Rogério Marinho diz que não foi avisado sobre saída de Flávio do Brasil

Postado em 28 de outubro de 2026
Parlamentares da oposição conversam com jornalistas sobre julgamento que analisa a abertura de investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Líder da oposição no Senado, senador Rogério Marinho (PL-RN) durante entrevista. Foto: Ton Molina/Agência Senado

O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), afirmou no início da noite desta terça-feira (27) que não foi informado sobre uma possível saída do senador do Brasil. Ele disse que o partido ainda não sabe onde Flávio está. Mesmo assim, afirmou que “compreende” a decisão, caso o aliado tenha deixado o país com a família.

“Nós todos não temos ainda informações sobre o seu paradeiro, apenas algumas notícias que já saíram na imprensa, inclusive de outros países, que demonstram que pode ter havido um deslocamento do senador Flávio para um outro país”, declarou.

Segundo Marinho, o último contato foi uma mensagem de texto enviada por Flávio por volta das 8h. “Ele dizia que iria dar um tempo hoje e que depois conversaria conosco. E pronto, foi a única comunicação que eu tive com ele”, relatou. O coordenador acrescentou que nem o senador nem os advogados dele explicaram “o que de fato aconteceu”.

Surpresa

Marinho contou que esteve com Flávio na segunda-feira (26) até por volta das 16h. Na conversa, segundo ele, os dois trataram da necessidade de agradecer aos eleitores e de o senador, que teve “quase 60 milhões de votos”, assumir a liderança da oposição. “Nós temos um governo que claramente tem feito mal ao país, na nossa avaliação, e é necessário estarmos vigilantes agora, nesse final de ano e nos quatro anos subsequentes. Então, claro que ficamos surpresos”, afirmou.

Questionado sobre uma suposta manifestação de Donald Trump a respeito de receber Flávio nos Estados Unidos, Marinho disse não ter essa informação.

Críticas a Moraes e à PF

O coordenador direcionou as críticas ao inquérito que investiga Flávio e o advogado Willer Tomaz no STF. Na segunda-feira, o ministro Alexandre de Moraes proibiu o senador de deixar o país e mandou que ele entregasse os passaportes à Polícia Federal.

Segundo Marinho, a investigação se apoia em três pontos: fotografias, viagens feitas em conjunto e, “sobretudo”, a suspeita de uma conta conjunta entre Flávio e o advogado. O senador afirmou que, na manhã do domingo de eleição (25), o banco informou a Moraes que a conta nunca esteve em nome de Flávio. “O principal argumento para a manutenção desse inquérito cai por terra às dez da manhã do domingo”, disse.

Marinho também apontou a sequência dos pedidos. Segundo ele, o resultado foi proclamado às 20h44, a PF pediu as medidas cautelares sete minutos depois e Moraes as concedeu cerca de uma hora e meia mais tarde. “É uma coincidência que precisa ser analisada pela sociedade”, afirmou. “Me parece uma preparação para uma coisa mais persecutória.”

Ao ser questionado se a afirmação equivalia a um aval à saída do país, Marinho ponderou: “Eu disse que compreendo, eu não disse que concordo. Eu não fui informado, então eu não pude dizer sim ou não“.

Congresso e “sobrevivência da democracia”

Marinho disse que a reunião do PL nesta terça também tratou de outro tema: a eleição para as presidências da Câmara e do Senado. Ele não deu detalhes sobre as articulações.

O senador voltou então a comentar o cenário político e citou o deputado Jilmar Tatto (PT-SP). Segundo Marinho, o petista afirmou da tribuna da Câmara que teria informações privilegiadas da Polícia Federal e que outras pessoas da direita seriam presas. “Isso é muito grave”, disse.

O coordenador também mencionou o inquérito aberto nesta terça pelo ministro Flávio Dino, do STF, sobre suposta interferência estrangeira nas eleições. Marinho lembrou que o uso de recursos de organizações estrangeiras em campanha está entre os motivos que podem levar à cassação do registro de um partido político. A Lei dos Partidos Políticos prevê o cancelamento do registro da legenda que receber recursos de procedência estrangeira.

“Então é muito sério o que está acontecendo no Brasil. Se a democracia vai sobreviver, vai depender da vigilância das instituições. Nós temos que ter muito cuidado com o que está acontecendo no país”, concluiu.