo. Mesmo assim, terminou a eleição com Samanda Alves eleita para o Senado e Cadu Xavier eleito governador.
Mais do que os resultados individuais, a vitória representa a preservação da influência do PT no comando do Estado e a capacidade de Fátima de participar da construção de novas lideranças políticas.
Isso não significa que todas as críticas à sua gestão devam ser ignoradas, nem que os desafios administrativos do governo estejam resolvidos. Significa reconhecer que a avaliação de um governo e sua força eleitoral são dimensões diferentes da política.
Fátima Bezerra pode encerrar seu ciclo à frente do Governo do Estado sem ter sido candidata em 2026, mas deixa a disputa com uma marca importante: ajudou a eleger uma aliada para o Senado e um aliado para o comando do Executivo estadual.
A história ainda vai avaliar o legado administrativo de seus oito anos de governo. Mas, no campo eleitoral, o resultado deste ano fortalece sua posição e demonstra que sua influência política continua relevante.
No fim das contas, a eleição de 2026 deixa uma pergunta para os adversários da governadora: será que subestimaram a capacidade de Fátima Bezerra de reagir nos momentos mais difíceis?
As urnas deram uma resposta contundente. E, na minha opinião, Fátima tem motivos para comemorar: diante de tantos obstáculos, terminou a eleição como uma das principais vencedoras da política potiguar.
