RN vai identificar desaparecidos com DNA

O Rio Grande do Norte iniciou nesta segunda-feira (24) uma mobilização para ampliar a coleta de material genético de pessoas com algum familiar que desapareceu. A ação integra a Campanha Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas e busca aumentar o número de perfis genéticos disponíveis para cruzamento com amostras de pessoas vivas sem identificação e de restos mortais ainda não identificados. O Estado tem uma estimativa de 500 restos mortais não identificados, enquanto aproximadamente 200 famílias já tiveram material coletado por terem parentes desaparecidos.
A campanha terá um Dia D nesta quarta-feira e segue até a sexta-feira (28). São quatro pontos de atendimento no Estado: Natal, Mossoró, Caicó e Pau dos Ferros. “Existe um número grande de pessoas desaparecidas. Isso é a realidade”, afirmou o chefe do Laboratório de Genética Forense da Polícia Científica do RN, Fabrício Fernandes.
O perito ressalta, porém, que não há um número oficial consolidado, principalmente porque nem todas as famílias registram os desaparecimentos. A coleta de DNA é realizada gratuitamente e de forma contínua, por meio de material da mucosa oral. O material é transformado em um perfil genético e inserido na rede de bancos que permite o confronto em âmbito nacional.
O familiar precisa ter registrado o desaparecimento em um boletim de ocorrência e pode procurar o laboratório ou uma das unidades regionais. Segundo ele, também é importante que a família comunique quando a pessoa for localizada, para que o caso seja retirado dos registros de desaparecimento. “A única forma de localizar e identificar esses cadáveres é coletando material genético”, explicou.
A dimensão nacional do banco é considerada fundamental porque o local onde uma pessoa desaparecida é encontrada pode estar distante de onde a família vive. O próprio Rio Grande do Norte já teve um caso em que o mecanismo permitiu identificar um pescador que havia desaparecido após sair do Estado.
Fabrício lembra que a família forneceu material genético no RN e o cruzamento encontrou compatibilidade com restos mortais localizados no estado de Santa Catarina. “Se ela não tivesse cedido material genético, a gente ia conseguir identificar um cadáver que nem aqui estava”, afirmou o perito.
O banco também pode ajudar a localizar pessoas que estejam vivas, mas sem condições de informar a própria identidade. São situações que podem envolver pacientes hospitalizados ou pessoas em situação de vulnerabilidade, por exemplo. “Geralmente somos provocados por outras instituições, seja um hospital, delegacia, serviço de assistência social, porque geralmente são pessoas em situação de vulnerabilidade”, explica a perita Lara Lys. O perfil da pessoa é então inserido no sistema e pode ser confrontado com o material fornecido por familiares que estejam procurando por ela.
A mobilização desta semana intensifica um trabalho que já é realizado rotineiramente pela Polícia Científica desde 2021. A coleta pode ser feita durante todo o ano, não apenas durante campanhas nacionais, e os perfis permanecem disponíveis para novos confrontos. Assim, mesmo quando não existe uma correspondência imediata, uma futura amostra incluída no banco pode permitir a identificação. A Polícia Científica orienta que familiares de 1º grau, principalmente pais, mães, filhos e irmãos, participem da campanha.
Tribuna do Norte
