Rafael reafirma Jean como suplente na chapa apesar de pressão de aliados

Postado em 2 de julho de 2026

O pré-candidato ao Senado Rafael Motta (PDT) reafirmou nesta quarta-feira 1º que o acordo firmado pelo PDT para que o ex-senador Jean Paul Prates (PDT) seja o primeiro suplente em sua chapa permanece válido, apesar das pressões de partidos da base governista que defendem a reabertura da negociação das suplências.

O ex-deputado federal reconheceu que outras legendas manifestaram interesse em ocupar o posto, mas disse que o entendimento firmado internamente pelo PDT continua em vigor e deverá ser respeitado nas conversas da aliança. “O entendimento permanece em relação à questão da suplência. Esse entendimento, no meu olhar, continua, permanece em voga”, afirmou.

Segundo Rafael, o interesse de outras legendas pela vaga demonstra o fortalecimento de sua candidatura, mas não altera o acordo firmado entre as principais lideranças do PDT. “Existe um interesse, realmente, de outras legendas em relação à nossa suplência, o que eu acho interessante, democrático e também legítimo. Mas tem que haver um entendimento e uma conversa muito tête-à-tête entre os presidentes dos partidos. Esse entendimento foi feito, inclusive, com o próprio presidente nacional do PDT e, na minha ótica, permanece”, declarou o pré-candidato.

Rafael admitiu apenas que a segunda suplência continua disponível para negociações. “Existe a segunda suplência que realmente ainda está em aberto. Mas o entendimento que Rafael teve com o Jean Paul, na minha ótica, permanece com toda certeza”, declarou. Ao ser questionado sobre a posição da presidente estadual do PDT, Márcia Maia, respondeu que ela compartilha do mesmo entendimento. “Ela tem o mesmo entendimento.”

A declaração representa uma nova manifestação pública do PDT em defesa do acordo firmado em abril, quando o partido encerrou a disputa interna entre Rafael Motta e Jean Paul Prates pela candidatura ao Senado. Após uma pesquisa encomendada pela legenda, Rafael foi escolhido candidato e Jean Paul aceitou ocupar a primeira suplência dentro de um modelo apresentado pelo partido como um “mandato compartilhado”. Na ocasião, tanto a direção nacional quanto a estadual do PDT trataram a composição como definitiva.

Desde então, porém, o arranjo passou a ser contestado por dirigentes dos demais partidos que integram o campo governista. A presidente estadual do PT e também pré-candidata ao Senado, Samanda Alves, afirmou em maio que as suplências e a vaga de vice-governador ainda estavam sendo negociadas coletivamente entre os partidos da aliança e que não seria possível tratar qualquer espaço como fechado.

O entendimento foi reforçado pelo presidente estadual do PV, Rivaldo Fernandes, e pela presidente do PSB no Estado, Larissa Rosado, que defenderam que toda a composição da chapa majoritária seja construída em conjunto, especialmente diante da possibilidade de ampliação da aliança com novas legendas.

Em 2026, serão dois eleitos por estado. No RN, o grupo que atualmente controla o Governo do Estado trabalha as pré-candidaturas ao Senado de Rafael Motta e de Samanda Alves, em uma composição que tem PT, PV, PCdoB, PDT e PSB, com a possibilidade de adesão de PSDB, Cidadania, Psol e Rede. O PT e outros partidos aliados têm defendido que as suplências do Senado e a vaga de vice sejam definidos coletivamente.

Jean Paul Prates também já havia reagido às articulações. Em entrevista no fim de maio, o ex-senador afirmou que a vaga pertence ao PDT porque o partido não integra a federação formada por PT, PV e PCdoB e aderiu à aliança já com uma composição definida. Segundo Jean Paul, o entendimento foi construído internamente, apresentado pelo presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, e levado tanto à governadora Fátima Bezerra (PT) quanto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Avaliação de Samanda e Zenaide
Na entrevista desta quarta-feira, Rafael também procurou afastar qualquer especulação sobre disputa interna com a outra pré-candidata ao Senado da chapa governista, Samanda Alves. Segundo ele, a aliança trabalha para eleger os dois candidatos ao Senado. “São dois votos. Não existe disputa interna de forma nenhuma. O que tentam colocar para fora é que existe uma discussão, uma não aceitação, e não é dessa forma. Pelo contrário, a gente está caminhando junto, eu, Cadu e Samanda, pelo Estado do Rio Grande do Norte.”

O pré-candidato afirmou que pesquisas internas mostram crescimento simultâneo das duas candidaturas e demonstrou confiança de que a entrada efetiva do presidente Lula na campanha fortalecerá o grupo governista. O presidente é esperado no Oeste potiguar nesta quinta-feira 2. “Quando o presidente Lula entrar no Estado do Rio Grande do Norte e mostrar qual é o seu time, quem são os seus candidatos, que é Samanda, Rafael e Cadu, vai mostrar realmente essa força.”

Também nesta quarta-feira, Rafael fez críticas a atuação política da senadora Zenaide Maia (PSD), que deverá disputar a reeleição integrando a chapa encabeçada pelo ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União). Embora tenha reconhecido serviços prestados pela parlamentar, afirmou que ela adota uma postura contraditória ao apoiar o governo Lula em Brasília e integrar um grupo adversário do PT no Rio Grande do Norte.

“A senadora Zenaide tem o seu serviço prestado ao Rio Grande do Norte, mas comete alguns equívocos em relação a alguns comportamentos. Você pousa em Brasília e começa a atender aos interesses do governo, mas chega aqui no Rio Grande do Norte e trabalha contra um grupo que defende o presidente Lula. Inclusive, ela é uma das líderes do presidente Lula no Senado. Eu acho isso errado.”

Disputa para o Governo
Ao comentar a disputa pelo Governo do Estado, Rafael avaliou que a polarização nacional deverá ser reproduzida no Rio Grande do Norte e classificou Allyson Bezerra como representante da direita. “Já teve, inclusive, apoio ao presidente Bolsonaro. A própria rejeição que ele tem à esquerda potiguar é uma demonstração de que ele é de direita”, afirmou, mesmo diante da aliança do prefeito mossoroense com Zenaide Maia.

Em contraposição aos adversários, o pedetista fez uma defesa enfática da candidatura do ex-secretário da Fazenda Cadu Xavier (PT), pré-candidato do grupo governista ao Executivo estadual. Segundo ele, Cadu reúne qualificação técnica e capacidade política para administrar o Estado.

“Ele é um cara muito técnico, uma pessoa que conhece o Estado como a palma da mão, principalmente em números. É concursado, uma pessoa da confiança da governadora. Mas também sabe fazer política. Ele dá um abraço de verdade, conversa com as pessoas e tem boas intenções. Isso, às vezes, falta em alguns candidatos.”

Por fim, Rafael reforçou que a eleição de 2026 terá forte influência do cenário nacional e voltou a colocar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como principal liderança política do grupo governista no Estado. Declarando-se integrante do “time de Lula”, afirmou que a prioridade da aliança é enfrentar o crescimento do bolsonarismo e disse acreditar que a presença do presidente na campanha será decisiva para impulsionar as candidaturas de Cadu Xavier, Samanda Alves e a sua própria.

“Fazemos parte do time de Lula. A nossa prioridade é também a eleição nacional. A gente está enfrentando uma situação em relação ao crescimento do bolsonarismo e precisa fazer esse enfrentamento. Quando Lula mostrar ao Rio Grande do Norte quem é o seu time, tenho certeza de que muita gente vai caminhar conosco.”

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