RN tem quarto maior preço médio da gasolina do Nordeste

Postado em 30 de junho de 2026

Mesmo após duas reduções consecutivas no preço da gasolina A na Refinaria Clara Camarão, o Rio Grande do Norte registrou o quarto maior preço médio do combustível entre os estados da região Nordeste, com o litro sendo vendido a R$ 6,96. O valor mínimo identificado nos postos foi de R$ 6,45, e o máximo, de R$ 7,59. É o que aponta o último relatório semanal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), correspondente ao período de 21 a 27 de junho, com base em dados coletados em 31 postos.


O preço médio da gasolina no Rio Grande do Norte é superado apenas pelo registrado nos estados de Sergipe (R$ 7,12), Bahia (R$ 7,07) e Pernambuco (R$ 6,98). Em relação à semana anterior, quando o valor era de R$ 6,80, o preço do combustível no RN aumentou 2,35%.


O aumento aconteceu na mesma semana em que a Brava Energia anunciou, pela segunda semana consecutiva, a redução nos preços da gasolina A e do diesel A S500 comercializados na Refinaria Clara Camarão, em Guamaré. No caso da gasolina A, conforme a atualização dos valores publicada na última quinta-feira (25), o preço passou de R$ 3,81 para R$ 3,75 por litro, redução de R$ 0,06. Na semana anterior, o preço do combustível tinha caído R$ 0,18, saindo de R$ 3,99 para R$ 3,81.

De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados Petróleo do Rio Grande do Norte (Sindipostos/RN), Maxwell Flor, a redução ainda não está sendo observada pelo consumidor final por conta do aumento dos preços das distribuidoras para os postos revendedores.


“A justificativa, segundo elas [distribuidoras], é uma restrição em seus estoques, o que faz com que o preço acabe aumentando. Há relatos de atraso nos navios que suprem essas distribuidoras. Como os postos não compram diretamente da refinaria, dependemos que as distribuidoras também promovam essa redução, para que o consumidor possa ser beneficiado”, aponta o presidente.


Maxwell Flor afirma que a redução nos estoques faz com que as distribuidoras priorizem os postos que atuam na promoção das suas marcas. Além das distribuidoras do Rio Grande do Norte, os postos locais compram gasolina da Paraíba, Pernambuco e Ceará.

“Os postos de marca própria, que não possuem vínculo com nenhuma distribuidora, sofrem mais nesse período, pois as distribuidoras não têm a obrigação de fornecer para eles. Como os postos de marca própria representam quase 50% do mercado, isso acaba refletindo nos preços”, esclarece.


A reportagem da TRIBUNA DO NORTE visitou dois postos em Natal na manhã dessa segunda-feira (29) e verificou que os valores seguem a estimativa divulgada pela ANP. Em um estabelecimento no bairro Lagoa Nova, zona Sul da capital, o litro da gasolina estava sendo vendido a R$ 6,92. Já em um posto na Ribeira, na zona Leste, o valor era de R$ 6,95.


O economista Helder Cavalcanti explica que, além das dinâmicas de estoque, a falta de repasse das reduções para o consumidor final pode ser explicada pelo fato da redução anunciada pela Refinaria Clara Camarão incidir sobre a gasolina A, produzida antes da adição do etanol anidro. Esse combustível, por sua vez, é comercializado com as distribuidoras, que realizam a mistura obrigatória com cerca de 27% de etanol anidro, formando a gasolina C, vendida nos postos.

“Isso significa que o preço da gasolina A representa apenas uma parte do valor pago pelo consumidor. Ao longo da cadeia de comercialização, ainda são incorporados o custo do etanol, transporte, armazenagem, distribuição, tributos e as margens das distribuidoras e dos postos”, esclarece o economista.


Segundo Helder Cavalcanti, fatores externos também exercem influência no valor final da gasolina, como as oscilações da cotação internacional do petróleo e da taxa de câmbio. “Como o petróleo é negociado em dólar, qualquer valorização da moeda americana tende a aumentar os custos dos combustíveis no mercado brasileiro”, destaca.


Para as próximas semanas, o economista esclarece que a perspectiva é de relativa estabilidade nos preços, mas isso vai depender da estabilidade de fatores externos. Ele ainda observa que o consumidor não deve sentir uma redução na mesma intensidade da anunciada pela refinaria, uma vez que o preço final incorpora outros custos ao longo da cadeia de distribuição.


A diretora-geral do Procon Natal, Dina Perez, aponta que nas últimas duas semanas as equipes de fiscalização do órgão intensificaram o levantamento de dados e o acompanhamento dos repasses na cadeia de combustíveis na capital. Até o momento, ela observa que não foi constatado abuso generalizado que viole o Código de Defesa do Consumidor ou reajustes arbitrários.


“Caso o consumidor identifique discrepâncias muito acima da média ou suspeite de postos agindo em desconformidade com a legislação, a orientação é registrar a denúncia formalmente junto aos canais de atendimento do Procon Natal para que uma equipe de fiscalização seja enviada ao local”, aponta a diretora-geral.

Preço médio
(Nordeste)
R$ 7,12 – SE
R$ 7,07 – BA
R$ 6,98 – PE
R$ 6,96 – RN
R$ 6,85 – CE
R$ 6,85 – MA
R$ 6,83 – PI
R$ 6,66 – AL
R$ 6,51 – PA

TRIBUNA DO NORTE