Terceirizados da saúde entram em greve por salários atrasados e Sesap diz ter repassado R$ 6 milhões

Postado em 20 de agosto de 2026

Trabalhadores terceirizados da rede estadual de saúde do Rio Grande do Norte iniciaram greve cobrando salários atrasados, resultado da falta de repasses às empresas prestadoras de serviço. A Secretaria Estadual de Saúde informou ter transferido cerca de R$ 6 milhões na sexta-feira 14. Parte das empresas efetuou os pagamentos; outras ainda não haviam regularizado a situação.

A paralisação atinge serviços de apoio que sustentam o funcionamento cotidiano dos hospitais — limpeza, alimentação, recepção e manutenção. São funções sem as quais a assistência não se sustenta, ainda que não apareçam na linha de frente do atendimento.

Um ciclo que se repete
O episódio não é isolado. Em julho, a mesma cobrança já havia mobilizado a categoria, e a Sesap informou na ocasião ter repassado mais de R$ 4 milhões a seis empresas terceirizadas, com pagamentos adicionais nos dias seguintes. Mesmo assim, trabalhadores relataram que os valores não chegavam às contas.

As queixas acumuladas incluem salários vencidos, vale-alimentação não pago, férias pendentes e ausência de depósitos do FGTS. Representantes da categoria têm defendido mudança no modelo de contratação da saúde pública estadual, com realização de concursos e redução da dependência de empresas terceirizadas.

O padrão é conhecido no Estado: em janeiro deste ano, uma greve do Sipern chegou ao quinto dia com protesto em frente ao Hospital Walfredo Gurgel, e o atraso de salários de terceirizados já havia exposto o problema em 2025.

Onde a greve dói
O efeito mais imediato aparece na alimentação hospitalar. Quando o serviço para, a rede precisa recorrer a soluções emergenciais para garantir as refeições de pacientes internados — e, em episódios anteriores, acompanhantes chegaram a assumir tarefas de limpeza em unidades do Estado.

A paralisação ocorre em um momento de pressão sobre as contas da saúde estadual. Levantamento do laboratório vinculado ao Ministério Público apontou que o Rio Grande do Norte aplicou 7,04% das receitas de impostos e transferências em saúde até junho, o menor percentual entre as 27 unidades da Federação, contra um mínimo constitucional de 12% ao ano.

A greve foi noticiada originalmente por O Correio de Hoje, em nota do Informe do Correio sobre a paralisação dos terceirizados.

AGORA RN