Novo tarifaço de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros começa a valer na próxima quarta-feira (22)

Postado em 16 de julho de 2026

O governo dos Estados Unidos confirmou a aplicação de uma tarifa de 25% sobre a maioria dos produtos importados do Brasil. A medida foi oficializada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) na noite de quarta-feira (15) e passa a valer na próxima quarta-feira (22). Segundo o governo americano, a decisão é uma resposta a práticas comerciais consideradas desleais por parte do Brasil, após negociações que, na avaliação de Washington, não avançaram.

Apesar da nova taxação, o USTR divulgou uma lista de produtos que ficarão isentos da cobrança. Entre eles estão carne bovina, café, laranja, suco de laranja, petróleo, celulose e componentes utilizados na fabricação de aeronaves. Também foram excluídos da tarifa outros produtos básicos considerados estratégicos para o mercado americano e que não possuem produção suficiente nos Estados Unidos.

Ao anunciar a medida, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não negociou “de boa-fé” com Washington. Em publicação na rede social X, Rubio atribuiu as tarifas às políticas econômicas adotadas pelo governo brasileiro e afirmou que elas representam o custo da falta de acordo entre os dois países.

Em resposta, o governo brasileiro classificou a decisão como um “marco lastimável” nas relações entre Brasil e Estados Unidos. Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom), o Palácio do Planalto informou que acionará os mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade e recorrerá ao sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). O governo também argumentou que não há justificativa para medidas unilaterais, destacando que os Estados Unidos acumulam superávit comercial de US$ 424,5 bilhões nas trocas de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos.

O comunicado da Presidência também fez críticas à família Bolsonaro, afirmando que as investigações conduzidas pelos Estados Unidos contaram com a colaboração de seus integrantes. O senador Flávio Bolsonaro participou de uma audiência do USTR, em Washington, onde criticou a política econômica do governo Lula e defendeu que o tema das tarifas vem sendo explorado politicamente pelo Executivo brasileiro.

No relatório que fundamenta a decisão, o USTR afirma que o Brasil mantém práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais americanos em áreas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, incluindo o Pix, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, tarifas preferenciais e questões ambientais relacionadas ao desmatamento ilegal. O órgão informou, no entanto, que permanece aberto à retomada das negociações para buscar mudanças nas políticas apontadas pela investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, que autoriza a adoção de medidas de retaliação comercial contra países considerados responsáveis por práticas desleais.

Com informaçõs do Estado de S.Paulo