Grupo finge sequestrar filha de idosa e aplica golpe de R$ 500 mil em Natal

Postado em 18 de junho de 2026

A Polícia Civil do Rio Grande do Norte prendeu em flagrante três suspeitos investigados por participação em um esquema de extorsão conhecido como “golpe do falso sequestro”. A ação ocorreu na noite de quarta-feira 17, nos bairros Potengi e Nossa Senhora da Apresentação, na Zona Norte de Natal, e resultou na recuperação integral de joias avaliadas em mais de R$ 500 mil.

Foram presos dois homens, de 24 e 27 anos, e uma mulher, de 25 anos. A operação, denominada “Cativeiro Virtual”, foi desencadeada após uma idosa de 80 anos procurar a Polícia Civil ao perceber que poderia ter sido vítima de um golpe.

Segundo as investigações, a ação criminosa começou por volta das 21h da terça-feira 16, quando a idosa recebeu uma chamada de vídeo por aplicativo de mensagens. Durante o contato, um homem afirmou ter sequestrado a filha da vítima, que estaria supostamente mantida em cárcere privado na cidade de São Paulo.

Para tornar a história mais convincente, uma mulher participou da ligação se passando pela filha da idosa. Durante mais de 12 horas, os criminosos mantiveram a vítima sob intensa pressão psicológica, fazendo ameaças constantes e exigindo a entrega de bens de valor para garantir a suposta libertação da familiar.

Convencida de que a filha corria risco de morte, a mulher entregou uma mala contendo diversas joias a um homem que compareceu ao local em uma motocicleta para recolher os objetos.

Após desconfiar da situação, a vítima procurou a Polícia Civil, que iniciou imediatamente as diligências para localizar os envolvidos e recuperar os bens. Ao longo das investigações, os policiais identificaram os suspeitos responsáveis pelo recebimento, ocultação e encaminhamento do material dentro da capital potiguar.

Durante a operação, os agentes descobriram que a mala já havia sido encaminhada para uma agência dos Correios em Natal e estava pronta para ser enviada ao estado do Rio de Janeiro. A remessa foi interceptada antes do envio, permitindo a recuperação integral das joias e a devolução dos bens à proprietária.

De acordo com a Polícia Civil, há indícios de que a organização criminosa atuava de forma interestadual. Enquanto parte dos integrantes era responsável pelas ligações, ameaças e manipulação psicológica da vítima à distância, os suspeitos presos no Rio Grande do Norte teriam atuado na logística do golpe, recebendo, escondendo e encaminhando os objetos para outros estados.

Os três investigados foram conduzidos à delegacia para os procedimentos legais e, posteriormente, encaminhados ao sistema prisional, onde permanecem à disposição da Justiça.

As investigações continuam com o objetivo de identificar e localizar outros integrantes do grupo criminoso, especialmente aqueles responsáveis pelos contatos telefônicos e pela execução remota da fraude.

Como funciona o golpe
O chamado “golpe do falso sequestro” consiste em fazer a vítima acreditar que um familiar está sob poder de criminosos. Os golpistas entram em contato por telefone ou vídeo, afirmando que a libertação da pessoa depende do pagamento de dinheiro ou da entrega de bens de valor.

Para aumentar a credibilidade da fraude, os criminosos costumam utilizar informações obtidas em redes sociais, reproduzir sons de gritos e choros ou até mesmo contar com comparsas que fingem ser o familiar supostamente sequestrado.

Diante da carga emocional provocada pela situação, muitas vítimas acabam atendendo às exigências dos golpistas sem verificar a veracidade das informações.

Orientações da Polícia Civil
A Polícia Civil orienta que, ao receber esse tipo de ligação, a pessoa mantenha a calma e tente entrar em contato diretamente com o familiar citado pelos criminosos. Também é recomendável procurar outros parentes ou pessoas próximas para confirmar a localização da suposta vítima.

As autoridades reforçam que não devem ser realizadas transferências bancárias nem entregues valores ou objetos antes da confirmação dos fatos.

Outra recomendação é evitar a divulgação excessiva de informações pessoais e rotinas familiares nas redes sociais, já que esses dados podem ser utilizados por criminosos para tornar os golpes mais convincentes.

Em situações suspeitas, a orientação é interromper imediatamente o contato com os golpistas e acionar as forças de segurança para que o caso seja apurado.

AGORA RN