Bastidores travam aliança com PL e aproximam PSDB do governo Fátima e do PT

Enquanto cresce a expectativa sobre qual será o destino do PSDB no Rio Grande do Norte nas eleições de 2026 — e qual caminho o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, decidirá seguir entre as conversas com o grupo da governadora Fátima Bezerra e o palanque liderado por Álvaro Dias, pré-candidato do PL ao Governo do Estado — existem fatores de bastidores que ajudam a explicar por que a definição ainda não aconteceu.
Até pouco tempo, a aliança entre PSDB e PL era tratada nos meios políticos como praticamente certa. A expectativa predominante era de que Ezequiel Ferreira conduzisse os tucanos para o mesmo palanque de Álvaro Dias. No entanto, o cenário começou a mudar diante de impasses acumulados nas negociações entre as duas legendas.
E, nos bastidores, o principal ponto de desgaste tem nome: Rogério Marinho. Segundo interlocutores envolvidos nas conversas, o senador teria sido decisivo para esfriar o entendimento entre PSDB e PL ao adotar uma postura considerada inflexível nas discussões sobre a composição da chapa majoritária, especialmente em relação ao Senado. A avaliação dentro do PSDB é de que o PL fechou espaço para negociação e tentou impor decisões sem construir consensos.
Outro fator que pesou negativamente foi a postura dos liberais nas tratativas sobre a futura mesa diretora da Assembleia Legislativa, que será eleita em 2027. O tema é estratégico para Ezequiel Ferreira, que busca preservar influência política dentro do Legislativo estadual. No entanto, o PL evitou assumir compromissos mais claros sobre um eventual projeto conjunto para o comando da Casa.
Enquanto o diálogo com o PL encontrava resistência, as conversas com o sistema governista seguiram em direção oposta. O grupo ligado à governadora Fátima Bezerra abriu espaço para negociação política e apresentou ao PSDB propostas consideradas relevantes, entre elas a indicação da vaga de vice-governador na chapa governista e um acordo de apoio mútuo para a eleição da próxima mesa diretora da Assembleia.
Por isso, o avanço das tratativas entre PSDB e PT, que inicialmente surpreendeu parte do meio político, pode ser interpretado menos como uma mudança ideológica e mais como consequência prática da forma como cada lado conduziu as negociações. De um lado, portas fechadas; do outro, espaço aberto para composição.
Apesar da aproximação crescente entre tucanos e governistas, a aliança ainda não está oficialmente fechada. As conversas seguem avançando, mas Ezequiel Ferreira continua mantendo diálogo com outros atores políticos, entre eles o prefeito de Natal, Paulinho Freire, que atua para tentar reaproximar o PSDB do projeto liderado por Álvaro Dias.
A tendência é que a definição final aconteça apenas no mês de junho, quando o PSDB deverá bater o martelo sobre qual palanque pretende integrar na disputa estadual de 2026.
blog do neto queiroz
