Ministro de Lula, Boulos liga Rogério, apoiador de Álvaro, a escândalo do INSS

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, associou o senador Rogério Marinho (PL-RN) ao escândalo dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões pagas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Rogério é coordenador-geral da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República e um dos fiadores da pré-candidatura de ÁLvaro Dias (PL) ao Governo do Rio Grande do Norte.
Em vídeo publicado nas redes sociais no último sábado 6, Boulos afirmou que o parlamentar potiguar foi informado sobre suspeitas de irregularidades quando ocupava a Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas não teria adotado providências efetivas para combater as fraudes. “Ele foi da Previdência do Bolsonaro, exatamente no momento em que começou o quê? 2019, o escândalo do INSS”, declarou Boulos.
O ministro acrescentou que depoimentos colhidos pela Polícia Federal (PF) e denúncias posteriores indicariam que o então secretário foi alertado sobre as irregularidades. “Os depoimentos que a Polícia Federal colheu, no caso do INSS, levaram a uma enxurrada de denúncias de que ele foi avisado, foi alertado e não fez absolutamente nada”, afirmou.
As declarações fazem referência a informações já divulgadas sobre alertas encaminhados à Secretaria Especial de Previdência e Trabalho durante a gestão Bolsonaro. Entre os registros citados por adversários políticos de Marinho, está um ofício encaminhado pelo deputado federal Fabio Schiochet, que relatava suspeitas envolvendo descontos realizados por entidades associativas em benefícios previdenciários.
Apesar dos alertas, o esquema só foi desmantelado em abril de 2025, quando uma operação conjunta da PF e da Controladoria-Geral da União (CGU) revelou a existência das fraudes. Segundo as investigações, ao longo dos últimos anos, sindicatos e entidades associativas promoveram descontos ilegais deliberados e não autorizados em aposentadorias e pensões — tudo isso com anuência de servidores públicos ligados ao INSS. Pelo menos 4 milhões de beneficiários foram prejudicados.
Ao longo do vídeo, Boulos também direcionou críticas ao papel de Rogério Marinho na articulação política da oposição e à sua proximidade com o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência. No início deste ano, Rogério foi anunciado como coordenador-geral da pré-campanha de Flávio.
Em uma das falas, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência ironizou a presença de Rogério em atos com Flávio. “O Rogério Marinho aparece, às vezes, como o papagaio de pirata do Flávio Bolsonaro”, disse.
Na mesma gravação, Boulos também citou denúncias de que Rogério Marinho teria contratado funcionários fantasmas quando presidia a Câmara Municipal de Natal, há mais de 20 anos. “Ele foi condenado. Em 2004, tinha funcionários fantasmas”, afirmou Boulos.
O episódio mencionado pelo ministro remete a ações judiciais relacionadas ao período em que Marinho exerceu mandato de vereador na capital potiguar e presidiu o Legislativo municipal. O senador já contestou, em diferentes ocasiões, acusações relacionadas ao caso e sustenta que as questões foram enfrentadas no âmbito judicial.
Ao abordar a condenação citada, Boulos fez um paralelo com acusações que atingiram o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante sua trajetória parlamentar. “Até aí o Flávio está sendo coerente, porque o pai dele tinha funcionária fantasma, a Val, que a gente denunciou lá em 2018”, afirmou.
O ministro reproduziu, no vídeo, trecho de sua participação em um debate presidencial de 2018, quando questionou Bolsonaro sobre a servidora conhecida como “Val”, em referência a Walderice Santos da Conceição, ex-assessora parlamentar do então deputado federal.
Reforma Trabalhista
Outro alvo das declarações foi a atuação de Rogério Marinho na tramitação da Reforma Trabalhista aprovada em 2017, durante o governo de Michel Temer.
Na época, Rogério era deputado federal e foi relator da proposta na Câmara dos Deputados. Por isso, Boulos aponta o parlamentar potiguar como um dos principais responsáveis pelo que trata como precarização da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Boulos destacou que Rogério “tem a digital dele no maior retrocesso para a classe trabalhadora da última década, que foi a Reforma Trabalhista”.
Segundo Boulos, a legislação aprovada em 2017 ampliou formas de terceirização e contribuiu para a precarização das relações de trabalho. “Como é que surgiu essa história de que ninguém quer mais ser CLT? É porque, depois da Reforma Trabalhista, trabalhar em CLT se tornou um sacrifício, porque é um trabalho muito precário, você trabalha para caramba, ganha pouco, é terceirizado”, declarou.
O ministro também lembrou que Rogério Marinho criticou recentemente a proposta de redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1. Boulos lembrou que o senador potiguar classificou a proposta como “um crime contra o Brasil”.
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