Garrafão de água mineral terá reajuste de até 15% no RN

A partir de 5 de outubro, o preço do garrafão de água mineral de 20 litros terá reajuste de 10% a 15% no Rio Grande do Norte. Segundo o Sindicato das Indústrias de Cervejas, Refrigerantes, Águas Minerais e Bebidas em Geral do RN (Sicramirn), a alta é atribuída ao aumento dos custos de produção, envase e distribuição.
O percentual de 10% a 15% é uma referência técnica sugerida pelo setor. O valor efetivamente pago pelo consumidor, no entanto, depende também dos custos de distribuição e revenda ao longo da cadeia. “Não estamos falando de um único componente. A indústria vem absorvendo sucessivos aumentos na sua estrutura de custos”, afirmou Daniel Penteado, secretário-executivo do Sicramirn.
Segundo ele, o salário mínimo teve alta de cerca de 6,8% neste ano, enquanto o reajuste médio da energia elétrica foi de 5,4%. Para consumidores de alta tensão, a alta chegou a 10,9%, de acordo com o sindicato.
Além desses custos, o setor cita a inflação oficial acumulada em 12 meses, de 4,22%, e aumentos nos preços de resinas, embalagens, tampas, lacres, combustíveis, logística e mão de obra.
O reajuste não será necessariamente aplicado de forma igual pelas 35 indústrias de águas envasadas do estado. Segundo Daniel Penteado, o valor final também pode variar conforme os custos praticados por distribuidores e revendedores.
Atualmente, o garrafão de 20 litros é vendido no Rio Grande do Norte por valores que variam entre R$ 9 e R$ 15. “A decisão pela correção é individual e soberana de cada indústria e, principalmente, responsabilidade também do revendedor e todos aqueles que prestam esse serviço à população, com garantia da qualidade e selo fiscal obrigatório”, destaca Daniel Penteado.
Segundo o Sicramirn, a possibilidade de novos aumentos nos próximos meses está relacionada a fatores externos, como variações cambiais, políticas tributárias e mudanças nos regimes e preços de importação de insumos plásticos. “O segmento é contrário a quaisquer reajustes que não sejam os pressionados por esses fatores”, defende.
O proprietário da Prezado Distribuidora, Nelson Simões, informou que pretende repassar cerca de R$ 1 do reajuste ao consumidor. Segundo ele, o garrafão é vendido atualmente por cerca de R$ 10 e deve passar para aproximadamente R$ 11 a partir do reajuste.
A empresa dele vai absorver a maior parte do aumento, reduzindo a margem para evitar um repasse maior ao cliente. “Se a gente dobrar o reajuste, vai ficar pesado para o consumidor. Então fica a critério de cada empresa”, afirmou.
O aposentado João Silva se preocupa com o impacto do reajuste no orçamento. Ele afirma que a família consome cerca de quatro garrafões de 20 litros por mês e que qualquer alta no preço pesa no bolso. “Qualquer aumento, por pequeno que seja, impacta”, afirmou.
O militar Francisco Pontes precisou encontrar uma alternativa para reduzir os gastos com água. Segundo ele, a família deixou de comprar garrafões e passou a utilizar um filtro de água. “Essa mudança foi feita justamente como forma de economizar”, revela.
Reajuste acima da inflação
A coordenadora do Procon-RN, Ana Paula Araújo, explica que o valor definido pelo setor produtivo está acima da inflação. “Por si só, ele não é considerado um aumento abusivo. Mas é importante verificar principalmente nos fornecedores, porque é uma informação divulgada pelo setor produtivo, mas não quer dizer que o fornecedor vai aplicar isso para os consumidores”, afirmou.
O Procon-RN informou que já está coletando os preços praticados antes do reajuste para comparar com os valores que serão cobrados a partir de 5 de outubro. “O que a gente recomenda aos consumidores é que possam fazer pesquisa, verificar e, em qualquer caso, também denunciar ao Procon”, orienta.
As denúncias podem ser feitas pelo WhatsApp (84) 98646-6432 ou presencialmente nas Centrais do Cidadão.
tribuna do norte
