RN registra alta de 13% nos casos de dengue no primeiro trimestre

Postado em 14 de abril de 2026

O Rio Grande do Norte registrou aumento de 13,02% nos casos de dengue no primeiro trimestre de 2026, segundo o Ministério da Saúde, passando de 1.943 para 2.196 notificações em relação ao mesmo período do ano anterior. O RN é o terceiro estado do Nordeste com maior incidência de casos.

Só em março deste ano, o estado registrou 1.216 casos de dengue — o maior volume mensal do trimestre e superior aos 962 contabilizados no mesmo período de 2025. No primeiro trimestre de 2026, registrou-se a morte de um adolescente de 12 anos, natural de Tibau, que estava internado em uma unidade de saúde em Mossoró, onde recebeu atendimento em estado crítico. Outros três óbitos estão em investigação.


A cada 100 mil habitantes, foram registrados 68,8 casos de dengue no período analisado. No ranking, o Rio Grande do Norte aparece atrás apenas do Piauí, com 125,7 casos por 100 mil habitantes, e do Maranhão, com 74,5 casos por 100 mil habitantes no primeiro trimestre de 2026. Dos 2.196 casos de dengue registrados no primeiro trimestre, 22 foram considerados graves no estado.

A dengue atinge, em sua maioria, mulheres, que representam 52% dos casos registrados. Em relação à faixa etária, a maior incidência ocorre entre pessoas de 20 a 29 anos. A maioria dos casos ocorre entre pessoas pardas (53,1%), seguidas por brancas (21,5%), pretas (2,5%) e indígenas (1%).


Outras arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti apresentaram queda no estado. No caso da chikungunya, no primeiro trimestre de 2026, foram registrados 410 casos, frente a 445 no mesmo período de 2025. Já os casos de Zika caíram de 1.533 em 2025 para 952 em 2026.


A infectologista do Huol-UFRN-Ebserh Gisele Borba explica que o aumento nos casos de dengue tem relação com o período do ano. “Casos de dengue costumam aumentar em períodos chuvosos, quando se tem a deposição de água parada, onde os insetos depositam seus ovos”, destaca.

Para conter o avanço dos casos, ela recomenda a atenção contínua da população às medidas de prevenção já conhecidas. “As medidas já conhecidas de evitar acúmulo de água parada permanecem importantes. É indicado que as pessoas busquem reservatórios de água parada em torno e dentro de casa pelo menos uma vez por semana, ou sempre após uma chuva maior. Assim, evitam-se os criadouros de mosquitos”, explica a infectologista.


Os principais sintomas da dengue incluem febre alta de início repentino, dor de cabeça intensa, dores musculares e articulares, dor atrás dos olhos e manchas vermelhas pelo corpo. A doença também pode causar prostração e náuseas, com duração média variando entre dois e sete dias.


Conforme a especialista, uma diferença importante em relação às viroses respiratórias é a ausência de sintomas como coriza, obstrução nasal e tosse. A dengue é frequentemente descrita como uma “gripe seca”, em que a febre e as dores no corpo se destacam como sinais mais característicos.

Segundo ela, uma das formas consideradas mais eficazes de prevenção é a vacinação. A imunização de grupos prioritários tem como objetivo reduzir a ocorrência de casos graves da doença e a pressão sobre o sistema de saúde. Além da oferta na rede pública, a vacina também pode ser encontrada na rede privada.

Vacina


A vacinação contra a dengue é voltada, na rede pública, a grupos prioritários, com destaque para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária que apresenta maior risco de desenvolver formas mais graves da doença.


Segundo Gisele Borba, a estratégia busca reduzir a ocorrência de casos graves nesse público. “A gente ainda não tem vacina disponível na rede pública para que haja realmente uma diminuição muito grande de casos, como você tem em uma vacinação em massa”, defende.


Apesar da alta nos casos, a procura pela vacinação contra a dengue ainda é considerada baixa, segundo profissionais das Unidades Básicas de Saúde de Natal. Mesmo com a disponibilização de diferentes imunizantes no sistema público, a adesão da população segue abaixo do esperado entre o público-alvo prioritário.


De acordo com Verushka Ramos, chefe do Núcleo de Agravos Imunopreveníveis (NAI) de Natal, a baixa procura está relacionada ao receio de reações adversas após a aplicação. “As pessoas têm muito receio de tomar a vacina por conta das reações que a vacina dá. Ela é bem reatogênica. Então isso é um ponto negativo dela”, destaca.


Os efeitos mais comuns da vacina contra a dengue incluem dor no local da aplicação, dor de cabeça, cansaço, mialgia (dor muscular) e febre. Essas reações costumam surgir nas primeiras 72 horas após a aplicação e, em geral, são leves e temporárias.


Atualmente, o estado trabalha com duas vacinas contra a dengue. Uma delas, da Takeda, incorporada em 2024, é aplicada em duas doses e voltada para adolescentes de 10 a 14 anos. Já a vacina do Instituto Butantan, de dose única, passou a ser utilizada mais recentemente e é destinada a pessoas de 15 a 59 anos, mas com foco em trabalhadores da atenção básica de saúde, sendo distribuída nas unidades onde esses profissionais atuam.


Verushka Ramos aponta que, embora haja disponibilidade de vacinas para os grupos prioritários, a procura ainda não acompanha a oferta das doses. Segundo ela, esse cenário mantém a cobertura vacinal abaixo do ideal.


A vacina contra a dengue é uma das estratégias utilizadas na saúde pública para reduzir o risco de formas graves da doença, hospitalizações e mortes. Ela atua estimulando o sistema imunológico a desenvolver proteção contra os quatro sorotipos do vírus, contribuindo para a diminuição da circulação da doença na população.

tribuna do norte