Projeto Aldo Parisot emociona público no Teatro Alberto Maranhão com apresentação de jovens de Currais Novos e Caicó

Há uma força invisível que une as salas de concerto ao solo resiliente de Currais Novos e Caicó, no Seridó. O Projeto Aldo Parisot, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), leva o ensino de cordas orquestrais ao interior potiguar. Idealizada e criada em 2022 pelo professor Fabio Presgrave, vice-diretor da Escola de Música da UFRN (EMUFRN), a iniciativa oferece ensino gratuito de violino, viola e violoncelo para mais de 50 estudantes de escolas públicas de 10 a 15 anos.
A orquestra subiu ao palco do Teatro Alberto Maranhão nesta segunda-feira (11), em um concerto com músicas autorais, regionais e clássicos do rock nacional. As aulas acontecem três vezes por semana no Centro de Ensino Superior do Seridó (Ceres) e na Faculdade de Educação, Letras e Ciências Sociais (Felcs). Além da Funpec, o projeto conta com parcerias da Escola de Música da UFRN, da Proex/UFRN, do Instituto Brazilian Shift, do Ceres/UFRN e da Felcs/UFRN.
“Na Escola de Música, vinham muitos meninos do interior estudar e as meninas não vinham. Alguma coisa acontecia nesse caminho, e era a falta de oportunidade. No interior, há muitos instrumentos de bandas, mas não havia as cordas”, descreve Presgrave. Ele explica que o ambiente exclusivamente feminino faz com que as participantes se sintam seguras. “Não temos como mensurar o impacto na vida delas. Para todas, a UFRN agora é parte de suas realidades. Para nós, não importa se seguirão na Música, Medicina, Sociologia ou Arquitetura; o fundamental é que essas meninas vislumbrem o ensino superior como algo acessível a elas.”
Fabio afirma que a meta é expandir o projeto para os quatro campi da UFRN no interior. “Começamos em Caicó e Currais Novos; vamos também para Santa Cruz e Macaíba. Posteriormente, com esses núcleos consolidados, pretendemos ir para outros locais do estado.”
A maestra Edivânia Almeida, de 25 anos, é de Luís Gomes, assim como o violinista Lucas Natanael, professor do Projeto Sesi Solar Cultura. Ambos iniciaram a trajetória musical em projetos sociais de musicalização. “Encontrei um norte. Minha vida é 100% voltada à música. Comecei a ver onde eu poderia chegar e estar à frente de um projeto voltado para meninas é muito gratificante, porque tudo o que elas estão vivendo eu vivi”, afirma Edivânia.
O concerto também foi a primeira apresentação em um teatro para algumas integrantes, como a violoncelista caicoense Helena Dantas, de 15 anos. “O projeto mudou tudo na minha vida. Tornou-me mais madura e sociável”, revela. Ela acredita que a orquestra incentiva outras mulheres. “Como pioneiras do Seridó, estamos incentivando outras a seguirem carreira na música.”
Segundo o escritor e imortal da Academia Norte-rio-grandense de Letras, Diógenes da Cunha Lima, o projeto resgata a figura humana de Aldo Parisot. “Esse trabalho resgata a memória mais rica do Rio Grande do Norte na música e estimula as novas gerações a crescerem junto conosco.” Na plateia, a ocasião também foi marcante para outros estudantes. “É a minha primeira vez aqui e estou achando tudo muito legal”, disse Márcia Sabrina, de 12 anos, aluna da Escola Municipal Dr. Augusto Meira, em Ceará-Mirim.
Convidados especiais prestigiaram o concerto, como as percussionistas Mylãnne Santana e Samá Basílio, além da Orquestra de Cordas Padre Sátiro, de Mossoró; do Conexão Felipe Camarão, de Natal; e da Escola de Música Maestro Claudionor de Oliveira, de Goianinha. A apresentação marcou a abertura da Semana da África, instituída pela Lei nº 11.644, de autoria da deputada Divaneide Basílio.
TRIBUNA DO NORTE
