Saúde vira tormento político para Governo Fátima na Assembleia

Postado em 8 de maio de 2026

Deputados estaduais de oposição voltaram a criticar, nesta quinta-feira 7, a gestão do Governo do Estado na área da saúde. Em pronunciamentos na Assembleia Legislativa, os parlamentares cobraram providências para problemas no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel e citaram a falta de medicamentos na Unicat e o crescimento da fila de cirurgias eletivas.

O tom mais duro partiu do deputado Gustavo Carvalho (PL), que cobrou respostas sobre a situação dos elevadores do Walfredo Gurgel. Com os dois equipamentos quebrados, pacientes estão sendo carregados em macas pelas escadas e outros foram transferidos.

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde (Sesap), desde o início da pane — na última terça-feira 5 —, seis pacientes foram transferidos para outras unidades da rede estadual.

Para Gustavo Carvalho, a situação dos elevadores é apenas um retrato de um quadro mais amplo. O parlamentar também lembrou que a fila de cirurgias reprimidas no Rio Grande do Norte passou de 14 mil, no governo Robinson Faria, para 47 mil durante a gestão da governadora Fátima Bezerra (PT).

Segundo ele, a realidade vivida por pacientes não corresponde à propaganda oficial de melhora da saúde. “Eu não posso chegar na Assembleia e não repercutir essas coisas, esses fatos. Eu não posso chegar na Assembleia e não demonstrar a minha insatisfação com o que estou vendo, porque são vidas que estão sendo ceifadas em todo o Rio Grande do Norte”, declarou.

O deputado relatou ainda ter recebido apelo de uma pessoa da região Agreste cujo pai teria sofrido um AVC e estaria há 72 horas aguardando atendimento especializado. De acordo com o parlamentar, o paciente esperava avaliação de um neurologista e corria risco de sofrer um agravamento do quadro. Gustavo afirmou que quem não tem plano de saúde “está morrendo à míngua” e defendeu que a saúde seja tratada como “prioridade zero” pelo Governo do Estado.

A defesa do governo foi feita pelo deputado Francisco do PT (PT), líder da gestão Fátima Bezerra na Assembleia. Ele disse que buscaria informações sobre o problema dos elevadores e afirmou compreender o papel fiscalizador dos parlamentares, sobretudo em uma área sensível como a saúde. Ao mesmo tempo, sustentou que o setor enfrenta dificuldades estruturais, como subfinanciamento, defasagem da tabela SUS e responsabilidades compartilhadas entre União, Estado e municípios.

Francisco afirmou que o governo Fátima cumpre os limites constitucionais de aplicação de recursos em saúde e educação e disse que gestões anteriores nem sempre cumpriram essas obrigações. Também citou entregas da atual administração, como a conclusão do Hospital da Mulher de Mossoró e a ampliação da cobertura do Samu, que, segundo ele, já alcança 83% do território potiguar, com meta de chegar a 100%.

Em relação aos elevadores do Walfredo, o líder governista disse que os equipamentos estão em manutenção, mas que são antigos e há dificuldade de reposição de peças. Francisco informou ainda que a Sesap abriu processo para aquisição de quatro novos elevadores e que está sendo feito reordenamento para transferir pacientes que dependam obrigatoriamente desses equipamentos para outros hospitais da rede.

A oposição, no entanto, ampliou o cerco. O deputado Luiz Eduardo (PL) rebateu o argumento de comparação com governos anteriores e afirmou que o Estado precisa resolver os problemas atuais. “O retrovisor pode ser até parâmetro, mas o para-brisa é a direção”, disse. Para ele, a saúde do RN precisa de planejamento para enfrentar, ao mesmo tempo, a demanda diária e o passivo acumulado de cirurgias.

Luiz Eduardo citou também problemas na Unicat, registrando que cerca de metade das medicações que deveriam estar disponíveis estão em falta na central, incluindo remédios importantes para tratamento oncológico, insulinas e medicamentos de uso contínuo.

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