Polícia Federal rejeita delação de Daniel Vorcaro, mas negociação segue com a PGR

A Polícia Federal rejeitou nesta quarta-feira (20) a proposta de delação premiada apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde 4 de março no âmbito das investigações sobre fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
Segundo fontes ligadas às negociações, a corporação entendeu que Vorcaro não apresentou informações novas relevantes em relação ao material já reunido pelos investigadores.
Apesar da negativa da PF, a defesa do ex-banqueiro segue negociando um acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República (PGR), que demonstrou interesse em prosseguir com as tratativas durante reunião realizada nesta quarta-feira, em Brasília.
Valores, prisão domiciliar e alcance político travam acordo
As negociações giram em torno de três pontos principais: os valores a serem ressarcidos por Vorcaro, estimados em cerca de R$ 50 bilhões; o regime de cumprimento de pena; e o alcance político das revelações.
O ex-banqueiro tenta garantir prisão domiciliar ao menos até eventual julgamento definitivo.
Nos bastidores, investigadores avaliam que Vorcaro possui potencial para implicar autoridades do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF), embora haja temor de resistência política e institucional diante do alcance da colaboração.
PF aponta omissões sobre Flávio Bolsonaro e Ciro Nogueira
Entre os fatores que pesaram contra a proposta apresentada por Vorcaro estão omissões consideradas relevantes pelos investigadores.
Um dos episódios envolve o senador Ciro Nogueira. Segundo a PF, o parlamentar teria recebido vantagens indevidas relacionadas a uma proposta de ampliação da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), tema que não teria sido citado pelo ex-banqueiro em sua colaboração inicial.
Outro ponto foi a ausência de informações sobre a relação de Vorcaro com o senador Flávio Bolsonaro.
Na semana passada, o Intercept Brasil divulgou mensagens e áudios que mostram negociações envolvendo um possível repasse de R$ 134 milhões para financiar o filme “Dark Horse”, ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo investigadores, ao menos R$ 61 milhões já teriam sido transferidos.
Transferência para cela comum aumentou desgaste
Na segunda-feira (18), Vorcaro foi transferido para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
O movimento foi interpretado internamente como mais um sinal do desgaste entre o ex-banqueiro e a corporação, que considera a colaboração seletiva e insuficiente até o momento.
Com informações da CNN Brasil
