Índice de vacinação contra o sarampo preocupa o RN

O retorno de casos de sarampo no Brasil, após o país eliminar a circulação da doença, acendeu o alerta no Rio Grande do Norte, estado que tem baixo índice de imunização. Após casos confirmados da doença, as secretarias de saúde reforçaram a importância da vacinação. No RN, os indicadores estão abaixo do nível necessário (cobertura de 95%) para assegurar a proteção coletiva.
Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap-RN), a adesão à vacina tríplice viral entre crianças menores de 2 anos atinge 84,73% para a primeira dose e cai para 67,26% para a segunda, no RN. A pasta esclarece que em 2026 não há casos confirmados da doença e 22 casos suspeitos para sarampo/rubéola já foram descartados.
Na capital, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Natal (SMS), a cobertura registrada nesta terça-feira (11) indica que 78,71% das crianças receberam a primeira dose, e 59,88% completaram o esquema vacinal com a segunda dose. Na população geral, os índices são de 89,19% e 73,51%, respectivamente.
A SMS afirma que não há casos de sarampo em investigação na capital potiguar. O último caso confirmado em Natal foi registrado em 2019. “A vacinação é importante para afastar a ameaça de retorno da doença, embora o país mantenha o status de livre da circulação endêmica do vírus. Mas casos importados e relacionados à importação continuam representando uma ameaça, principalmente em cenários de baixa cobertura vacinal”, diz a Sesap-RN.
Segundo a pasta, recomendações nacionais afirmam que pessoas de 12 meses a 29 anos sem vacinação ou sem comprovação adequada devem receber duas doses, enquanto pessoas de 30 a 59 anos devem receber pelo menos uma dose, de acordo com o histórico vacinal.
O sarampo é uma doença viral altamente transmissível e pode se espalhar rapidamente entre pessoas não imunizadas. O Brasil conseguiu eliminar a circulação endêmica do sarampo e recuperou, em novembro de 2024, a certificação de eliminação da doença.
Porém, frisa a Sesap-RN, para manter esse status é preciso haver altas coberturas vacinais, vigilância epidemiológica ativa e resposta rápida diante da identificação de casos. No Brasil, foram confirmados 24 casos da doença em 2026.
Como se vacinar
De acordo com orientações da Sesap-RN, a população potiguar deve procurar uma unidade de saúde, levar a caderneta de vacinação e verificar se está protegida. Quem não possui registro vacinal ou apresenta esquema incompleto deve receber a vacina conforme as recomendações vigentes.
A vacinação contra o sarampo é gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e está disponível na rede pública de saúde. Em Natal, a vacina está disponível gratuitamente nas unidades básicas de saúde e nas unidades de saúde da família da rede municipal, além dos pontos extras dos shoppings Midway Mall e Partage Norte Shopping.
Para pessoas de 12 meses a 29 anos, são duas doses; pessoas de 30 a 59 anos, uma dose; profissionais de saúde sem comprovação de vacinação, duas doses. A vacina é contraindicada para gestantes. Os intervalos entre as doses são de, no mínimo, 30 dias. “O sarampo é uma doença altamente transmissível e pode causar complicações, como pneumonia e encefalite. A vacinação é a principal forma de prevenção e contribui para a proteção individual e coletiva”, diz a SMS Natal.
A SMS afirma que mantém a vigilância epidemiológica e o monitoramento da situação vacinal. “Neste momento, a Campanha de Multivacinação também é uma importante estratégia para ampliar a atualização das cadernetas e oportunizar a vacinação das pessoas que estejam com alguma dose em atraso”, diz a pasta.
Avanço da doença preocupa
Gisele Borba, infectologista do Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol-UFRN), avalia que o avanço recente dos casos de sarampo é preocupante. “O Brasil não tem circulação sustentada de sarampo, os casos recentes têm sido ‘importados’ […] O risco de circulação ampla de sarampo no Brasil não é considerado alto, mas essa baixa cobertura vacinal preocupa”, afirma.
Segundo a médica, a cobertura vacinal está “muito abaixo” da meta de 95%, o que não garante proteção suficiente. Ela explica que o sarampo começa como se fosse um quadro gripal, com sintomas como febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e mal-estar. Depois de 3 a 5 dias, começam a aparecer manchas vermelhas no corpo.
“A pessoa deve procurar o médico se surgir quadro de tosse, coriza e conjuntivite associado a febre alta, ou se tiver contato com caso suspeito. Não é necessário esperar surgirem as manchas vermelhas”, diz Gisele Borba, para quem é importante verificar o cartão vacinal para avaliar se a vacinação está completa.
“Pessoas que vão fazer viagens internacionais devem conferir o cartão de vacina e completar o esquema antes de viajar, principalmente em viagens para as Américas. Em termos de prevenção da entrada e transmissão do vírus em nosso estado, seria importante intensificar os esforços para vacinação”, diz a infectologista.
tribuna do norte
