Governo do RN vai pedir medidas urgentes no STF para evitar bloqueio do FPE

Postado em 10 de julho de 2026

Sem resposta ao pedido administrativo encaminhado ao Ministério da Fazenda, o Governo do Rio Grande do Norte acionou a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) para adotar medidas judiciais urgentes que impeçam o bloqueio de recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE) em razão do pagamento, pela União, de uma parcela de US$ 14,54 milhões (R$ 80 milhões) do empréstimo contratado junto ao Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), instituição do Banco Mundial.

No Ofício nº 357/2026, enviado à PGE na quarta-feira (8), a Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz) solicita que seja avaliada a adoção de ação judicial, inclusive perante o Supremo Tribunal Federal (STF), para impedir a execução imediata da contragarantia, assegurando que eventual retenção ocorra apenas em outubro. O pedido foi feito porque, segundo a pasta, o Ministério da Fazenda ainda não respondeu ao pleito administrativo encaminhado anteriormente.

No documento, a Sefaz sustenta que o bloqueio imediato poderá provocar “grave desorganização” do fluxo financeiro do Estado, comprometendo o pagamento tempestivo de despesas obrigatórias e a continuidade de serviços públicos essenciais. “Uma vez que você tem um fluxo de caixa apertado e um montante desse interfere nesse fluxo, alguma coisa vai ser afetada. É justamente por isso que esperamos conseguir essa postergação”, explicou o secretário estadual da Fazenda, Álvaro Bezerra.

A justificativa é que julho, agosto e setembro concentram historicamente os menores repasses do FPE, agravados neste ano pela frustração de arrecadação registrada no primeiro quadrimestre e pelo contingenciamento de quase R$ 500 milhões no orçamento estadual. “O FPE não está crescendo dentro da expectativa que imaginávamos. Esse também tem sido um agravante que leva a essa situação”, diz Bezerra.

Segundo ele, o período de menor arrecadação do FPE torna inviável a execução da contragarantia sem impactos sobre a programação financeira do Estado. “Julho, agosto e setembro são meses de FPE muito baixo. Levando em consideração as prioridades com as políticas públicas e o pagamento do salário do servidor em dia, entendemos que postergar o pagamento dentro do próprio exercício é algo perfeitamente razoável”, disse.

O argumento coincide com o exposto pela Sefaz no ofício encaminhado à PGE. O documento informa que a Receita Líquida do Tesouro ficou R$ 497,4 milhões abaixo da meta prevista para o primeiro quadrimestre de 2026, situação atribuída principalmente à redução do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) após a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, além da redução temporária da base de cálculo do FPE.

O secretário classificou a medida como um ajuste temporário de caixa e negou que o Estado esteja buscando deixar de pagar a dívida. “A gente não pede para não pagar. A gente só pede para pagar daqui a dois ou três meses. É um mero ajuste de fluxo de caixa para colocar esse pagamento num momento em que o fluxo permita”, afirmou.

Ele reforçou que o governo espera contar com maior ingresso de recursos do Fundo e receitas extraordinárias, como compensações previdenciárias, créditos do Fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS) e recuperação de carteiras de crédito auditadas. Na avaliação dele, a situação fiscal do Estado permanece sob controle, apesar das restrições de liquidez. “Eu diria que é uma situação administrável. Enfrentamos dificuldades em determinados meses por causa do fluxo de caixa, mas os serviços públicos continuam sendo oferecidos e o servidor continua recebendo salário em dia.”

No pedido encaminhado à Procuradoria, a Sefaz lembra que situação semelhante ocorreu em 2025, quando o STF determinou o desbloqueio dos recursos estaduais e autorizou que a retenção fosse realizada em momento compatível com o fluxo financeiro do Estado.

Entenda o caso

O Governo do RN não fez o pagamento da parcela do empréstimo tomado junto ao Banco Mundial. O empréstimo foi tomado em 2013, no valor de US$ 360 milhões de dólares para o desenvolvimento de políticas públicas no Estado. A União foi fiadora do empréstimo e, como a parcela de junho, não foi paga, honrou com o repasse.

No entanto, a situação permite que a Fazenda Nacional realize um bloqueio nos repasses do Fundo de Participação dos Estados para reaver o dinheiro desembolsado. Nesta semana, a governadora Fátima Bezerra enviou um ofício ao Ministério da Fazenda pedindo o adiamento da execução da contragarantia. Segundo o documento, assinado pela governadora, o bloqueio de cerca de R$ 80 milhões coloca em risco o pagamento de despesas obrigatórias nos próximos meses.

Tribuna do Norte