Mais de 500 mil apostadores pediram autoexclusão de bets no Brasil, diz Governo

Postado em 22 de maio de 2026

Mais de 500 mil brasileiros já pediram autoexclusão de plataformas de apostas online desde a criação da ferramenta do governo federal voltada ao combate à compulsão em bets.

Segundo dados divulgados pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda na última quarta-feira (21), 519,2 mil usuários solicitaram o bloqueio voluntário das contas até maio deste ano.

A plataforma foi criada em dezembro de 2025 em parceria entre os ministérios da Fazenda e da Saúde para permitir que apostadores se afastem temporária ou permanentemente das casas de apostas online.

O cadastro pode ser feito pela plataforma oficial do governo. O usuário escolhe por quanto tempo deseja permanecer afastado das apostas: um, três, seis, nove ou 12 meses — ou até por tempo indeterminado. Durante esse período, ele fica impedido de acessar plataformas regulamentadas.

O sistema também pergunta, de forma opcional, o motivo da decisão. Segundo o governo, os dados ajudam a entender os fatores ligados ao vício em apostas e aprimorar políticas de prevenção.

Quais são os principais motivos da exclusão?

De acordo com o Ministério da Fazenda, 37% dos usuários afirmaram ter solicitado a autoexclusão por perda de controle sobre o jogo e problemas relacionados à saúde mental. Outros 25% disseram querer evitar o uso indevido de dados pessoais por plataformas de apostas.

Entre os usuários, 73% escolheram a exclusão por tempo indeterminado.

O que dizem especialistas e empresas do setor?

Executivos e especialistas em jogo responsável afirmam que as ferramentas de autoexclusão representam um avanço importante, mas defendem ações complementares de educação e conscientização.

“Mais do que disponibilizar ferramentas como autoexclusão e limites de uso, é fundamental garantir que o usuário tenha acesso à informação e consiga tomar decisões de forma responsável e orientada por dados”, diz Thiago Garrido, CEO da Cactus Gaming, empresa responsável por diversas casas de apostas no Brasil.

Já para Cristiano Costa, psicólogo clínico e organizacional e diretor de conhecimento (CKO) da Empresa Brasileira de Apoio ao Compulsivo (EBAC), as medidas são importantes para evitar a compulsão, mas ele também defende a orientação ao apostador para o uso responsável.

“Essas medidas representam um avanço importante na consolidação de práticas mais seguras no setor. As ferramentas de autobloqueio são essenciais para o manejo da compulsividade. Contudo, os ajustes de limites no momento do cadastro e o uso consciente das ferramentas de autocontrole são passos ainda mais importantes para garantir que as apostas continuem sendo uma forma de entretenimento, e não um risco”, diz Cristiano.

SUS vai oferecer atendimento para vício em apostas

Segundo o governo federal, a ferramenta também vai direcionar usuários para atendimento em saúde mental pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta inclui testes para identificar sinais de compulsão em apostas e encaminhamento para ajuda especializada.

A partir de fevereiro de 2026, o SUS também deverá oferecer teleatendimento voltado a saúde mental relacionada a jogos e apostas online em parceria com o Hospital Sírio-Libanês.

sbt