Robério Paulino critica Allyson Bezerra e diz ver “vazio de propostas” por trás do chapéu de couro

Postado em 22 de maio de 2026

Robério tentou enquadrar Allyson como candidato de direita, apesar do discurso de origem popular, e de centro, explorado pelo ex-prefeito. “O Álvaro Dias vai representar a extrema-direita, e o Allyson é uma serpente de duas cabeças. O rabo da serpente está no União Brasil, que é um partido de direita”, afirmou.

Na sequência, o pré-candidato do Psol colocou Allyson e Álvaro no mesmo campo político. “Álvaro e Allyson são farinha do mesmo saco. O centro da nossa campanha vai ser a defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como presidente, e aqui vamos enfrentar esses dois candidatos”, disse.

Robério afirmou que sua campanha não terá como eixo central atacar Cadu Xavier, nome do PT ao Governo, embora tenha críticas à gestão da governadora Fátima Bezerra (PT), de quem Cadu foi secretário da Fazenda. Segundo Robério, a prioridade será confrontar as candidaturas que considera de direita.

A crítica mais contundente veio quando Robério tratou do chapéu de couro, símbolo que Allyson incorporou à pré-campanha e que já virou tema de embate político no Estado. “Vamos desmascarar Allyson. O problema é o que tem embaixo do chapéu. Um vazio de propostas para o Estado. Não é que nós não queremos ver fantasia. Allyson Bezerra é um grande ator”, declarou.

Polêmica do chapéu
A declaração de Robério se soma a uma polêmica recente em torno do acessório. No início deste mês, o senador Rogério Marinho (PL) ironizou o uso do chapéu por Allyson, chamando o item de “chapéu esquisito” e afirmando que havia uma candidatura “que não fede, nem cheira”. A fala provocou reação imediata do ex-prefeito de Mossoró, que acusou Rogério de preconceito, arrogância e distanciamento da cultura popular nordestina.

Allyson respondeu dizendo que o chapéu de couro representa o trabalhador do campo, o sertanejo e quem enfrenta o sol para sobreviver. Também lembrou que Rogério já havia elogiado o mesmo chapéu em 2022, quando buscava apoio eleitoral em Mossoró. A partir daí, o acessório passou a ocupar espaço ainda maior na pré-campanha, como símbolo de origem, identidade regional e contraponto às críticas de adversários.

Robério, porém, tentou deslocar a discussão. Em vez de atacar o chapéu como símbolo cultural, mirou o que considera ausência de programa por trás da imagem. A crítica do pré-candidato do Psol busca atingir justamente um dos pontos fortes de Allyson, que construiu capital político a partir de uma comunicação direta, popular e fortemente ancorada na experiência administrativa em Mossoró.

Cenário eleitoral
Apesar do tom duro, Robério reconheceu a habilidade política do ex-prefeito. Disse que Allyson é “muito simpático” e está percorrendo o Estado, mas afirmou que, nos debates, pretende cobrar compromissos concretos. “Mas nós, no debate, vamos cobrar dele compromissos. O professor Robério vai apresentar, o Psol vai apresentar propostas, soluções reais para problemas reais do Estado”, afirmou.

Allyson foi eleito prefeito de Mossoró em 2020 e reeleito em 2024 com votação ampla. A partir desse desempenho, passou a se projetar como nome competitivo para a sucessão estadual. Em fevereiro deste ano, lançou a pré-candidatura ao Governo no evento RN do Futuro, em Natal. Ele tem o apoio de oito legendas: União Brasil, PP, MDB, PSD, Republicanos, Solidariedade, PRD e Avante.

A composição política de Allyson também foi usada por Robério para reforçar a crítica. O pré-candidato do Psol argumenta que, embora o ex-prefeito tente se apresentar como alternativa popular, está abrigado em um partido de direita e cercado por lideranças tradicionais. O grupo conta com o apoio do vice-governador Walter Alves (MDB), que rompeu com o campo governista no plano estadual e passou a apoiar Allyson. O pré-candidato a vice na chapa é o deputado estadual Hermano Morais (MDB), indicação ligada a Walter.

Na entrevista, Robério também procurou diferenciar sua candidatura da de Cadu Xavier. Disse que o PT procurou o Psol para discutir apoio à chapa governista, mas afirmou que a proposta feita ao partido foi insuficiente. Segundo ele, o PT pediu a retirada da candidatura própria do Psol e ofereceu apenas a incorporação de propostas ao programa. “Não nos propôs praticamente nada. Propôs incorporar nossas propostas no programa, mas o papel aceita tudo”, disse.

Robério afirmou que sua pré-candidatura está mantida e que o Psol tem autonomia política. Entre as propostas que pretende apresentar estão erradicação do analfabetismo em dois anos, ampliação da educação em tempo integral, convocação de concursados, valorização dos servidores e um plano acelerado de industrialização do Estado.

Ao defender a industrialização, Robério afirmou que o RN importa produtos que poderia fabricar, como água sanitária, sabonete, detergente e fertilizantes. “Nós vamos tentar trazer o Rio Grande do Norte para o futuro com um plano ousadíssimo de industrialização para gerar milhares de empregos, produzir aqui tudo o que possa ser produzido”, afirmou.

Por O Correio de Hoje