RN bate recorde no Ideb, mas aprendizagem ainda preocupa

Postado em 6 de agosto de 2026

O Rio Grande do Norte alcançou em 2025 os melhores resultados de sua série histórica no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), com crescimento nos anos iniciais e finais do ensino fundamental e também no ensino médio. Os números confirmam uma evolução da educação potiguar, mas revelam que o Estado ainda permanece abaixo da média brasileira em todas as etapas e que, sobretudo no ensino médio estadual, a aprendizagem avançou em ritmo bem menor que o índice geral.

Os resultados foram divulgados nesta quarta-feira 5 pelo Ministério da Educação, por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Considerando conjuntamente as redes pública e privada, o Ideb do Rio Grande do Norte passou de 5,3, em 2023, para 5,7, em 2025, nos anos iniciais do ensino fundamental, que abrangem do 1º ao 5º ano. Nos anos finais, do 6º ao 9º ano, o indicador subiu de 4,1 para 4,6. No ensino médio, avançou de 3,7 para 4,2.

São os maiores resultados obtidos pelo Estado desde o início da série histórica. Apesar dos recordes, o RN ainda não conseguiu alcançar as médias nacionais. O Brasil registrou Ideb de 6,3 nos anos iniciais, 5,3 nos anos finais e 4,5 no ensino médio.

A distância em relação ao desempenho brasileiro é, portanto, de 0,6 ponto nos primeiros anos do ensino fundamental, 0,7 ponto nos anos finais e 0,3 ponto no ensino médio. O resultado mostra que houve avanço, mas não o suficiente para retirar o Estado do grupo com os indicadores mais baixos do País, principalmente no ensino fundamental.

Rede estadual deixa a lanterna
A principal melhora ocorreu no ensino médio da rede estadual. Considerando o ensino regular e a educação profissional integrada, o Ideb potiguar passou de 3,2, em 2023, para 4,0 em 2025.

O aumento de 0,8 ponto representa uma alta proporcional de 25%, a maior registrada entre os estados brasileiros. Com o novo índice, o Rio Grande do Norte subiu seis posições no ranking nacional e deixou a última colocação que havia ocupado nos dois levantamentos anteriores.

A nota 4,0 colocou a rede estadual potiguar no mesmo patamar de Acre e Rondônia e acima de Bahia, Maranhão, Amapá, Amazonas, Rio de Janeiro, Roraima e Distrito Federal. Apesar da evolução, o resultado ainda ficou abaixo da média das redes estaduais brasileiras, de 4,3.

Há uma diferença entre os recortes do ensino médio. Quando são consideradas todas as modalidades oferecidas pela rede estadual, incluindo a educação profissional integrada, o índice é 4,0. Quando a análise considera apenas o ensino médio regular, a nota potiguar é 3,9.

O resultado de 2025 é o maior da série histórica do ensino médio estadual no RN. Em 2005, o índice era de 2,6. Depois, passou por pequenas oscilações até chegar a 3,2 em 2019, recuar para 2,8 em 2021, durante os efeitos da pandemia, e retornar a 3,2 em 2023.

Aprovação cresceu mais que aprendizagem
O Ideb é calculado a partir de dois componentes. O primeiro é o desempenho dos estudantes nas provas de língua portuguesa e matemática do Sistema de Avaliação da Educação Básica, o Saeb. O segundo é o fluxo escolar, medido principalmente pelas taxas de aprovação.

Assim, o índice pode crescer tanto porque os estudantes obtiveram notas melhores nas avaliações quanto porque uma parcela maior deles foi aprovada e avançou de série.

No ensino médio estadual do Rio Grande do Norte, a taxa de aprovação saltou de aproximadamente 77% para 93%, um dos maiores crescimentos observados no País. No mesmo período, porém, a evolução das notas de aprendizagem foi modesta.

Em matemática, a média da rede estadual passou de 253,69 para 254,60 pontos. Em língua portuguesa, subiu de 257,71 para 260,73. Os dados mostram que parte significativa da elevação do Ideb foi provocada pela melhora do fluxo escolar, e não por um avanço proporcional no domínio dos conteúdos.

O aumento da aprovação não é, por si só, negativo. A repetência excessiva pode ampliar a distorção entre idade e série, desestimular os estudantes e contribuir para o abandono da escola. O desafio é garantir que a redução das reprovações seja acompanhada da recuperação dos conteúdos que não foram assimilados.

Governo nega influência da progressão parcial
O crescimento da aprovação colocou em debate a política de progressão parcial adotada na rede estadual. A modalidade permite que estudantes avancem de série mesmo mantendo pendências em até seis componentes curriculares. As disciplinas nas quais houve reprovação devem ser cursadas posteriormente, paralelamente às atividades regulares do ano seguinte.

A Secretaria Estadual da Educação nega que a ampliação da progressão parcial tenha provocado artificialmente a alta do Ideb. Segundo a secretária Socorro Batista, 377 estudantes ficaram com pendência em seis disciplinas durante 2025 e 520 acumularam reprovação em cinco componentes.

De acordo com a pasta, esses estudantes representaram um impacto estimado em apenas 0,35% sobre o universo dos que concluíram o ensino médio. A Secretaria afirma ainda que a progressão parcial existe na rede desde 2016 como instrumento para reduzir a evasão e o abandono escolar.

O Governo do Estado atribui a evolução do Ideb a ações de recomposição da aprendizagem, acompanhamento das escolas, ampliação do ensino em tempo integral e da educação profissional, investimentos em tecnologia e intervenções na infraestrutura das unidades de ensino.

A rede estadual tem aproximadamente 108 mil estudantes matriculados no ensino médio. Segundo o Governo, mais de 34 mil alunos são atendidos atualmente em 248 escolas de tempo integral. A educação profissional alcança cerca de 25 mil matrículas em 144 unidades.

Desafio é transformar aprovação em conhecimento
O resultado do Ideb representa uma melhora concreta para o Rio Grande do Norte. O Estado alcançou os maiores índices de sua história nas diferentes etapas da educação básica e, no ensino médio estadual, deixou a última posição nacional.

O recorde, entretanto, não elimina os problemas históricos. O RN continua abaixo das médias brasileiras e ainda apresenta desempenho baixo nos anos finais do ensino fundamental, etapa considerada um dos principais gargalos da educação potiguar.

No ensino médio, a diferença entre o crescimento da aprovação e a evolução mais discreta das notas do Saeb exige atenção. O próximo desafio será transformar a maior permanência dos jovens na escola e a redução das reprovações em aprendizagem efetiva.

Para consolidar o avanço, o Estado precisará acelerar a recuperação das defasagens em leitura, interpretação, escrita e matemática. Sem essa evolução, o Rio Grande do Norte poderá ter uma rede que aprova mais estudantes, mas que ainda não consegue assegurar plenamente o conhecimento esperado ao final de cada etapa.

NOTA DE ATUALIZAÇÃO

Matéria atualizada nesta quinta-feira 6 para incluir os resultados de todas as etapas da educação básica, comparações com as médias nacionais e dados sobre aprendizagem e fluxo escolar.

Agora RN