RN pode sofrer com ondas de calor por conta do Super El Niño

A primavera no Brasil começou oficialmente nesta terça-feira (22). Junto com a nova estação, vem o fenômeno de um “El Niño atípico” e mais forte. A tendência é que o Rio Grande do Norte sofra com fortes ondas de calor e estiagem no interior do Estado.
Segundo o gerente do Serviço de Meteorologia da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), Gilmar Bristot, o fenômeno vai provocar algumas consequências para cidades do Estado que dependem dos reservatórios de água.
“O interior do Estado pode apresentar pouca umidade agora e nos próximos meses. Isso também vai influenciar na evaporação dos reservatórios, porque se você tem menos água na atmosfera, menos umidade na atmosfera, há uma facilidade de você evaporar essa água na superfície dos mananciais”, detalhou.
O meteorologista, também, alerta para o aumento da sensação térmica no Rio Grande do Norte junto com o início da pré-estação chuvosa nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro.
“A temperatura vai ficar acima do normal. Aqui no litoral, a tendência também é de uma sensação térmica maior, porque vai ter pouca circulação do vento, o ar parado esquenta e dificulta a transpiração das pessoas”, explica.
“Que aí até meados de dezembro você tem a primavera, podem acontecer algumas pancadas de chuvas, porque nós teríamos aí a pré-estação chuvosa. Os sistemas meteorológicos que passam a atuar nesse período, eles independem do comportamento do Oceano Pacífico”.
O El Niño – naturalmente – enfraquece os ventos alísios que chegam até o Rio Grande do Norte. Com isso, a circulação da atmosfera global é alterada, o que favorece a formação de bloqueios atmosféricos que impedem o deslocamento de frentes frias e massas de ar.
No interior do RN, a umidade do ar vai ficar mais baixa por conta desses bloqueios, o qual facilitaria o período de estiagem na região.
“Em outubro, novembro e dezembro quase não chove ou chove muito pouco. Com a presença do “El Niño”, a tendência é chover menos ainda. O “El Niño” vai impor uma mudança na circulação dos ventos, podendo causar alguns bloqueios atmosféricos, favorecendo o aumento da temperatura aqui no litoral, principalmente”, especificou.
As regiões sudeste e sul do Brasil vão sofrer com frentes frias, com os termômetros caindo de forma mais acentuada. No entanto, esse movimento climático pode ter efeitos no Nordeste.
“Então, como o El Ninho facilita a entrada de frentes frias no sul do país, até a região de Minas Gerais, nós poderíamos ter aí algumas chuvas acontecendo em dezembro e janeiro, em virtude da chegada dessas frentes frias e favorecendo, assim, a formação de sistemas transientes aqui no Nordeste, favorecendo a formação de chuvas. Então, tem essa possibilidade”, comentou.
Tribuna do Norte
