Mais da metade dos adultos do RN está com o nome sujo; dívidas somam R$ 7,8 bilhões

Postado em 28 de agosto de 2026

O Rio Grande do Norte cruzou uma linha simbólica no endividamento: mais da metade da população adulta do Estado está negativada. São 1.379.226 potiguares com o nome sujo — 51,8% dos adultos —, devendo juntos R$ 7,8 bilhões, segundo os dados mais recentes do Mapa da Inadimplência da Serasa, detalhados em levantamento com recorte estadual. Cada inadimplente potiguar deve, em média, R$ 5.664,86 — e o total se espalha por 4.477.740 dívidas ativas, mais de três por pessoa negativada.

Os números dão dimensão à nota publicada pelo Painel Econômico da edição impressa desta quinta-feira 27 de O Correio de Hoje, que registrou o estoque de aproximadamente R$ 8 bilhões em dívidas no Estado e a queda da pontuação média de crédito do potiguar de 529 para 524 pontos em um ano — o termômetro que define o acesso a empréstimos, financiamentos, cartões e parcelamentos em condições favoráveis.

O quadro potiguar acompanha uma marca histórica nacional. O Mapa da Inadimplência completa dez anos em 2026, e o balanço oficial da Serasa mostra o país com 83,5 milhões de inadimplentes — crescimento de 38% na década — e um dado que revela o caráter crônico do problema: 42% dos negativados de hoje já enfrentavam restrições há dez anos. Ou seja, para quase metade, a dívida não é um acidente de percurso, é uma condição permanente. O Nordeste é a região mais pressionada: mais de 50% dos adultos nordestinos têm restrições no CPF.

Na prática, o nome sujo de um em cada dois adultos muda a economia local inteira. Consumidores negativados adiam compras, perdem acesso ao crediário e pagam mais caro quando conseguem crédito; o comércio enfrenta mais calotes e menos circulação de dinheiro. A recuperação, apontam os levantamentos, depende da combinação entre melhora de renda, juros menores e renegociação — os mutirões de limpeza de nome, como o Serasa Limpa Nome e os feirões periódicos, seguem sendo a porta de saída mais acessível para dívidas antigas, renegociáveis com descontos expressivos.

agora rn