Garibaldi rebate Samanda, defende legado e desafia comparação com Governo Fátima

Postado em 15 de julho de 2026

O ex-governador e ex-senador Garibaldi Alves Filho (MDB) respondeu às críticas feitas pela presidente estadual do PT, Samanda Alves, e saiu em defesa do legado de sua administração à frente do Rio Grande do Norte (1995-2002). Em entrevista exclusiva ao AGORA RN, Garibaldi afirmou que rejeita comparações feitas por adversários políticos sem respaldo na avaliação da população e sustentou que sua gestão deixou obras estruturantes que continuam produzindo resultados décadas depois.

A declaração de Garibaldi é uma reação direta ao artigo publicado por Samanda no AGORA RN na última sexta-feira 10. Na ocasião, a dirigente petista criticou o vice-governador Walter Alves (MDB) por usar o governo Garibaldi como referência ao apontar problemas fiscais da atual administração estadual.

No artigo, Samanda afirmou que Walter faz uma comparação inadequada entre períodos históricos distintos, argumentando que o governo Garibaldi contou com um cenário fiscal favorecido pela privatização da Cosern, enquanto Fátima Bezerra assumiu um Estado endividado e com quatro folhas salariais em atraso. Ela também sustentou que o vice-governador não teria autoridade para criticar a gestão da qual ainda faz parte institucionalmente, sobretudo após ter declarado que não participou das principais decisões administrativas do governo.

Garibaldi respondeu dizendo que não cabe a políticos estabelecer quem governou melhor o Estado. Para ele, esse julgamento pertence exclusivamente à população, que dispõe de instrumentos concretos para avaliar o desempenho de cada administração.

“Quem tem autoridade para dizer se um governo foi melhor ou pior que o outro é o povo. Não é político ‘A’ ou ‘B’. Se fosse o político, era muito bom: todo governo era o melhor já feito. Mas não é assim. Essa é uma lição que aprendi logo cedo nesses muitos anos de política: o povo é quem diz se o governo foi bom ou ruim, se foi melhor ou pior. E para medir isso há uma forma simples: as obras e as pesquisas de aprovação feitas com a população. E aí sim são possíveis comparativos”, afirmou.

Ao rebater a comparação feita pela dirigente petista, o ex-governador direcionou a discussão para o legado material deixado por sua administração. Segundo ele, a principal marca do governo foi o investimento em segurança hídrica, especialmente por meio da construção de barragens e da implantação de um amplo sistema de adutoras que transformou o abastecimento de água no Estado.

“No quesito das obras, há um dado que sobressai: durante minha gestão como governador, realizei o maior programa de adutoras já feito no Brasil, naquela época. Fizemos grandes barragens e ligamos essas barragens às cidades. Eu lembro que foi essa mudança que reduziu imensamente a morte de crianças nas cidades. Mudou realmente a qualidade de vida no RN. E isso não sou eu que afirmo: mas o Ministério da Saúde, com seus levantamentos”, declarou.

Garibaldi afirmou que o impacto dessas obras permanece visível quase 30 anos depois e relacionou diretamente os investimentos realizados em seu governo à chegada das águas da Transposição do Rio São Francisco ao Rio Grande do Norte. Na avaliação dele, a infraestrutura implantada nos anos 1990 foi decisiva para permitir que o Estado pudesse aproveitar o novo sistema hídrico.

“Passados todos esses anos, são esses canos e essas barragens feitas pelo governo Garibaldi Filho que possibilitam também que as tão esperadas águas da Transposição cheguem e sejam distribuídas no Rio Grande do Norte. Imagine a Transposição agora sem ter onde armazenar as águas. Imagine as águas da Transposição chegando ao RN e não tendo os dutos para levar elas às cidades? Como seria? Acho que isso diz tudo acerca de uma comparação. Tivemos gestão e vontade política naquela época. Nós fizemos o dever de casa para garantir hoje que possamos avançar. E isso o povo comprova quando vê a água chegar às suas torneiras”, afirmou.

O ex-governador também contestou a defesa feita por Samanda da condução fiscal da atual administração. Em seu artigo, a presidente do PT destacou que o Estado reduziu o comprometimento da Receita Corrente Líquida com despesas de pessoal, regularizou o pagamento dos salários, retomou investimentos e conquistou o segundo lugar nacional no Ranking da Qualidade da Informação Contábil e Fiscal da Secretaria do Tesouro Nacional.

Garibaldi preferiu enfatizar indicadores econômicos de seu período à frente do Executivo e demonstrou preocupação com a situação das contas públicas atualmente.

“Há um outro aspecto que é a questão fiscal. Na época do meu governo, alcançamos um PIB acima da média brasileira e do Nordeste. E hoje nos preocupa o endividamento do Estado, que passou de 2025 para 2026 com mais de R$ 3 bilhões em dívidas. Quando um Estado gasta mais do que arrecada, isso é preocupante”, afirmou.

Ele também respondeu ao argumento de Samanda de que sua gestão não poderia servir de parâmetro para a realidade atual. Em vez de discutir apenas números fiscais, voltou a defender que o legado administrativo deve ser medido pelos resultados alcançados e pela avaliação popular.

“Com relação à aprovação do governo, na minha época, saí com altos índices de aprovação e fui eleito senador. O que é que as pesquisas de aprovação dizem agora? A vereadora poderia verificar e fazer a comparação”, declarou, referindo-se à dirigente petista.

Defesa de Walter
As declarações de Garibaldi reforçam o discurso adotado por Walter Alves desde que rompeu politicamente com o governo Fátima Bezerra no início deste ano. Nas últimas semanas, o vice-governador tem afirmado que o próximo governador precisará promover um “choque de gestão”, citando déficit fiscal, crescimento das despesas, atrasos relacionados aos empréstimos consignados e dificuldades financeiras do Estado como justificativa para a decisão de não assumir o Executivo caso a governadora deixasse o cargo para disputar o Senado.

Samanda reagiu a essa posição afirmando que Walter não poderia se apresentar como crítico de uma gestão da qual continua fazendo parte institucionalmente. No artigo publicado pelo Agora RN, ela escreveu que “quem abre mão da responsabilidade de governar perde, a meu ver, parte da autoridade para posar de fiscal da gestão” e classificou como incoerente a postura do vice-governador.

Garibaldi, por sua vez, saiu em defesa do filho e procurou deslocar o foco do debate para sua trajetória política e para os resultados obtidos durante sua atuação parlamentar. Segundo ele, Walter construiu credibilidade ao longo dos mandatos exercidos na Câmara dos Deputados e ajudou diretamente os municípios potiguares por meio da destinação de recursos federais.

“Com relação a Walter, também sou suspeito de falar, mas é preciso ser justo. Fui senador, presidente do Congresso e ministro e pude contar sempre com Walter ao meu lado ajudando as cidades do Rio Grande do Norte”, afirmou.

Na avaliação do ex-governador, os resultados desse trabalho podem ser mensurados pelo volume de investimentos destinados aos municípios. “Os números estão aí para quem quiser ver: só de Walter, são mais de R$ 300 milhões em recursos para as cidades. Não é só dinheiro. Foram ambulâncias, unidades de saúde, ruas, casas, quadras, ajuda para o custeio da saúde. Ou seja: contribuições para a melhoria de vida da população mesmo”, destacou.

Garibaldi acrescentou que a atuação parlamentar do filho consolidou um patrimônio político semelhante ao que, segundo ele, construiu durante sua passagem pelo Governo do Estado. “Hoje, graças a esse trabalho, Walter tem algo que eu conquistei pelo trabalho que fiz como governador: credibilidade. As pessoas sabem que nós, o MDB, já fizemos muito e temos condições de fazer muito mais. As pesquisas de intenção de voto confirmam isso. Os prefeitos que estão nos ajudando confirmam isso. E as urnas, em outubro, se Deus quiser, comprovarão essas minhas palavras”, afirmou.

AGORA RN